EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20160728

Novidades na Rua Formosa


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Quase que apetecia dizer que "Há males que vêm por bem", mas não posso aceitar essa afirmação porque nada justifica actos de vandalismo, como o ocorrido na Rua Formosa, durante o fim-de-semana de 16/17, cujo alvo foi uma das placas informativas do troço de uma antiga muralha da cidade que foi musealizado e terá apressado a substituição de uma das placas de vidro, esmilhada e a exigir substituição há meses!

20160723

Novidades na Rua Formosa


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A floreira já tem as respectivas flores, agora é aguardar para contar o tempo que irá demorar a substituição do vidro da estação arqueológica romana, porque já por diversas vezes as fitas desapareceram e o vidro continuou esmilhado.

20160613

A Propósito de Segredos...



Porque será que a página turística "VISITVISEU" continua a enganar os visitantes e a ilustrar com uma moeda romana,  a existência de umas "Ruínas Arqueológicas da Praça D. Duarte" que depois de estudadas, foram de novo enterradas. Perante este texto é natural pensar que existe um sítio arqueológico visitável. Uma vez que da placa informativa só resta o suporte é provável que os turistas nem sequer reparem que uma representação do edifícios encontrados foi executada na calçada, aliás em parte está coberta com areia. Parece-me que 1 ano, o tempo que terá demorado a construção da página, não foi suficiente e vários erros básicos, continuam por solucionar. Neste caso esteve muito mal a "VISEUMARCA".

20160302

"Cava de Viriato"



CAVA DE VIRIATO
A HISTÓRIA E O MITO

Não é difícil colar a imaginação à História. Se essa mesma imaginação estiver imbuída de uma intenção clara e propositada, então acaba por ser assimilada como verdade histórica. Foi o que aconteceu com o monumento conhecido como “Cava de Viriato” que apenas começou assim a ser denominada a partir do séc. XVI. Era uma época em que havia uma necessidade enorme de afirmação da identidade nacional que veio a ser consubstanciada anos mais tarde com a Restauração. Os heróis da Restauração foram comparados aos Lusitanos e ao seu mítico chefe é então atribuído o maior monumento de Portugal.
Até então este monumento era referenciado como “cava” tendo havido ao longo da história dezenas de autores que lhe fizeram referência. As interpretações foram as mais variadas, desde circo a grande curral, havendo, no entanto, unanimidade em conferir-lhe a função de acampamento militar da época romana.
Hoje, fruto das investigações que têm sido efectuadas nos últimos anos, podemos afirmar com alguma certeza que a Cava de Viriato deve corresponder a uma cidade-acampamento de época islâmica, seja da conquista do séc. VIII ou do período de Almansor.
Se até aqui a importância deste monumento era por ser um dos poucos acampamentos romanos do país, agora, como cidade-acampamento islâmica, a Cava de Viriato assume um relevo acrescido, não havendo paralelo tão bem conservado conhecido no resto da Europa.

Informação existente na placa colocada junto ao "Monumento a Viriato" da responsabilidade da "ArqueHoje, Lda." (2010), empresa que acompanhou os trabalhos de "requalificação paisagística", segundo projecto da autoria do Arquitecto Gonçalo Byrne, finalizados em 2009.
Texto publicado em 20 de Março de 2010, cujas fotos foram "embargadas" por energúmenos.

