EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20180711

José de Azeredo Perdigão -"O Mago"


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José de Azeredo Perdigão -"O Mago", número 2 da colecção "Visienses de boa memória" editado pela "AVIS - Associação Cultural para o Debate de Ideias e Concretizações Culturais de Viseu" com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian da qual foi o 1º Presidente do Conselho de Administração.

"Nascido em Viseu, a 19 de Setembro de 1896, José de Azeredo Perdigão é uma das personalidades mais marcantes do século XX português, numa trajectória profissional e pública que atravessou as grandes mudanças da sociedade portuguesa, num arco de tempo que vai da implantação da República ao "25 de Abril".
Aluno brilhante das Faculdades de Direito de Coimbra e de Lisboa, intelectual desperto para a renovação das ideias que emergia do grupo da Seara Nova, a sua vida dividiu-se entre a advocacia e a Fundação Calouste Gulbenkian" (...)

Dr. Emílio Rui Vilar
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian

20180706

Afonso Henriques (1109/1185)


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(...)" As bases desta investigação, sem as quais ela seria impraticável, ou baldada, são duas: uma, o conhecimento da data suficientemente aproximada do nascimento de D. Afonso Henriques; a outra, a residência de D. Teresa quando ele veio à luz. A data é possível sabê-la pelas indicações da época: tendo dois para três anos quando morreu seu pai, o que sucedeu em Maio de 1112, e sendo que aquela expressão vulgar significa mais próximo os três anos que os dois, concluímos, calculando dois anos e uns nove meses, o meado do Verão de 1109. Quanto à residência de D. Teresa, temos provada para ela Viseu, precisamente então." (...)

A. de Almeida Fernandes - Investigador de História Medieval 

Excerto retirado de Afonso Henriques (1109/1185) "O Pai da Pátria",  terceiro número da colecção "Visienses de boa memória" editado pela "AVIS - Associação Cultural para o Debate de Ideias e Concretizações Culturais de Viseu" e dedicado à memória do investigador Dr. Alexandre Alves.

20160831

Viagem ao Passado Romano na Lusitânia


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"Um relógio oferecido a Idanha-a-Velha por Quinto Tálio, uma Agripina sem cabeça e uma cabeça sem corpo na cidade de Beja, as histórias de Labéria que morreu com 42 anos, de Lúcio Cecílo, Caio Cantio Modestino, da pequena Quintila, de Ânio Primitivo ou de Júlia Modesta. Estes são alguns dos personagens que povoam este livro que nos transporta para a época romana. A única diferença que existe em relação a milhares de outros habitantes destas terras que nós hoje habitamos é o facto de eles, ou outros por eles, terem gravado na pedra os seus nomes. Olhando para os vestígios que nos foram deixados pelos nossos antepassados é possível reconstituir a história da Lusitânia. De norte a sul do país e percorrendo também terras espanholas, este livro permite-nos quebrar o enorme silêncio que é o passado e abrir pequenas grandes frestas que nos desvendam a nossa história e os desejos e medos, as aspirações ou os modos de ser e formas de vida daqueles que habitavam a Lusitânia. A arqueóloga Lídia Fernandes dá-nos a conhecer algumas das maravilhas arqueológicas que o nosso país encerra e revela-nos o significado oculto de ruínas, locais escondidos e pedras que num primeiro momento podem não nos dizer nada, mas que têm tanto para contar sobre o nosso passado."

"Viagem ao Passado Romano na Lusitânia" de Lídia Fernandes, A Esfera dos Livros, Lisboa, Junho de 2016
Lídia Fernandes é licenciada em História, na variante de Arqueologia pela Universidade de Coimbra, especializada em "Arquitetura e Urbanismos Romanos", pela Universidade Lusíada, Mestre em "História de Arte", pela Universidade Nova de Lisboa. Exerce funções como arqueóloga na Câmara Municipal de Lisboa (1989), sendo actualmente coordenadora do Museu do Teatro Romano.

20160118

"Guia da Cidade de Viseu" - 1931



"Guia da Cidade de Viseu", Edição da Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu (Dezembro 1931), Fotos de João C. Coutinho e Octávio Bobone, Gravuras dos Atelliers Marques Abreu, Capa de Eduardo Romero, Tipografia Porto Médico, Ltd. e Texto do Capitão Almeida Moreira (?)

