EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20181205

1.250.000 Visitas - Bem-Hajam


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"Viseu, Fotos do AJ" já recebeu mais de 1.250.000 visitas e por esse motivo aqui fica o meu
Bem-Hajam 

AJ

20180801

Aviso à "Navegação"


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Voltaremos depois do regresso de férias! Gratos por toda à vossa atenção e boas férias para todos os amigos e visitantes.

AJ


20180419

Brincando com o "Viriato"


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Inacreditável! se não tivesse visto pensaria que não era verdade...
Em Viseu na "Melhor Cidade para Viver", "Cidade-Jardim", "Cidade Vinhateira do Dão", o "Monumento a Viriato" o maior ícone de Viseu encontra-se "INTERDITO AO PÚBLICO"! O Dr. Jorge Sobrado, actual Vereador da Cultura e do Turismo, lembrou-se de acrescentar o título de "Cidade de Eventos" mas a organização de uma "Corrida de Obstáculos", por iniciativa de uma associação de agente da polícia, não deveria estar autorizada a montar uma "geringonça", com paus de vassoura e cordéis, à volta do monumento, impeditiva da fruição livre do conjunto escultórico de Mariano Benlliure (1940), junto ao qual tantos visitantes gostam de ser fotografados porque por mais campanhas de markenting que engendrem, Viseu continuará a ser a "Cidade de Viriato", embora não haja certeza de ele por aqui ter passado.

A Falcata Ibérica


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Falcata Ibérica - "Monumento a Viriato" de Mariano Benlliure (1940)

(…) “Foi, talvez, a mais emblemática e eficaz arma dos Lusitanos e aquela que mais “dores de cabeça” causou às hostes romanas. 
Não se sabe a origem da falcata na Ibéria. (…) Enquanto os legionários romanos utilizavam o gládio quase sempre de ponta, a falcata nunca era usada para espetar, mas para actuar de gume. (…) 
De uma maneira geral o gume da falcata localizava-se (ao contrário dos sabres) no interior da curva. Daí a sua espectacular eficácia. Mais, muitos fabricantes tentavam aumentar a sua eficácia afiando também o lado contrário ao gume. 
Assim, a falcata ficava a possuir dois gumes e podia ser utilizada em direcções contrárias. (…)
(…) Quando o pretor P. Carisius ordenou a cunhagem de denários em Emérita Augusta, para celebrar a sua vitória sobre os Cantabri, em 22 a. C., mandou gravar na face da moeda uma falcata e uma caetra [1] – as armas dos vencidos.” (…) 



1 – Pequeno escudo circular ( 30 a 60 cm) feito de madeira cortada e unida com peças de ferro, tinha muitas vezes uma bossa metálica ao centro que escondia a empunhadura e protegia a mão do guerreiro. Era muito usado pela infantaria ligeira, tinha presa uma correia de cabedal que servia para transportar o escudo ao pescoço. Durante o combate a correia permitia fixar o escudo ao antebraço, com firmeza, possibilitando o seu uso com arma de ataque. (AJ)

20180411

Novidades da "Cava de Viriato"


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Alguns aspectos do Monumento da Viriato, de Mariano Benlliure 1940, e dos novos acessos ao talude da "Cava de Viriato", semelhantes a caminhos de cabras. 


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Finalmente e depois de vários anos de desleixo/preguiça a câmara municipal resolveu retirar a vedação utilizada durante a realização da feira anual de Viseu que desfeava o enquadramento paisagístico da "Cava de Viriato" e do Monumento a Viriato. Para evitar que os automóveis avancem para a vizinha Ecopista e para zonas pedonais, estão a ser colocados pilaretes metálicos idênticos aos que delimitam a Avenida Emídio Navarro e a via férrea do funicular. É caso para dizer que "Água mole em pedra dura...". 