20160127

"Vissaium, o Espírito do Lugar" (Viseu)


"Vissaium, o Espírito do Lugar", Editor Arquehoje, Lda., Viseu 2009

No passado Sábado fui à FNAC do Palácio do Gelo assistir à iniciativa "Rock Tour" para ver uma ara, um altar votivo Lusitano-Romano, descoberta perto do cruzamento da Travessa da Misericórdia com a Rua Silva Gaio, durante a execução das obras destinadas à instalação dum funicular, elevador sobre carris que em breve irá permitir ligar o Campo de Viriato e as proximidades da Sé Catedral (topo da Calçada de Viriato junto da Casa do Adro). Há poucos dias em visita à exposição "Religiões da Lusitânia" no Museu Nacional de Arqueologia, tive oportunidade de ver várias aras mas esta reveste-se de especial interesse porque permitirá conhecer o nome dos habitantes do lugar, cinco séculos mais tarde conhecido por Veseo. A tradução proposta por Luís Fernandes para a inscrição no granito de grão fino, uma obra de cantaria bem executada, com as dimensões 101 x 43,5 x 34,5 cm, composta por três elementos: capitel, fuste e base, é a seguinte:
Ás deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.
A julgar pela forma das letras e de acordo com o mesmo especialista o monumento votivo datará possivelmente do séc. I. Assim sendo o nome da urbe seria Vissaium que muito facilmente se transformou em Veseo e mais tarde em Vizeu e Viseu. Deste modo foi possível recuar cinco séculos pois a forma Veseo era conhecida por constar em documentos autênticos do séc. VI. O arqueólogo Pedro Sobral de Carvalho tem razões para estar contente pois há mais de vinte anos acalentava e esperança de encontrar um achado deste tipo. Depois de pessoalmente ter felicitado o Pedro pela descoberta que teve o gesto bonito de considerar ter sido um trabalho de toda a sua equipa, desejo deixar uma sugestão que espero seja bem acolhida pelos responsáveis. Nos últimos anos foram realizadas muitas escavações arqueológicas que certamente deixaram a descoberto novas peças de um imenso puzzle que é o conhecimento do passado da nossa cidade. Neste caso os trabalhos arqueológicos permitiram recolher dados sobre a ocupação do morro da Sé iniciada no séc. IV a.C., em plena Idade do Ferro, permitindo recuar bastante a história local e validando a hipótese, há muito discutida, da existência de um castro naquele lugar.
O acompanhamento dos trabalhos de construção e reabilitação na zona histórica é legalmente obrigatório mas lamentavelmente a divulgação dos resultados, bem sei que os achados precisam de ser inventariados, datados e estudados, fica registada apenas nas actas dos congressos e nas folhas de publicações especializadas, não chegando a um público mais alargado. As peças, verdadeiras testemunhas mudas, continuam esquecidas nas prateleiras dos armazéns, confiadas à guarda dos arqueólogos porque continua a faltar na cidade um museu onde esses objectos possam ser apreciados em contexto.

Republicação de artigo (vandalizado) de 30 de Junho de 2009

20130126

José Coelho - Colecção Arqueológica


A Colecção Arqueológica do Dr. José Coelho [saber +] está finalmente acessível ao público na restaurada Casa do Miradouro, no Largo António José Pereira [saber +]

20130121

Viseu no "Dicionário de Arqueologia"


Viseu – Foi, na época romana, capital de civitas (mais do que provavelmente, dos Interamnienses). As dúvidas que, durante muito tempo, subsistiram quanto à ocupação proto-histórica do sítio e quanto ao seu nome acham-se hoje resolvidas. Os  vestígios proto-históricos encontrados em escavações recentes provam que o lugar foi ocupado na Idade do Ferro. Uma inscrição votiva achada em 2009 revelou o nome, Vissaium * – o qual, através da forma Veseo, atestada pelo Parochial Suevum, deu origem ao actual Viseu. (…)
A cidade foi sede episcopal na época suévica e a cabeceira da basílica paleocristã foi recuperada em escavações no largo de D. Duarte. Cunhou moeda na época visigótica. A famosa Cava de Viriato, que durante muito tempo passou por acampamento da época romana republicana está hoje confirmado como acampamento do séc. IX, ou mais provavelmente, do X, de inspiração muçulmana. Pode discutir-se se foi construída pelo famoso Almançor, que, em 997, partiu daqui para o ataque a Santiago de Compostela, ou por Ramiro II, que teve residência em Viseu entre 996 e 931, antes de ser aclamado rei de Leão. No interior da Cava, a fotografia aérea revelou, porém, o que parece ter sido um acampamento romano de época republicana. Viseu, reconquistada por em 1058 por Fernando Magno, voltou a recuperar importância no tempo dos condes D. Henrique e D. Teresa, e a tese de que aqui nasceu D. Afonso Henriques, sustentada por Almeida Fernandes, tem hoje muitos seguidores. (PEDRO e VAZ 1995; VAZ e CARVALHO 2009; CARVALHO e FERNANDES 2009.[J.A.]