20160116

"Guias da Cidade de Viseu"



"Guias da Cidade de Viseu" - "Antiga e nobilíssima cidade de Portugal", Edição da Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu (Dezembro de 1931 e Setembro de 1936/versão língua inglesa), texto do Capitão Almeida Moreira (não referido) e fotografias de João C. Coutinho  Octávio Bobone [Saber +]

"Quem chegar a Viseu pelo caminho de ferro do Vale do Vouga ou pelo da Companhia Nacional, servidos ambos por uma estação comum, de pobre aspecto arquitectónico, deixada esta, encontrar-se-á num pequeno largo que dá ligação para a Avenida Capitão Homem Ribeiro e para a nova Avenida António José de Almeida, ainda em construcção."(...)

20150719

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)


Este volume que reúne mais de meio século de poesias de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), foi o cumprimento de uma promessa que o autor fez a si mesmo e a resposta “a intimação” do seus filhos para reunir trabalhos dispersos que doutro modo acabariam esquecidos nas folhas amarelecidas dos jornais, guardados em arquivos. Adelino Azevedo Pinto foi “escrevente” na Imprensa Regional e correspondente de jornais nacionais. A sua figura permanece bem viva na lembrança daqueles que com ele privaram, muito em especial dos seus muitos amigos e vizinhos do "Campo de Viriato".
Adelino Nogueira Azevedo Pinto nasceu em 8 de Novembro de 1907, em Santa Leocádia, no concelho de Baião (Porto). Este livro com 459 páginas foi publicado em Dezembro de 1985, cerca de 6 anos antes do seu desaparecimento, em 19 Julho de 1991 é um arquivo de produções poéticas de formas e temas diversos “baralhadas cronologicamente".

20140522

Feira do Livro no Parque


"A abertura da Feira do Livro em Viseu é esta sexta-feira, dia 23 de Maio, pelas 18 horas, no Parque Aquilino Ribeiro. A iniciativa da Câmara Municipal de Viseu prolonga-se até ao dia 8 de Junho e apresenta uma programação com espetáculos, apresentações de livros, animação para crianças, entre outras atividades." [Portal CMV]

20120113

"Arte Portuguesa" de Paulo Pereira



D. Miguel da Silva:
Um mecenas do Renascimento (1525-1540)

D. Miguel da Silva (…), fazia parte do círculos intelectuais de Roma, para onde foi em 1515 como primeiro embaixador de D. Manuel junto da corte papal de Leão X, tendo aí convivido com primeiras figuras do humanismo, tais como Baldassare Catigliohne – que, inclusivamente, lhe dedicara o livro fundamental para a cultura renascentista que é Il perfeito cortegiano (Veneza, 1528).
Conhece diversos artistas de vanguarda, entre os quais Rafael e Ticiano e frequentará os cenáculos dos Médici e dos Farneses. (…)
Foi D. João III quem, ao chamá-lo propositadamente de volta a Portugal, o impediria de ascender então à dignidade cardinalícia, sendo feito depois, porém bispo de Viseu.(…)
Começou por assumir o privilégio de possuir arquitecto privativo, de origem italiana, de seu nome Francisco de Cremona (…).
Se a morada predilecta de D. Miguel, o Paço do Fontelo (perto de Viseu), possuía um jardim renascentista à italiana, a sua intervenção de maior alcance haveria de ser a que levaria a cabo na Sé de Viseu, nela trabalhando o arquitecto cremonense: trata-se do claustro, de características bem “romanas”, inspirado no cortile do Palácio Ducal de Urbino, lugar considerado modelar. A sua edificação decorreu entre 1529 e 1534, aproximadamente, e a sua tipologia renascentista advoga um novo tipo de partido estético (…) Os fustes estriados e os capitéis com volutas e flores, bem como o equilíbrio eurítmico do conjunto, denunciam uma das mais consequentes experiências classicizantes realizadas entre nós.(…)

Paulo Pereira in “Arte Portuguesa – História Essencial”, Circulo de Leitores e Temas e Debates, 1ª edição Junho de 2011

20120104

"Portugal - O Sabor da Terra"

Reedição oportuna da publicação de 1998, há muito esgotada, resultante dum trabalho de investigação e recolha de imagens destinado ao Pavilhão de Portugal na EXPO’98 que permitirá conhecer melhor o território e as especificidades da “identidade” portuguesa. Apesar do tempo decorrido continua a ser uma obra de síntese muito válida, completada com várias centenas de fotos de Duarte Belo e legendas, de grande qualidade.

