EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20180423

Porta da Srª do Postigo


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Os vestígios da “Porta da Srª do Postigo” ou da “Senhora das Angústias”, também conhecida como “Porta da Traição” estão situados no cruzamento da Calçada de São Mateus  (antiga Rua da Cal), com a Rua de Silva Gaio e a Rua dos Loureiros. Esta era uma das sete portas da muralha afonsina que circundava a cidade de Viseu. Cinco portas e a maior parte das muralhas foram demolidas, por ordem da câmara municipal em 1844, neste caso apenas sobrou um pedaço do muro mas ainda é visível do lado direito o arranque do arco e os degraus de granito que permitiam subir até ao “caminho da ronda”. Bem perto existiu a gafaria e uma capela dedicada S. Lázaro, o patrono dos leprosos, demolida em 1815.
A construção desta muralha foi infelizmente muito tardia. A velha cerca não evitou o assalto à cidade por quatro vezes por forças invasoras castelhanas, com especial violência em 1372. Os moradores encontravam alguma protecção no interior da Sé, ou na Cava de Viriato, porque não existia castelo ou fortaleza segura. Foi por esse motivo que o Infante D. Henrique, 1º Duque de Viseu, autorizou o fecho de algumas ruas e o emparedamento de portas de casa para diminuir a vulnerabilidade da cidade.
Os Procuradores de Viseu às Cortes de Lisboa de 1439 solicitaram a construção de uma nova cerca para substituir “os muros velhos”. Porém, apenas em 1472, no reinado de D. Afonso V, terminaram os trabalhos que não foram concluídos porque a muralha nunca teve ameias.
O nome da porta advém da existência de um nicho no qual estava colocada uma imagem em pedra de Ançã representando a Virgem Maria, sentada com Cristo morto no regaço, que actualmente se encontra no  Museu Grão Vasco. Já o nome de “Porta da Traição”, que geralmente existia em todos os castelos e fortalezas medievais, indica que essa porta poderia servir para a uma eventual fuga precipitada e furtiva em caso de necessidade.

20160728

Novidades na Rua Formosa


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Quase que apetecia dizer que "Há males que vêm por bem", mas não posso aceitar essa afirmação porque nada justifica actos de vandalismo, como o ocorrido na Rua Formosa, durante o fim-de-semana de 16/17, cujo alvo foi uma das placas informativas do troço de uma antiga muralha da cidade que foi musealizado e terá apressado a substituição de uma das placas de vidro, esmilhada e a exigir substituição há meses!

20160723

Novidades na Rua Formosa


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A floreira já tem as respectivas flores, agora é aguardar para contar o tempo que irá demorar a substituição do vidro da estação arqueológica romana, porque já por diversas vezes as fitas desapareceram e o vidro continuou esmilhado.

20160722

Novidades na Rua Formosa


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Ontem ao cair da noite reparei que a tabuleta vandalizada na Rua Formosa, "Muralha e torreão romanos", foi substituída por uma floreira de ferro fundido que em breve terá as respectivas flores. A fita sinalizadora pretenderá impedir a passagem sobre um painel de vidro que estará à beira de uma possível desagregação. Já por várias vezes, nos últimos meses, foi sinalizada a anomalia mas ainda não foi resolvida. Será um caso de excesso de zelo, ou existe mesmo algum perigo para os transeuntes?

20160422

A Muralha de Viseu e o Vinho



A construção da muralha de Viseu teve início no reinado de D. João I e foi tema nas cortes de Lisboa de 1412.

”(…) que os da cidade e dos povos até duas léguas em redor servissem na obra da cerca, que então se andava construindo, não seis dias continuados em cada seis meses, mas um dia em cada mês, ficando os moradores do termo com dantes a servirem os ditos seis dias em cada seis meses, consecutivamente; que nem Lopo Fernandes nem outro qualquer obrigasse os moradores da cidade, quando abrissem algum tonel de vinho para vender, a ir leva-lo à obra, porque nem todos tinham servidores e criados que ali o levassem, e outros não tinham quem o vendesse senão mulheres, e não era justo e decente que elas ali fossem, obrigando-se os moradores da cidade a prover homem que tivesse continuamente taberna aberta na dita obra e bom vinho e aguisado e pelo preço da cidade”.

ARAGÂO, Maximiano Pereira da Fonseca em – “Vizeu: Apontamentos históricos”. Viseu: Typographia Popular, 1894.P.131, citado por CASTILHO, Liliana em “A cidade de Viseu nos Séculos XVII e XVIII/Arquitetura e Urbanismo/Vol, I”, Tese de Doutoramento em História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2012

Ilustração:
Bilhete Postal Ilustrado, Editor desconhecido, com indicação do vendedor/Confeitaria Santa Ritta – Vizeu, não circulado, datável dos primeiros anos da república. 
“VIZEU – 10
ARCO DOS MELLOS
Das sete portas da cidade acabadas de construir com a muralha em 1472 apenas existem esta e a denominada do Arco, ao fundo da Rua dos Cavalleiros. Ao lado, na face externa está a imagem de Santo António e na interna a de S. Borja advogado e padroeiro do reino contra os terramotos. Na face externa existem tres letreiros. O mais antigo, quasi apagado diz quando se construíram muros e portas. O imediato no tempo, a escolha da Mãe de Deus para padroeira do reino e a defeza da sua immaculada concepção, no tempo de D. João IV. O mais moderno refere-se ao governo das armas da Beira, de D. Sancho Manuel.”