Extraído do verbete relativo a “Viseu”, no “Dicionário de Arqueologia Portuguesa” – Coordenação geral de Jorge de Alarcão e Mário Barroca, Editora Figueirinhas, Porto

* Vissaium  [saber +]

20111007

A "Casa da Via Sacra" - Dr. José Coelho


A “Casa da Via Sacra” que pertenceu ao Dr. José Coelho foi conhecida por “Casa das Freiras”, por nela terem habitado as religiosas que trabalhavam no antigo “Asilo da Viscondessa de São Caetano”. A edificação apenas com um piso é bastante banal e remonta aos inícios do século XX, de assinalar apenas um “invulgar" torreão ameado que faz parte de um anexo em ruínas, existente nas traseiras do edifício.
O Dr. José Coelho nasceu em 5 de Maio de 1887, em Travassós de Cima, na freguesia de Rio de Loba. Filho de António Coelho e Esperança de Jesus frequentou o Liceu de Viseu e concluiu a licenciatura em Ciências Históricas e Geográficas, na Universidade de Lisboa.
Foi professor e reitor do Liceu que durante o seu reitorado se transferiu do “Paço dos Três Escalões” (actual Museu Grão Vasco) para o “Colégio do Sacré-Coeur” (actual Escola Superior de Educação).
Além da sua actividade no ensino fez diversos trabalhos de investigação arqueológica, de salientar o estudo do monumento megalítico conhecido por “Anta Mamaltar do Vale das Fachas” [ligação], na freguesia de Rio de Loba. Grande entusiasta e estudioso acabou por reunir um grande espólio de artefactos arqueológicos que os seus filhos decidiram doar para que fosse exposto num futuro museu da cidade.
Faleceu em 7 de Abril de 1977, na sua casa na Via Sacra, no centenário do seu nascimento a edilidade resolveu atribuir o seu nome à rua fronteira e foi colocado um busto de bronze, da autoria de Armindo Ribeiro [ligação], no jardim.
Saber + [ligação]
Fonte principal: "Monumentalidade Visiense", Júlio Cruz e Jorge Braga da Costa [ligação]

20110504



(...) "Como compreender o estabelecimento de uma civitas, sem uma caput? Como compreender, acrescentamos nós, que um ponto fulcral de cruzamento de estradas romanas, onde inclusivamente se iniciava a contagem das milhas, não fosse uma cidade importante para os romanos? Continuamos a ignorar quase completamente o que seria a povoação que aqui se situava. Desconhecemos o próprio nome. (...)
(…) Sendo assim, na época romana o nome não deveria andar longe do nome actual, podendo ser o mesmo que aparece no Cronicon Silense, Castrum Vesensis ou Castellum Vesensis.
Não sabemos, pois, qual era o nome actual da cidade e só a arqueologia o poderá esclarecer, se algum dia tivermos a felicidade de aparecer alguma lápide que contenha o nome gravado."

In "Roteiro Arqueológico da Região de Turismo Dão Lafões" de Ivone Pedro, João L. Inês Vaz e Jorge Adolfo, Viseu - 1994

Felizmente durante os trabalhos para a instalação do funicular junto da Travessa da Misericórdia, perto da Sé, foi encontrada uma ara de granito (altar onde ardia o fogo sagrado e se faziam orações), mandada fazer por homem de nome Albinus, com cerca de 1,40 m e datada do século I d.C, com uma inscrição em latim influenciado pelas línguas locais, onde se invocam "as deusas e deuses dos vissaieici", segundo o arqueólogo Pedro Soveral seria este o nome do povo que habitaria o morro e portanto o nome da localidade seria "Vissaium" segundo o epigrafista Luís Fernandes [ligação].