"Vamos esquecer a terra? É nela que nos apoiamos, dela que nos alimentamos, ela que configura o nosso espaço, ela que condiciona as nossas comunicações físicas. Nela que moraram os nossos antepassados. Marcados pelo território, transmitiram-nos as estruturas sociais com que nos organizamos, as técnicas agrícolas que em parte a dominam, e tudo o mais que foi moldando as nossas comunidades até hoje. O território é o elemento permanente da identidade. Por isso acentuados a presença da terra e procurámos, por meio da fotografia de paisagens em monumentos, representamos sinais de permanência ou da longa duração"

José Mattoso, Suzanne Daveau e Duarte Belo, do prefácio

“Portugal, O Sabor da Terra, Um retrato histórico e geográfico por regiões” – de José Mattoso, Suzanne Daveau e Duarte Belo, Circulo de Leitores e Temas e Debates 2010, 2ª edição, Março de 2011

20111111

"O Fascínio do Oriente" de António Rocha



António Rocha em Ayuthaya, antiga capital da Tailândia, uma das 89 imagens do seu livro de viagens - “O Fascínio do Oriente”, editado há poucos dias.

20111106

"O Fascínio do Oriente" - António Rocha



Acaba de ser posto à venda um livro de viagens do viseense e grande viajante, António Rocha com o título - "O Fascínio do Oriente". Os parabéns para o autor e boas vendas.

20070825

E Notícias dos Livros?

"Vários exemplares de edições raras e antigas de livros e revistas, alguns dos quais remontam ao século XV, desapareceram da Biblioteca Municipal de Viseu, estando o alegado roubo a ser investigado pela polícia" (...)
Leia toda a notícia publicada no semanário -"Sol" em 18 de Maio.
Será que estas "meninas" viram os livros desaparecidos da nossa Biblioteca a “sair pela porta do cavalo”?
A investigação certamente que continua e a segurança deverá ter sido reforçada.

20070601

1 de junho de 1926 nasceu Norma Jean Baker!



"Não estou interessada em dinheiro."
"Apenas desejo ser maravilhosa."

Esta pequena biografia foi escrita por Gloria Steinem uma jornalista de méritos reconhecidos que trabalhou para o New York Magazine e fotos da autoria de George Barris um fotojornalista freelancer que em conjunto com Marilyn Monroe preparava uma biografia ilustrada à época da sua morte. As fotos foram obtidas três semanas antes da sua morte em Los Angeles no dia 5 Agosto de 1962. Infelizmente entre os meus livros só existe esta versão, em formato de livro de bolso, editada em Londres por Victor Gollancz, Ltd. em 1992.

MM na Wikipédia com algumas ligações a páginas interessantes e à sua página oficial.

20070531

Parabéns Mr. Clint Eastwood!



“Nasceu em 31 de Maio de 1930 em São Francisco. O pai era contabilista e a grande depressão obrigou-o a mudar-se com frequência para procurar trabalho. Foi uma vida errante. O pequeno Clint foi muitas vezes confiado à sua avó, uma mulher solitária e independente que habitava nas montanhas.
A sua adolescência foi mais sossegada porque a família se fixou em Oakland. Estudou na Technical High School. Media 1 metro e 93 e praticava desporto. Também se interessava por música Country e pelo Jazz. Aprendeu a tocar piano e trompete. Como todos os estudantes americanos, fez pequenos trabalhos para ganhar algum dinheiro para as suas despesas. O seu amor pela natureza levou-o a trabalhar como lenhador no Oregon.” (…)

“Clint Eastwood” – Nöel Simsolo na Colecção “Auteurs”, edição dos “Cahiers du Cinema” e editado em 1990

20070513

O Viseense D. Afonso Henriques!