20180115

"Cava de Viriato" por Jorge Adolfo


"Último episódio da 1ª temporada - Jorge Adolfo conta-nos a história do famoso guerreiro Viriato, o filho adoptivo de Viseu, numa viagem à Cava de Viriato para desvendar alguns dos mistérios de um dos locais mais emblemáticos da cidade". 

20180101

FELIZ ANO NOVO!


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Votos de Feliz Ano de 2018 para todos fregueses ou não, deste modesto estabelecimento que agradece a preferência.

Bem-hajam

AJ

20171201

Aviso à Navegação


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"Viseu, fotos do AJ" vai descansar e promete voltar em breve.
Bem-hajam

AJ

20171027

"Honrando" o Viriato


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Assim se honra o Viriato em Viseu...  Com gente desta, não há Sobrado que o salve!

20171005

Vândalos e Bruxos na Cava de Viriato


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A iluminação decorativa do Monumento a Viriato foi atacada por vândalos e bruxo, ou bruxa ? foi realizar um trabalhinho, com arroz, maçãs e flores nas costas do murete do conjunto escultórico, de finalidade desconhecida. mas que não deverá estar ligada ao semi-abandono da Cava de Viriato.

20170913

Memórias de Feira de São Mateus 2005


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Viriato no Monumento a Viriato de Mariano Benlliure (1940)

