EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20180420

Viseu Cidade Vinhateira do Dão


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ALTO LÁ, UM BOCADINHO
AQUI ADEGA CENTRAL.
BEBEI TODOS UM COPINHO
ESTE VINHO NÃO FAZ MAL

Painel de azulejos da Fábrica do Outeiro - Águeda,  encontrado na EN 231, junto à localidade de Teivas

20180418

Camélias


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Camélias

O perfume delas
É, talvez,a cor...

Pedro Homem de Mello

20171127

"Gato Amarelo" de Tiago Lino da Silva


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Gato amarelo,
Sem eira nem beira
O que fazes na rua
A noite inteira?
Assusta viajantes,
Miado estranho.
Um dia te pego,
Ainda te apanho.
Meio gordinho,
Meio esperto
Segue o gato amarelo,
Passando por mim,
Me olha de lado,
Estranho miado,
Me deixa parado,
Gato amarelo,
Gato amarelo de costas então,
Se vira e acena com a "mão",
Me assusto novamente,
Além de estranho miado,
Agora um aceno "contente".
Gato amarelo,
Já sei o que pensa,
Missão cumprida,
Tens sua recompensa,
Sigo em frente,
Fico tremendo,
"Miado" e "aceno" são muito para a mente.
Gato amarelo,
Que pulou de repente,
onde vais agora,
Tão "sorridente"?

Tiago Lino da Silva
14/06/2011

20171120

"Que fazes por aqui, ó gato?"


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Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill in Poesias Completas. 1951-1986
Lisboa, INCM, 1990 (3ª ed.) 

20170918

A FEIRA FRANCA ACABOU


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RAPAZES TOMAI CAUTELA

A feira Franca acabou
E creio bem que deixou
A todos boa impressão.
Burros venderam-se aos centos,
Em mulheres p'ra bons intentos
Houve pouca transacção...

(...)

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p'ra tias
E as Feiras hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...

"CÁ, NA BEIRA FESTA É FEIRA"

(...)

Hoje, nas feiras modernas,
Os burros de quatro pernas
Já são uma raridade...
Muito embora haja mais
Na sua esperteza... iguais,
Mas é doutra qualidade...

(...)


20170209

Momento de Poesia


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QUANDO A PREGUIÇA MORRER
ATÉ O MONTE MANINHO
ATÉ ROCHEDOS DA SERRA
DARÃO ROSAS, PÃO E VINHO

A. CORRÊA D'OLIVEIRA

20170201

Improviso do Amor-Perfeito

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Improviso do Amor-Perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se alteia,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

Cecília Meireles
C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001

20170128

VISEU – RECORDAÇÕES (O PAVIA)


VISEU – RECORDAÇÕES (O PAVIA)

Aos domingos – quando as lojas abriam
Para encerrarem ao meio-dia
Os caixeiros e os marçanos, todos sentiam
A fluvial euforia
De passarem a tarde nas águas do Pavia
Coisa que hoje nem se acredita!...

...Naquele tempo belo – existia
Uma marinha viseense!
As barcas da tia Cristina e da tia Rita
(Como tudo isto desapareceu)
Se recordar é vida que se renova
Pois o futuro a Deus pertence
- Meto-me numa barca e lá vou eu!...

... Passar a ponte, à vara – sem lhe tocar
singrando nas águas profundas da Parede Nova
sempre a remar a bom remar
rumo ao Poço do Nicolau
para chegar depois – ao areal da Cerdeira
lembrando praia das areias finas
atracando a barca, à sombra dos amieiros
despejo a jarra que enchi no Júlio da Ribeira
Petiscando bolinhos de bacalhau !.....
Vou até ao areal das “meninas”!

Onde faço juízos matreiros
Umas vezes à vara – outras a remar
Quantos foram hoje os meus companheiros
Nesta barca da saudade a navegar
Até às Três Pedras, até à Ponte de Pau?...

... às vezes fico a meditar
Quando escrevo estas recordações
Como era possível:

Remar!
Mergulhar!
Nadar!
Lanchar!
Navegar!

Uma tarde inteira
Nas barcas da Ribeira
Por pouco mais de dez tostões!...

Ricardo Sandro (José Alves Madeira)

Ilustração: "Vizeu - Margens do Pavia", Bilhete Postal, Editor F.A. Martins, Lisboa, não datado, nem circulado mas dos primeiros anos do séc. XX.