“Se, para injusta fama dos seus créditos intelectuais, começou a cantar-se do marechal de La Palisse que um quarto de hora antes de morrer estava vivo, uma tal aleivosia, após tantas e não coincidentes opiniões sobre a localidade do nascimento de D. Afonso Henriques, não deveria ser pensada de quem, para formular a sua, tomasse como ponto de partida a incontestável verdade de que sua mãe o deu à luz onde ela, quando ele nasceu, se encontrava. É daí absolutamente que eu parto: toda a preocupação deste trabalho está em sabê-lo.” (...) - Opiniões – p.. 7


“A matéria deste capítulo pode condensar-se no seguinte:
Os fulcros da averiguação que com este estudo se pretende são dois: a altura do ano em que nasceu D. Afonso Henriques, a qual só pode ser Julho – Agosto de 1109; e a presença de D. Teresa, sua mãe, então em Viseu. A primeira circunstância não deve oferecer qualquer dúvida – se não quisermos arredar as indicações da época, o que julgo ninguém pensará. Da segunda é prova todo este estudo.” (…) – Resumo do Capítulo III – p. 48

“Viseu, Agosto de 1109, Nasce D. Afonso Henriques”
Autor - A. de Almeida Fernandes
Prefácio – Prof..ª Doutora Maria Alegria F. Marques
Fixação de Texto e Índice – Prof. Doutor João Silva de Sousa
Editor – SACRE/Fundação Mariana Seixas, Ranhados, Viseu
Data da Edição - Março de 2007

20070501

Plauto - "Anfitrião"



Este livro conta uma “estória”, bem conhecida, a de um “corno manso”, só que com uma variante, a coisa acontece entre deuses e homens. É uma comédia de Plauto (254 ? – 184 a.C. ?) e é um dos escritos mais antigos da Literatura Latina. Das cerca de 130 obras atribuídas a este autor, apenas chegaram até nós 21, entre as quais se encontra, felizmente, este “Anfitrião”. Embora Plauto se tivesse inspirado nos modelos gregos, introduziu diversos elementos ao gosto romano: canções e danças. As confusões e enganos característicos das comédias gregas foram e muito bem, transpostas para a sociedade romana. Plauto tinha um grande sentido de humor, conhecia bem o seu povo e utilizava o latim popular. Foi muito apreciado na sua época e grandes dramaturgos como: António José da Silva (O Judeu), Camões, Heinrich von Kleist, Molière e Shakespeare devem-lhe muito. Criou muitas personagens tipo que continuaram e continuam a ser usadas, ficou na História como o maior comediógrafo latino. Fez rir quando Roma atravessava momentos difíceis e também por isso o povo acorria em grande número para ver as representações.Quanto ao conteúdo desta comédia, nada melhor do que dar a palavra ao seu autor: “Argumento I“ - “Júpiter, sob a aparência de Anfitrião, que andava em guerra contra os Teléboas, tirou-lhe a esposa, Alcmena, e dela desfrutou. Mercúrio assume o aspecto do escravo Sósia, também ausente; Alcmena cai na esparrela.”
“Ao regressarem a casa, o verdadeiro Anfitrião e o verdadeiro Sósia são, um e outro, objecto de troça extraordinária. Daqui nascem as discussões e a confusão entre marido e mulher, até que Júpiter, fazendo ouvir do alto do céu a sua voz no meio de um trovão, confessa o adultério. ”Vejam esta situação, contada no Prólogo por Mercúrio (filho de Júpiter e colaborador no embuste), o protector dos comerciantes e dos ladrões, revela aos espectadores que o seu pai engravidou a esposa do General, que já estava grávida do marido : (...) “tantas lhe deu que...” e por supremo e invejado poder: (...) “E meu pai está, neste momento, aqui dentro, na cama com ela e, por esse motivo, foi esta noite prolongada: é o que acontece, sempre que ele está no gozo com qualquer fulana do seu agrado”.Depois de tudo esclarecido, Anfitrião ficou contente pela honra dada à sua casa e por ser marido de uma mulher, Alcmena, cobiçada pelo deus. A sua esposa gerou e pariu o seu filho e um semi-deus, Hércules. Pobre Juno, a esposa traída e ciumenta exacerbada, foi mais uma vez vítima das escapadelas do marido a quem fazia a vida negra. A partir desta comédia, anfitrião passou a designar o “que recebe na sua casa” e sósia “um duplo de outra pessoa”. Tito Maccio Plauto nasceu em Sarsina, na antiga Umbria, actual Norte da Itália, de família pobre e morreu em Roma, para onde foi viver ainda jovem. Fontes, pouco seguras, dizem que trabalhou nos bastidores do teatro e foi comerciante. Maus negócios levaram-no à ruína, fez-se moleiro e começou a escrever as suas comédias. Regressou ao Teatro, agora como autor, teve muito êxito e passou a ser um cidadão estimado e muito rico. As suas principais obras são: “Anfitrião”, “Aulularia”, “O Soldado Fanfarrão”, “Os Menecmos”, “Persa”, “Pseudolus” e “Vidularia”.
“Anfitrião” – Peça em 5 Actos, 3ª Edição em português: Janeiro de 1988, Autor – Plauto (Introdução, versão do latim e notas de Carlos Alberto Louro Fonseca), Capa de Louro Fonseca, Textos Clássicos – 1, Instituto Nacional de Investigação Científica, Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra.