Viseu, 15 de Agosto de 2005


Ontem fui despertado pelo estrondo dos bombos dos Zés Pereira de Quintela de Orgens e vi que as luzes da Feira de São Mateus estavam acesas. Decidi ir ver as novidades. Desci do meu poleiro e como continuo às escuras... ninguém deu pela minha falta. Fui mudar de roupa, calcei umas sapatilhas confortavéis e fui ver a nova feira.
Na porta que ostenta o meu nome reparei que a decoração segue o muro e não está centrada com a entrada ou com a Avenida da Bélgica. Finalmente percebi a razão de ser do muro e da pala...
A decoração é graciosa e apresenta vários arcos curvos, com 5 estrelas muito azuis e de tamanhos variados. É encimada por uma representação de um sistema solar, com o astro central em 3D. Agradou-me bastante.
Vi depois uma rua central troço da Av. Emídio Navarro que irá ser rectificado quando a Feira acabar, devido às inúmeras reclamações e protestos dos mercadores e moradores. A iluminação pareceu-me pouco conseguida, é pobre e demasiado espaçada.
Deitei os olhos às novas barracas, pequenas e com telas de correr em material plastificado que me pareceram muito fragéis e muito pouco seguras. Logo de seguida tive a confirmação, um comerciante tenciona lá deixar, durante a noite, o seu cão para ficar de guarda à barraca.
Outra novidade é que este ano as barracas estão identificadas com o nome do comerciante ou expositor.
Reparei que o palco está de costas para a Rua da Ponte de Pau, ainda bem... vou poder regalar-me, de novo, com o Tony Carreira, já no dia 20!
Até 25 de Setembro vou ver e ouvir outros artistas, na maioria da chamada música “Pimba”! Aqui não houve novidade!
Ao passar junto palco vi um grupo que avançava na minha direcção, em passo estugado, fiquei assustado e afastei-me um pouco para não correr o risco de ser reconhecido. Reparei então que traziam fatos escuros e eram comandados pelo Senhor Dr. Ruas que acompanhava um ilustre ministro, o Senhor Ministro do Ambiente e de outras coisas, Prof. Dr. Francisco Carlos da Graça Nunes Correia e era acolitado pelo Senhor Jorge e Carvalho, da EXPOVIS e por diversos senhores vereadores da Casa Municipal e distintas autoridades civis e militares...
Dirigiam-se para às barracas das farturas e certamente foram refrescar-se e provar produtos de Viseu como: Farturas à moda de Lisboa, churros recheados e os deliciosos capuccinos ou cinbalinos! Boa!
No palco actuavam as “Cabacinhas de São Tiago”, com muito alegria e com uma tocata com instrumentos bem típicos - os acordeons !
Terminadas estas danças tive que me resguardar rapidamente, pois o “Trem Eléctrico”, da 67ª Volta a Portugal em bicicleta, fazia um barulho esnsurdecedor, mesmo para ouvidos de bronze. Lá no alto ainda vi, balançando-se , duas jovens loiras, demasiado magras e pálidas para o meu gosto...
Novidade é a instalação, o jogo de luz e formas, instalado à esquerda do palco. São vários tramos de arcos cruzados, de cor azul, o mesmo azul das estrelas da entrada. Também gostei.
As ruas são este ano espaçosas, mas com pouca luz. A nossa velha feira valia muito e era apreciada pela variedade e beleza da iluminação, que mudava de arruamento para arruamento. Agora toda essa beleza se foi e no seu lugar ficaram aqueles feios e cinzentos tubos em metal com 2 pequenas lâmpadas em cima.
Na nova zona dos restaurante e das tradicionais enguias, felizmente já não vemos as barracas de anos anteriores. A Feira parecia um bairro de lata em que faltavam condições de higiene e segurança.
Saí pela Porta de São Mateus para apreciar a entrada e fiquei siderado, então não é que colocaram sobre a entrada um “buraco negro”... felizmente não me aproximei demasiado.
Apercebi-me que o povo vinha apressado, com fome de Feira e entrava logo na primeira porta disponível, que no ano passado era apenas porta de serviço e ignorava a Porta de São Mateus.
Existe agora uma nova via que atravessa longitudinalmente toda a feira, desde São Mateus, passando pelo Pavilhão Multiusos e terminando na Porta do Sol Posto. Este arruamento pareceu-me igualmente com iluminação muito sóbria e repetindo, com pequena variação o tema da outra rua.
No pavilhão, onde o calor continua insuportável, montaram de novo “stands” nos corredores, diminuindo a segurança em caso de emergência.
No terreiro em frente ficam as diversões para miúdos e graúdos. Vi muita variedade e sobretudo espaço para passear e deslocar-se de modo seguro, o que não aconteceu no ano passado, em que tudo estava ao monte e motivou enorme críticas.
De costas para o Pavia e para o Forum ficaram as barracas das loiças onde vi velhos conhecidos, do tempo em que eu ficava, iluminado e dentro da Feira e os “cacos” eram vendidos aos meus pés.
Outra novidade são os pequenos veículos eléctricos, para deslocações de deficientes, de técnicos ou socorro no recinto. Vi funcionar o sistema! Um electricista montado num carrinho buzinava furiosamente e procurava romper pela multidão que se movimentava em sentido inverso. Os vistantes olhavam incrédulos e pareciam perguntar: Para onde vai este doido ?
Na Porta do Sol Poente, mais parece que o Sol está a nascer e o aspecto da entrada é muito mau. Dá ideia tratar-se da entrada para um curro! Desculpem mas sempre fui frontal !
Voltando para o meu poleiro e caminhando para a antiga Central Eléctrica, vi que o edifício, Museu da EDP, está encerrado, tem aspecto desleixado e os seus pátios e jardins estão sujos e maltratados.
Continuando o meu caminho entrei noutro mundo.... pareceu-me entrar num acampamento de bárbaros, como diziam os romanos. Decoração quase inexistente, pouca luz, barracas degradadas, toldos velhos, piso irregular. Vi uma feira lastimável, foi então que percebi a razão da nova entrada, aquela que o povo apressado usa! Mas que contraste, afinal a feira velha continua... apesar dos ares de modernidade.
Não vi a tradicional Feira do Artesanato, nem qualquer instalação sanitária. Como nos WC do Multiusos havia fila, em especial nos das senhoras, voltei para junto dos meus amigos e fui mijar atrás do cedro.
Sou de bronze mas, não sou burro !