20160309

Muralha Afonsina de Viseu



As imagens mostram alguns aspectos de vestígios de um muro antigo que deverá ter pertencido à muralha afonsina de Viseu (1472 - D. Afonso V), existente num terreno propriedade municipal que continua a ser utilizado como parque de estacionamento, embora tenha sido intenção da edilidade, urbanizar o espaço, criar uma nova praça e abrir uma ligação à Rua Direita, através da Viela da Carqueja. Este muro pertenceria à cerca que ligava a Porta de São Sebastião (junto da sacristia da Igreja de Santo António) e a Porta de São Miguel ou da Regueira (Rua do Gonçalinho) e não se encontra classificado,

20150319

A Casa Senhorial dos Lemos e Sousa




A "Casa Senhorial dos Lemos e Sousa" foi muito provavelmente construída nos princípios do século XVII, segundo o gosto maneirista. Edificada em parte sobre a muralha da cidade - o alçado virado para o Largo de Santa Cristina, onde foi aberta uma janela, a construção restaurada tem planta irregular e longitudinal de alçados sóbrios, fachada corrida e simples com telhado de três águas. A entrada faz-se pela Rua do Carmo, a antiga Rua da Carvoeira, através de uma singela mas elegante escadaria em granito e balcão que permite aceder ao primeiro andar da casa. Possui ainda um pequeno jardim murado de forma triangular.
A imagem mostra quatro janelas de sacada assentes em  cachorros ao nível do passadiço da ronda da muralha da cidade, cuja construção se iniciou no reinado de D. João I e nunca foi acabada, uma vez que as obras cessaram em 1472, no reinado do seu neto D. Afonso V e ficaram a faltar as ameias.
Era neste local que se situava a "Porta do Senhor Crucificado", também conhecida como "Porta de Santa Cristina" de que ainda são visivéis vestígios (um nicho vazio e parte do arco). Esta porta foi uma das cinco portas (a muralha afonsina possuia sete) que a câmara municipal mandou demolir no século XIX, com a justificação de modernizar a cidade.
Classificado como Imóvel de Interesse Público, Decreto nº. 41 191, DG 162 de 18 Julho 1957.

20080402

O Parque de Estacionamento e o Muro



Este pedaço de muro existe num terreno que é património municipal e vem sendo usado como parque de estacionamento. Localiza-se na Rua Capitão Silva Pereira, junto da rotunda de Santo António, e faz parte dos vestígios da cerca afonsina da cidade cuja construção se terá iniciado no reinado de D. João I (1385-1433) e apenas foi concluída em 1472 já no reinado de D. Afonso V. Concluída é um modo de dizer porque na verdade nunca teve ameias.
Será a existência deste velho muro o impedimento para que aqui não seja construído um parque para automóveis que poderia ter três pisos e várias caves? Deste modo não se evitaria ter de impedir o trânsito no Largo Mouzinho de Albuquerque a na Avenida Emídio Navarro com incómodos para os cidadãos e prejuízos para os comerciantes uma vez que as obras se prolongarão por muitos meses ou até anos.

20071111

Azulejos de Viseu



Azulejos pintados por Licínio e Pereira (E.L.A. Aveiro) 1930. Vivenda na Avenida José Relvas - Fontelo

A Porta do Soar é também conhecida por Arco ou Porta dos Melos e fazia parte da muralha afonsina, uma construção iniciada em 1412, no reinado de D. João I mas que por dificuldades financeiras só foi concluída no reinado de D. Afonso V - 1472. Esta cerca com cerca 1.450 metros tinha sete portas das quais apenas chegaram até aos nossos dias esta porta e a Porta dos Cavaleiros. A porta tem um arco ogival e dois nichos, um em honra de Santo António e do lado exterior São Francisco de Bórgia. A porta é encimada pelo lado exterior pelas armas de D. João IV e por uma placa em granito, idêntica à existente na Porta dos Cavaleiros, consagrando Portugal a Nossa Senhora da Conceição e ali colocada em 1646. Na velha porta está encostada a Casa do Conde de Santa Eulália, mais conhecida por Palácio dos Melos uma casa senhorial até há pouco em ruínas e que foi transformada em unidade hoteleira.
É considerada um Monumento Nacional - Decreto nº 2165, de 31 de Dezembro de 1915.

20071022

Azulejos de Viseu - Porta Cavaleiros



Azulejos pintados por Licínio e Pereira (E.L.A. Aveiro) 1930 em vivenda na Avenida José Relvas - Fontelo

A Porta dos Cavaleiros era a uma das sete portas da muralha que no reinado de D. Afonso V (décimo terceiro rei de Portugal de 1438 a 1481) foi remodelada e defendia a cidade. A porta encontra-se encostada à Casa dos Albuquerques, Casa dos Fidalgos do Arco, actualmente ocupada pela Escola Secundária Emído Navarro com a qual o passeio da guarda comunica.
A porta tem dois nichos um com uma imagem de madeira, cada vez mais deteriorada de São João Baptista, era por essa porta que saiam e entravam as Cavalhadas de Vildemoinhos e um outro dedicado a Nossa Senhora da Graça, com uma imagem em pedra lavrada datada dos finais do século XVI. A porta possui uma placa de granito com uma inscrição em latim idêntica à existente na Porta do Soar, com data de 1646, evocativa da consagração de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, por D. João IV à época da Restauração de Independência. Esta porta e os restos da muralha são Monumento Nacional desde 1915.

Escrito com a ajuda de "Monumentalidade Visiense"