20070423

Dia Mundial do Livro



É bem acertada a nota constante da contracapa – “Embora se trate de uma edição crítica, vocacionada para estudiosos universitários, este livro será certamente também do agrado do público em geral, já que pode ser lido por pura recreação.” Confirmo! já me diverti e continuarei a divertir com a leitura deste pequeno volume de 151 páginas, edição bilingue – português e grego.
No Prefácio é apresentado o autor: Luciano, mais conhecido por Luciano de Samóstata, nome da capital do antigo reino de Comagena, no norte da Síria e na margem direita do rio Eufrates, de onde Luciano era natural , é feita uma pequena resenha da sua vida e da importância da sua obra.
Da sua biografia sabe-se muito pouco e foi reconstituída a partir de dados e pistas existentes nos seus livros. Mas onde acaba a ficção e começa a realidade ? Ele próprio dizia que nos seus escritos a mentira era algo de muito corriqueiro! Terá escrito cerca de 80 obras e mesmo um relato de uma fantástica viagem à Lua (“História Verdadeira”) e previu a existência de vida extraterrestre. Nasceu pobre, terá vivido entre os anos de 125 e 185, foi aprendiz de escultor, na oficina de um tio, um excelente escultor, mas rapidamente mudou de rumo e foi estudar retórica chegando mesmo a exercer a profissão de advogado.
Viajou muito pela Ásia Menor, Grécia, Roma e Gália. Tinha uma larga erudição pois fez muitas referências a grandes filósofos, como Platão, Heráclito e Aristóteles; grandes poetas, como Homero e Hesíodo; e principalmente historiadores, como Heródoto, Xenofonte e Tucídides. O seu maior período de actividade literária coincidiu com o governo de Marco Aurélio, entre 161 e 180. Na velhice aceitou, por motivos económicos, um lugar na Administração Imperial do Egipto. Foi fonte de inspiração para autores com Erasmo, Thomas More, Rabelais, Voltaire, Montesquieu, Cervantes e Machado de Assis.
A história contada neste livro é a de um homem que por magia se vê transformado em burro, mantendo todas as suas capacidades e das vicissitudes porque passa até finalmente recuperar a forma humana.
Tudo aconteceu deste modo: Lúcio foi a Tessália para fazer um negócio a mando do pai, passou pela cidade de Hípata e hospedou-se em casa de um conhecido, Hiparco, que tinha fama de avarento, uma bela esposa e uma criada bem jeitosa. Chegou apresentou-se, foi recebido e algum tempo depois estava bem aboletado e a papar a criada - “a muito viva e engraçada Palestra”. Mas Lúcio estava muito interessado em apreciar os poderes da patroa que tinha fama de feiticeira e lasciva. Depois de algumas noites de assanhada luta amorosa com a moça (palestra = luta) chegou, finalmente, a oportunidade de espreitar a senhora. Lúcio e Palestra assistiram à assombrosa transformação da mulher em coruja, para voar e ir juntar-se ao seu amante, enquanto o marido dormia.
Entusiasmado Lúcio rogou à moça que o ajudasse a experimentar a magia que vira. A coisa resultou mal. A jovem confundiu a caixa que guardava o produto mágico e Lúcio viu-se transformado em burro. Palestra desculpou-se e disse ao seu querido que tivesse paciência que logo pela manhã tudo se resolveria. Bastava comer algumas pétalas de rosa para desfazer o encantamento. Lúcio ficou convencido e foi para o curral onde sabia estar o seu cavalo e um outro burro.
Por azar nessa mesma noite, a casa foi assaltada, os seus moradores amarrados e a casa totalmente esvaziada. O burro – Lúcio, também foi roubado e excessivamente carregado com o produto do roubo. Só depois de muitas vergastadas, mudanças de dono, variadas peripécias e muito gozo sexual, o burro que estava a ser exibido no Anfiteatro para cobrir uma mulher, pode deitar a boca a umas rosas e devorá-las. Então todos ficaram estupefactos ao ver que “o envelope exterior da besta” desapareceu e Lúcio ficou nu e em risco de ser lançado de imediato na fogueira. Por fim safou-se graças ao governador que o reconheceu como filho de amigos e o levou consigo. Antes de regressar à casa paterna ainda foi visitar uma mulher que se apaixonara por ele, enquanto vivia sob a forma de burro. Foi muito bem recebido, todavia como o seu instrumento, em tamanho, ficava aquém do da besta, foi rapidamente rejeitado e expulso para a rua todo nu...