Viriato

20170907

11º Aniversário


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"Viseu, Fotos do AJ" completa hoje 11 anos de publicação, depois de cerca de 13.000 mensagens e a aproximar-se de 1.090.000 visitas, desejo renovar a todos os visitantes, colaboradores e amigos o meu 

Bem-hajam

AJ

20170906

Assim se Respeitam os Heróis em Viseu


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Guerreiros lusitanos, pormenor do Monumento a Viriato de Mariano Benlliure (1940)


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Guerreiro lusitano, talvez Táutalo?

Táutalo o guerreiro escolhido para chefiar os lusitanos depois do assassinato de Viriato era um homem robusto, valente e sempre fiel que também usava a barba crescida como o chefe. Mariano Benlliure colocou-o sobre uma pedra que mais parece ser um degrau. O guerreiro encosta-se à rocha com o seu escudo e olha para cima. O pequeno escudo redondo, geralmente de madeira reforçada com metal e suspenso por correias de cabedal, era manejado com habilidade pelos lusitanos que também o usavam como arma de ataque temível. O guerreiro segurava um punhal na mão direita que há muito levou sumiço e olha para cima, como que a aguardar a ordem para atacar a "loba romana", atraída pelo chefe dos lusitanos, para uma armadilha mortal

20170827

"Viriato"


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"Viriato" de Mariano Benlliure (1940)

"NO ANO DE MIL NOVECENTOS E QUARENTA O POVO DESTA TERRA COMEMORA OS FEITOS DE VIRIATO"
"AQUI MERGULHAM AS RAÍZES DESTA RAÇA VIVA E FORTE - IMORTAL NA SUA ESSÊNCIA"
Inscrição existente nos muros do “Monumento a Viriato” de Mariano Benlliure, 1940