20161219

Canção de Outono - Cecília Meireles


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Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão…

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…


20161209

A flor e seu nome


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A flor e seu nome

Mas o que impressiona mesmo no amor-perfeito é o nome. Que responsabilidade, meu filho! Há por aí uma planta chamada de amor-de-um-dia, que não carece muito esforço para ser e acontecer, como doidivanas. Outra atende por amor-das-onze-horas e presume-se como sua vida é folgada. Há também amor-de-vaqueiro, amor-de-hortelão, amor-de-moça, amor-de-negro... muitos amores vegetais que desempenham função limitada. Mas este aqui não tem área específica, não se dirige a grupo, ocasião, profissão. É absoluto, resume um ideal que vai além do poder das flores e dos seres humanos. 
Que sentirá o amor-perfeito, sabendo-se assim nomeado? Que tristeza lhe transfixará o veludo das pétalas , ao sentir que os homens que tal apelação lhe dera não são absolutamente perfeitos em seus amores? Que aquele substantivo, casado a este adjetivo, sugere mais aspiração infrutífera da alma do que modelo identificável no cotidiano? 
A tais perguntas o sóbrio amor-perfeito não responde. O outono tampouco. Talvez seja melhor não haver resposta.

Carlos Drummond de Andrade

20161105

Mil Escudos


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                            6A23742907 
                            Mil Escudos 
                                  ch.12 
         Lisboa, 6 de Fevereiro de 1992 

podia jurar que já tive esta nota na 
mão gostava mais das de cem (Bocage 
sempre era poeta) um de nós nunca 
esquecia bigodes e cicatrizes sobre 

o seu carão moreno assinando o curto 
nome pelo banco de Portugal nomeando 
nosso Bocage governador por uns dias. 

a nota de mil amanhã será como a 
tangerina (há tanto tempo na terrina 
caiu na classe dos frutos secos). 

vem aí outro dinheiro (aposto: vai 
ser azul) guardo esta nota antiga na 
caixa da ilusão esta nota é um país 
em vias de extinção 

João Luís Barreto Guimarães, in 'Este Lado para Cima' 

20161026

Aldrabas, Batentes e Portas de Viseu


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Porta de ferro, com batente branco e auto-retrato

Impressão digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão  In Movimento Perpétuo (1956)

20161010

Outono


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A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

20160930

Recordando os Comboios de Viseu


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Mais Apitam ... que transitam

"Vale do Vouga" e o "Nacional"
São no nosso Portugal
Dois brinquedos de museu:
Ferrugentos, alquebrados,
Por mal dos nossos pecados,
A vergonha de Viseu!

De Santa com e de Espinho
Ronceiros, pelo caminho,
Vêm eles, chape, chape!
Arfando, todos cansados,
A expulsar aos bocados
Seus bofes pelo escape!

O coleante perfil
Estende-se, em curvas mil.
Em aspectos de cascata...
É bonita a Natureza,
Há conforto... na certeza
Que o andamento não mata

Seu trajecto é demorado,
Pois, velhinho e já cansado
Deve sofrer de lesão...
Largando fumos e cheiros
Vai queimando os passageiros
Com faúlhas de carvão!

(...)

Chaca, checa, choca, chuca,
Fica a cabeça maluca.
Anda tudo à nossa roda.
Garantem, coca-bichinhos,
Que leram em pergaminhos
Que há cem anos já foi moda!

Alerta, Viseu, alerta!
Põe depressa a porta aberta
Do teu Museu tão cotado:
Coloca lá a matraca,
Que, cá fora, dá barraca
Mas é, lá dentro, um achado

Adelino de Azevedo Pinto (Rijo) in "Retalhos dos Meus Trabalhos" (Recolha de 50 anos de quadras populares, sonetos e outros poemas), Viseu, 1985

Na ilustração algumas imagens de depósitos de água, para abastecer as caldeiras das locomotivas a vapor, retirados da demolida estação dos caminhos-de-ferro de Viseu, "armazenados" no depósito de sucata da câmara municipal, antigas instalações da Cooperativa Agrícola dos Fruticultores da Beira Alta (Estrada de Nelas). Compare com as fotos obtidas em 23 de Novembro de 2011.

20160921

"Um Tormento Ferrugento"


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A nossa airosa cidade
Na super-fatalidade
Dos transporte em carris,
É, sem favor, com certeza,
A região portuguesa
Ferrugenta e infeliz!...

(...)

Os horários com H
É coisa que aqui não há,
Pois as pobres maquinetas
Velhinhas, tristes, cansadas,
Bufam todas esfalfadas
As sua queixas jarretas!...

Os bancos de pau de pinho
Tratam com pouco carinho
As almofadas... traseiras...
Acho que só cabem culpas
A quem, por ordens estultas
Fez "segundas" das "terceiras"!

Quando não pára ou desanda,
Às vezes, finge que anda
Mas dá pulos de cabrito!
O muito esforço que faz
Não deixa ninguém em paz
Co'as estridências do apito!

(...)

São tão pouco sedutoras
As mini-automotoras
Que quem nelas viajar
Aos pulos, saracoteios,
Conhece todos os meios
De deitar, a carga ao mar!...