“Eu, Lúcio memórias de um burro” – Luciano
Prefácio, tradução e notas de Custódio Magejo – Prof. da Faculdade de Letras de Lisboa
Colecção Clássicos Inquérito, Editorial Inquérito, Lda., Lisboa 1992

20070414

“O TRIUNFO DOS PORCOS” – GEORGE ORWELL

Este livro foi escrito entre Novembro de 1943 e Fevereiro de 1944 por George Orwell, pseudónimo de Eric Arthur Blair, cidadão do Império Britânico, nascido em Motihari – Índia em 25 de Novembro de 1903 e que nos deixou, em Londres, no dia 21 de Janeiro de 1950.
Para além deste clássico George Orwell, um dos mais influentes e brilhantes escritores do Século XX, e com uma vasta obra, publicou em 1949 - “1984 (Mil novecentos e oitenta e quatro)” onde descreveu um futuro controlado, vigiado por alta tecnologia, e onde a História era continuamente alterada.
O “Big Brother” saiu das páginas deste livro onde um sistema de “Teletela”, um televisor bidireccional, permitia ver e ser visto e era quase omnipresente.
George Orwel que foi um combatente das Brigadas Internacionais da Guerra Civil de Espanha, compreendeu bem os perigos do Estalinismo e escreveu “directa ou indirectamente contra o totalitarismo e em defesa do socialismo democrático (...)”.
Esta fábula de bichos foi publicada em 1945 e tornou-se um clássico moderno. Os animais da quinta, algures na Inglaterra, vão ser incentivados por um velho porco branco e premiado, Major, a libertar-se do jugo do homem e a fazer a Revolução. A sua nova cartilha - o “Animalismo”, reunida em “Sete Mandamentos” , foi escrita pelos porcos que lideraram a revolta contra o Sr. Jones, o proprietário da quinta que sempre os tratara bem, e eram os seguintes:

1º - Tudo o que anda com dois pés é inimigo.
2º - Tudo o que anda com 4 patas ou tem asas é amigo.
3º - Nenhum animal usará roupa.
4º - Nenhum animal dormirá na cama.
5º - Nenhum animal beberá álcool.
6º - Nenhum animal matará outro animal.
7º - Todos os animais são iguais.

Depois de alguns anos de trabalho os outros animais já não conseguiam distinguir os porcos dos homens e a norma : “Todos os animais são iguais mas, alguns são mais do que outros” - acabou por substituir os “Sete Mandamentos” e justificou que os porcos que dirigiam o trabalho passassem usar o chicote.


Título: ”O Triunfo dos Porcos”, Título Original: “Animal Farm”, Tradução: Maria Antunes: Capa: A. Rosa e J. Brandão: Editora p&r - perspectivas e realidades – Lisboa: 3ª Edição, Outubro de 1980: 111 Páginas