Nada mais falso que a pretensa existência da “raça” [portuguesa] que máquina de propaganda do Estado Novo, a designação oficial da ditadura salazarista alardeava como se pode ler nesta inscrição que poucos deverão conhecer, existente nos muros do “Monumento a Viriato” que antecedem um dos taludes da “Cava de Viriato”. A vontade de homenagear Viriato, com uma estátua foi expressa pela primeira vez pelo vereador Dr. José Coelho (Professor de História e arqueólogo amador) à Câmara Municipal de Viseu em 1914 e o monumento veio a ser inaugurado em 16 de Setembro de 1940. Repare-se na contradição - para fazer a exaltação da “raça portuguesa”, nada melhor que um escultor espanhol - Mariano Benlliure y Gil (Valencia 8 de Setembro de 1862 – Madrid, 9 de Novembro de 1947) que por ter uma grande amizade com o Capitão Almeida Moreira, ofereceu o seu trabalho à cidade. Mariano Benlliure nasceu no seio de uma família de artistas e veio para Portugal para fugir da Guerra Civil de Espanha (1936/1939) e restabelecer da doença que o apoquentava, porque a sua esposa Carmen Quevedo Pessanha tinha família em Viseu.
Os portugueses são uma mistura de muitos de povos que chegaram ao “fim-do-mundo”, ao grande oceano durante muitos milénios impossível de ultrapassar, e se instalaram deixando a sua herança genética e cultural. Povos vindos do continente africano, da Europa no Norte, Central, do Sul e da Ásia chegaram ao território que viria a ser Portugal por terra e pelo mar. Desde a pré-história não pararam de chegar até hoje – africanos, sul-americanos e gente do Leste da Europa e da China constituíram as mais recentes migrações. Durante o período da expansão portuguesa, conhecido por “Descobertas”, os portugueses conhecedores da ciência e técnicas da navegação científica mais avançada, levaram e trouxeram genes do continente americano, da Índia, da China e do Japão. Esse período pouco contribuiu para o desenvolvimento económico e social de Portugal porque o negócio era um monopólio da coroa que dissipou os ganhos obtidos e os intermediários que vinham a Lisboa, comprar as especiarias a Lisboa para revenda, ficavam com a maior parte do lucro e o contrabando florescia. Nos dois séculos seguintes holandeses e ingleses tomaram conta do negócio e aos portugueses sobrou o ouro do Brasil que em breve se esgotaria. Toda essa riqueza não contribuiu para modernizar o país e foi desperdiçada em vaidades e gastos sumptuários.
Navegadores, mercadores fenícios e cartagineses, originários do actual Líbano, dominavam o comércio marítimo e tornaram-se inimigos de Roma que além do comércio pretendia conquistar as terras mediterrânicas e do vizinho Atlântico. Foram três as “Guerras Púnicas” travadas no entre 264 a.C. e 146 a.C.., os cartagineses que saíram derrotados não pretendiam ser colonizadores, limitavam-se a criar entrepostos comerciais para realizarem os seus negócios mas os romanos ocupavam os territórios que transformavam em colónias e impunham a sua civilização, incluindo naturalmente a sua língua e deuses.
Os lusitanos constituíam uma população muito dispersa que vivia numa faixa de território entre os rios Douro e Tejo que se prolongava até ao sul da actual Estremadura espanhola, ocupando lugares altos e fortificados no cimo de montes ou outeiros. As suas casas eram feitas de pedras soltas e cobertas de colmo. Muito independentes, organizavam-se em tribos, cada aldeia obedecia ao seu chefe e apenas em caso de guerra, escolhiam por eleição um chefe militar a quem passavam a obedecer e entregavam as “virias” (braceletes de metal que podiam ser de ouro) – “Viriato” poderia indicar o homem portador da “virias”. A hipótese de Viriato ser natural dos Montes Hermínios (Serra da Estrela) e foi um simples pastor provavelmente não é verdadeira. Seria filho de um chefe tribal (Comínio) e veio a casar-se com a bela Tongina (ou Tangina), filha de um rico proprietário da Bética (Andaluzia) chamado Astolpas que se entendia bem com os invasores e cujo “dote”  rejeitou. Certamente terá guardado gado mas viveu e enfrentou os romanos mais para sul, numa vasta área que abrange os actuais Alentejos, Estremadura espanhola e Andaluzia. São várias as terras portuguesas que pretendem ter sido o lugar do nascimento de Viriato - Loriga, Sabugueiro, Folgosinho (todas na Serra da Estrela) e Cabanas de Viriato. Existem estátuas do chefe dos lusitanos em Viseu, Cabanas de Viriato, Folgosinho, Vila Viçosa, Lisboa (Arco da Rua Augusta). Em Espanha afirma-se que Viriato foi espanhol e existe em Zamora, uma notável estátua com a inscrição – “Viriato Terror dos Romanos”, do escultor Eduardo Barrón González (1903).
Os lusitanos viviam da criação de gado, zangavam-se muitas vezes entre eles e sobretudo com os vizinhos, servindo-se de pequenas quesílias para se apoderarem das suas colheitas e gado. Desde muito cedo eram instruídos nas artes da luta e aceitavam lutar como mercenários.
 “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar” esta frase atribuída a Júlio César esclarece bem a natureza dessa gente.
Foi este povo orgulhoso e rebelde que recusou submeter-se a Roma e foi capaz de resistir 40 anos à mais poderosa máquina de guerra da época. O chefe militar dos lusitanos mais conhecido foi Viriato (179-139 a.C), referido por historiadores romanos antigos que provavelmente terão exagerado nas suas qualidades militares, para justificar a ineficácia das legiões romanas. Historiadores como Apiano de Alexandria, Floro, Possidónio e Dião Cássio – apelidaram-no de “dux latronorum” (chefe de ladrões), mas elogiaram-no devido sua bravura, lealdade e capacidade de liderança. Esse Viriato foi um dos poucos sobreviventes da armadilha montada pelo Pretor Sérvio Sulpício Galba, em 150 a.C. quando os lusitanos decidiram aceitar a paz em troca da entrega de terras férteis nas planuras. Galba exigiu aos lusitanos que se reunissem desarmados para decidir sobre a partilha das terras. Cercados e sem armas milhares de lusitanos foram chacinados ou capturados e vendidos como escravos para a Gália. Entre os poucos que lograram escapar encontrava-se Viriato.