P.S.- Bem-haja ao amigo João Correia que me ofereceu o livro.

20090630

"Vissaium" - Viseu


Capa da publicação da Arquehoje, Lda., editada em Viseu 2009

No passado Sábado fui à FNAC do Palácio do Gelo assistir à iniciativa "Rock Tour" para ver uma ara, um altar votivo Lusitano-Romano, descoberta perto do cruzamento da Travessa da Misericórdia com a Rua Silva Gaio, durante a execução das obras destinadas à instalação dum funicular, elevador sobre carris que em breve irá permitir ligar o Campo de Viriato e as proximidades da Sé Catedral (topo da Calçada de Viriato junto da Casa do Adro). Há poucos dias em visita à exposição "Religiões da Lusitânia" no Museu Nacional de Arqueologia [ligação] tive oportunidade de ver várias aras mas esta reveste-se de especial interesse porque permitirá conhecer o nome dos habitantes do lugar, cinco séculos mais tarde conhecido por Veseo. A tradução proposta por Luís Fernandes para a inscrição no granito de grão fino, uma obra de cantaria bem executada, com as dimensões 101 x 43,5 x 34,5 cm, composta por três elementos: capitel, fuste e base, é a seguinte:
Ás deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.
A julgar pela forma das letras e de acordo com o mesmo especialista o monumento votivo datará possivelmente do séc. I. Assim sendo o nome da urbe seria Vissaium que muito facilmente se transformou em Veseo e mais tarde em Vizeu e Viseu. Deste modo foi possível recuar cinco séculos pois a forma Veseo era conhecida por constar em documentos autênticos do séc. VI. O arqueólogo Pedro Sobral de Carvalho tem razões para estar contente pois há mais de vinte anos acalentava e esperança de encontrar um achado deste tipo. Depois de pessoalmente ter felicitado o Pedro pela descoberta que teve o gesto bonito de considerar ter sido um trabalho de toda a sua equipa, desejo deixar uma sugestão que espero seja bem acolhida pelos responsáveis. Nos últimos anos foram realizadas muitas escavações arqueológicas que certamente deixaram a descoberto novas peças de um imenso puzzle que é o conhecimento do passado da nossa cidade. Neste caso os trabalhos arqueológicos permitiram recolher dados sobre a ocupação do morro da Sé iniciada no séc. IV a.C., em plena Idade do Ferro, permitindo recuar bastante a história local e validando a hipótese, há muito discutida, da existência de um castro naquele lugar.
O acompanhamento dos trabalhos de construção e reabilitação na zona histórica é legalmente obrigatório mas lamentavelmente a divulgação dos resultados, bem sei que os achados precisam de ser inventariados, datados e estudados, fica registada apenas nas actas dos congressos e nas folhas de publicações especializadas, não chegando a um público mais alargado. As peças, verdadeiras testemunhas mudas, continuam esquecidas nas prateleiras dos armazéns, confiadas à guarda dos arqueólogos porque continua a faltar na cidade um museu onde esses objectos possam ser apreciados em contexto.

20070311

A Citânia da Raposeira



"A Nordeste da Cidade de Mangualde encontra-se a mais importante estação arqueológica romana do Concelho. Trata-se de um povoado a que se deu o nome de Citânia da Raposeira". (...) [NEOARQUEO - Ligação]

P.S. - Aproveite e visite este muito interessante Blogue do nosso vizinho - António Tavares da Abrunhosa do Mato, Mangualde.

Ruínas Lusitano -Romanas, Mangualde - Raposeira