P'ra brinquedo de arraial!
Mas festas de Portugal!
Talvez tenha utilidade...
E passaria um tormento
A ser um divertimento
De imensa hilariedade!...

Na era dos foguetões
Temos todas as razões
Para mostrar nossa dor
De se manter a rotina
Dos transportes cá p'ra cima
Com esguichos de vapor!!!

"Retalhos dos Meus Trabalhos" de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), Viseu 1985

Enquanto esperamos pelo novo comboio, é bom recordar as ronçeiras locomotivas a vapor e as desconfortáveis carruagens que foram substituídas pelas balouçantes automotoras e mais tarde, depois de encerradas as linhas do Vale do Dão e do Vouga, pelos autocarros que também acabaram por levar sumiço.

20160917

"Retalhos dos Meus Trabalhos"


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"Quem faz versos não é velho: a poesia vem da alma e a alma não tem rugas!..."
"Retalhos dos Meus Trabalhos" de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), Viseu 1985

"A feira Franca acabou"


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RAPAZES TOMAI CAUTELA

A feira Franca acabou
E creio bem que deixou
A todos boa impressão.
Burros venderam-se aos centos,
Em mulheres p'ra bons intentos
Houve pouca transacção...

À noite, no "picadeiro",
Certo menino matreiro
Das fortunas indagou
Créditos todos falidos,
Mulheres com teres pr'òs vestidos
Nem uma só encontrou!...

Com esta vida tão cara
Só quem tiver grande tara
Se deixa ir no embrulho...
Lá diz um velho rifão
Que nunca cessa o barulho.

Meninas dos tempos de hoje
Vede como um homem foge
De vos pedir ao papá.
Escusais fingir riquezas
Sentando-vos numa mesa
Do tal "Pavilhão do Chá"...

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p'ra tias
E as Feiras hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...

Retirado com a devida vénia dos "Retalhos dos meus Trabalhos" - Viseu, Dezembro de 1985

20160823

"Rapazes Tomai Cautela..."


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(...)

À noite, no "picadeiro",
Certo menino matreiro
Das fortunas indagou.
Créditos todos falidos,
Mulheres com teres p´ròs vestidos
Nem uma só encontrou!...

Com esta vida tão cara
Só quem tiver grande tara
Se deixa ir no embrulho...
Numa casa sem ter pão
Lá diz um velho refrão
Que nunca cessa o barulho.

Meninas dos tempos de hoje
Vede como um homem foge
De vos pedir ao papá.
Escusais fingir riqueza
Sentando-vos numa mesa
Do tal "Pavilhão de Chã"....

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p´ra tias
E as Feira hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...


20160818

Encontrei na Rua Serpa Pinto


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"Mamãe Eu Quero"
(Marchinha de Carnaval)
JARARACA e V. PAIVA


Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero
Mamãe, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero
Mamãe, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Dorme, filhinho do meu coração
Pega a mamadeira e vem entrar no meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero
Mamãe, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero
Mamãe, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

20160812

"Z & S"


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"VIZEU", Bilhete Postal Ilustrado, A. Editora, nº 9 . 1ª Série, Arte de Alberto Sousa
Não circulado datável dos primeiros anos do século XX (anterior a 1910/República)

Z & S

Ou a guerra do Alecrim e Mangerôna

Alecrim que, aliás, é
Mestre na especialidade,
Sustenta, não sei porquê,
Que o nome desta cidade
Se deve escrever com Z.

Mangerôna que parece
Saber, por egual, da poda,
Mostra ao contrário, interesse
Em fazer vingar a moda
De escrever Viseu – com S.

Questão de lana caprina
Que apaixonou , todavia,
Muita gente que imagina
Pescar da regedoria...
Sem perceber patavina...

Alecrim e Mangerôna
Discutem serenamente:
Mas se o raio da sanfôna
Desafina... fatalmente
Teremos grossa tapôna...

Porque alguns dos radicais
Já andam pregando ás massas
Que as questões gramaticais
São invenções dos talassas...
Embrulhando a coisa mais.

O que, em verdade, acho mau:
Pois, se intervém na questão,
Gente de faca e calhau...
Os Córvos da Reacção
Serão quem pagam o patau...

Enfim, parece iminente
Tormenta que bom seria
Conjurar rapidamente:
Decretando uma grafia
Imparcial, coherente.

Eu, se o Congresso Beirão
Quizer descalçar a bota,
Lembro-lhe esta solução.
A meu vêr tão patriota
Como cheia de rasão:
Voltar ao Vijeu com Jota,
Reatar a tradição...

S.M.

Publicado no “Comércio de Viseu” nº 22, de Maio de 1921
S.M. - Pseudónimo de Hipólito Vasconcelos Maia