O golpe traiçoeiro foi denunciado, as autoridades de Roma exigiram a presença do Pretor para ser julgado por faltar à palavra, ao ludibriar e atacar homens desarmados, envergonhando a República Romana. Só não recebeu um castigo exemplar porque pertencia a uma família rica e influente e terá subornado a justiça. A “guerrilha” era a maneira mais eficaz de combater com sucesso as legiões romanas, um exército fortemente armado preparado para confrontos directos, realizados em terrenos de fácil manobra que dominou um território muito vasto na Europa, África e Ásia. Mas Viriato chegou a atrever-se com êxito a enfrentar as legiões em campo aberto e vencer. Depois de ter conseguido derrotar sucessivamente cinco generais e impor tréguas, o Senado Romano humilhado enviou em 139 a.C. para a Hispânia Ulterior (a outra divisão administrativa romana era a Hispânia Citerior), o general Quinto Servílio Cipião que rompeu as tréguas, combateu e impôs pesadas derrotas aos lusitanos e pressionou Viriato a negociar a paz. Acossado o chefe dos lusitanos foi obrigado a entabular conversações, confiou em três companheiros - Audas, Ditalco e Minuro que foram muito bem recebidos pelo general e acabaram por apunhalar o seu chefe, enquanto dormia na sua tenda. Os traidores, procuraram refúgio junto dos romanos após o assassinato de Viriato, e quando reclamaram o prémio foram executados em praça pública e os seus corpos ficaram expostos com os dizeres “Roma não paga a traidores”.
A ideia de que os portugueses são descendentes dos lusitanos está completamente errada porque esse foi apenas mais um povo, tribo ou grupo entre muitos que habitaram a Ibéria e acabaram por se miscegenar. Provavelmente seriam oriundos da Europa Central, talvez Celtas? É sabido que não bebiam vinho mas cerveja, comiam pão de bolota, criavam gado, eram exímios cavaleiros, tão aguerridos que até as suas mulheres participavam nas lutas e defendiam as aldeias (castros). Os romanos obrigaram os lusitanos a abandonar os montes e a instalarem-se nas terras baixas.
Durante os sec. XV a XVII e sobretudo durante os anos de 1580 a 1640 foi criado por autores eruditos - Frei Bernardo de Brito (autor da fantasiosa “Monarquia Lusitana” - 1597), Camões, Brás Garcia de Mascarenhas, o mito do portuguesismo de Viriato e dos “Lusitanos”, por oposição aos vizinhos “Castelhanos” que conseguiram durante 80 anos manter a península sob a mesma coroa.
É bem provável que o Viriato nunca tenha passado por Viseu porque a sua actividade conhecida teve lugar na região do sul da península. A fortaleza octogonal com 2.000 m de perímetro e 38 hectares de área, construída em terra batida, rodeada por um fosso com água, designada como – “Cava de Viriato”, foi muito provavelmente uma cidade/acampamento árabe construída na Alta Idade Média, talvez por iniciativa de Almançor (939–1002) que aqui terá concentrado um exército de muitos milhares de homens para invadir a península. As suas campanhas vitoriosas ocorreram entre e 981 e 997 quando conquistou, saqueou e por vezes arrasou cidades inteiras. Entre muitas outras: em 981 – Zamora, 985 – Barcelona, 987 - Coimbra e 997 – Santiago de Compostela. Iniciada a “Reconquista” e já constituída a nação portuguesa a fortaleza era conhecido por “Cerca da vala”, quatro séculos mais tarde começou a ser feita a ligação da fortaleza a Viriato para fortalecer, ainda mais o desejo de libertação do maior império até então ao conhecido, Filipe I de Portugal, II de Espanha reinou sobre um território muito extenso - "Onde o sol jamais se punha".
Alexandre Herculano considerado o primeiro historiador científico português e autor da “História de Portugal” (escrita entre 1846 e 1853) recusava admitir que os portugueses fossem descendentes dos lusitanos mas o “Estado Novo” exímio em falsificar a História aproveitou o mito renascentista, para exacerbar a sua política nacionalista e isolacionista. Salazar não nutria especial simpatia pelos nossos vizinhos e as suas relações com o ditador Franco, eram apenas de conveniência.
A designação da antiga fortaleza como “Cava de Viriato” é um enorme erro histórico, que se viu reforçado em 1940, ano da afirmação e consolidação do “Estado Novo” quando se erigiu o “Monumento a Viriato”, levantado com dinheiro obtido de donativos e receitas das entradas na feira anual, nos “Dias de Viriato” realizados de 1929 a 1934. Em 1940 foi celebrado o “Duplo Centenário” – Fundação do Estado Português (1140) e Restauração da Independência (1640) e por esse motivo foram instalados os “Cruzeiros da Independência”, por todo o País. Em Viseu existem dois: um no Jardim do Massorim (Largo Tenente Miguel Ponces) e outro em Abraveses (junto à Igreja). Em Lisboa realizou-se em Belém, de 23 de Junho a 2 de Dezembro, a “Grande Exposição do Mundo Português, evento propagandístico de grande dimensão e muito impacto que foi acompanhado por muitos festejos e também de um plano grandes e pequenas obras, que incluiu a construção de escolas primárias – “Escolas do Centenário”, que se prolongou até à década de 1960, com objectivo de garantir que houvesse uma escola para todas as crianças.

Bibliografia sugerida:
"A Herança Romana e Portugal" de Carlos Fabião, ”O Domínio Romano em Portugal” de Jorge de Alarcão, “A Feira de S. Mateus em 1940…” de Luís da Silva Fernandes (artigo "Feiraemrevista/2015"), "História dos Lusitanos" de Pedro Silva, "Lusitanos no Tempo de Viriato" de João Luís Inês Vaz ", "A Terra de Endovélico - o Deus dos Lusitanos", de José Galambas, "Viriato" de Leonel Abrantes e "Viriato" de Maurício Pastor Muñoz 

20170813

Desrespeitando "Viriato"


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Em 2016 estavam lado a lado, este ano estão assim! Se necessário posso alvitrar uma solução para resolver esta vergonhosa situação, encontrada nas costas do Monumento a Viriato, estou sempre disponível e não cobro nada...

P.S. : Armários eléctricos da iluminação do monumento a que retirei a identificação da empresa.

20170415

Votos de FELIZ PÁSCOA !


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Votos de FELIZ PÁSCOA ! para todos os amigos e visitantes deste estabelecimento, mesmo que ocasionais.

AJ

20170402

1ª Feira e Mercado Lusitano


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Finalmente e depois de vários anos de espera foi possível libertar o "Campo de Viriato" da inestética vedação da feira anual de Viseu. O "caixote" esse continua a ser um mamarracho na frente do "Monumento a Viriato".


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Algumas imagens da grande tenda dos romanos instalada no "Campo de Viriato"


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Escudo e armas lusitanas e insígnias dos romanos, incluindo a famosa loba da lenda da origem de Roma.

20170327

Bem-Hajam - O 1º Milhão


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Já Cá Canta!


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O primeiro milhão já cá canta! venha o próximo... O meu Bem-Haja a todos, em especial para os meus amigos.

AJ

20170217

Dois Guerreiros Lusitanos


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Dois guerreiros lusitanos - "Monumento a Viriato" de Mariano Benlliure (1940), Viseu, Campo de Viriato