EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20150615

"VISEU - Um aspecto da feira franca"

"(...)Para o Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, “a história da Feira de São Mateus está em grande parte por fazer e de forma completa. Este investimento é decisivo e útil para revitalizar o certame e ajudar a recuperar a sua autenticidade e tradições. Esperamos encontrar na história caminhos de futuro, tornando a nossa Feira cada vez mais atrativa e popular.(...)”
A encomenda no valor de 75.000 euros, a realizar em três anos, deverá revelar que contrariamente ao papagueado, a actualmente e impropriamente designada "Feira de São Mateus", não tem 623 e também não se realizou sem interrupções. Aliás as fontes mais antigas são escassas, dispersas e já foram vasculhadas por vários sábios investigadores viseenses e bastará a leitura exaustiva das actas da câmara para desmistificar essa inverdade. O Dr. Almeida Henriques se os investigadores não fizerem um trabalho sério e competente, ainda correm o risco de ver o seu trabalho desvalorizado. Sim porque é sabido que em Viseu existiram várias feiras, com datas, durações e privilégios diferentes [LER]. (...) Este ano irá ser instalada, para envolver a comunidade nesta busca, a "Ilha da Memória", um lugar para "mapear" histórias, gravar testemunhos e recolher documentos e memórias deste certame popular.(...)

20150504

As Feiras Anuais de Viseu

Feira São Mateus moribunda no início do séc. XX e o Campo de Viriato

"(...)E daquy continuando por junto a margem do mesmo rio pella campina que lhe fica a parte do Norte do mesmo rio Pavia vay esta estrada desembocar no grande campo assim chamado de Sam Luis onde se faz a selebrada feira de Sam Matheos em cada hum anno pello dia do mesmo Sam Matheos aquy logo no primeiro angullo deste campo esta huma grande tapada que serve para criar em si boas orteliças de varias especies como tambem hé fertil de trigo e linho; Aquy junto a parede desta tapada esta situada hum casa que serve de armazem das polvoras dos homens de negócio desta cidade, a qual se fez por ordem do ilustre senado da Câmara desta cidade, para aquy se conservarem as polvoras sem detrimento da cidade e seus edifficios e por se temerem os estragos e ruinas nos tempos das trovoadas; Aquy logo, seguindo este mesmo caminho, se vê um chafariz de emselentes agoas que servem de refrigério aos viandantes e as pessoas que nas tardes de Veram aqui vem gosar da amenidade do sítio, especialmente durante a feira franca que dura quatro dias francos, além de mais quinze dias, antes e depois dos quatro francos. Tem um tanque para dar de beber às bestas que os homens de negocio aqui vem vender e trespassar as drogas e frutos dos seus contratos.
Hé este campo munto grande e dilatado e povoado de algumas arvores grandes e bem copadas que servem de refrigerio com as suas sombras aos que contratando se acham no mesmo campo e aquy donde estam esta cupadas arvores hé donde se faz o corpo principal desta feira donde se acham grande numero de homens estrangeiros e contratadores de todas as terras da Europa nam so de Espanhois por serem vezinhos mas de franceses aragoneses napolitanos milaneses e genoveses imperiais ingleses e olandeses malteses e finalmente de todalas naçoins da iropa (1) nam falando nos reyniquillas. (...)
E no sitio em que se ve culucada esta capella (2) esteve antigamente ereta huma capella dedicada a Sam Luis rey de França de onde se da a este dilatado campo pleno e se deduziu a denominaçam de campo de Sam Luis donde se faz a referida feira de Sam Matheos a qual feira se mudou para aquy para este grande campo porque antigamente se fazia dentro dos grandes vales de terra chamado a Cava de Viriato que antiguamente se chamava cidade de Vaca (3). Donde nasceu aquellee grande eroy Viriato que tam grande terror foy de toda a Roma e estrago universal de seos exércitos cujo trofeo tanto engrandessem o tempullo de sua exaltada fama como ainda  repetem hoje os seus famosos feitos (4).
E aquy dentro destes mesmos valles de terra aonde antigamente se fazia a referida feira franca (5), estava erecta huma capella, a qual mandou fazer e levantar o excelentissimo duque Dom Henrique, primeiro duque de Viseu e filho segundo do grande monarca o senhor Rey Dom Joam primeiro, o qual aquy mandou levantar a tal capella em honra e louvor do glorioso martir Sam Jorge, hoje protector do Reino, cuja devoçam trouxe a este Reino de Portugal a Serenissima Rainha Donna Filipa, mulher que foy do serenissimo rey Dom Joam primeiro de gloriosa memoria (...)

Viso 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda"

In “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas – 1. Viseu”, de João Nunes de Oliveira, Editora Palimage, Viseu 2005 [ver]

Notas do AJ:
1 - O padre Manoel Lopes, certamente estava a exagerar.
2 - Refere-se à capela de Nossa Senhora da Conceição, depois elevada à categoria de igreja e sede de paróquia;
3- A  existência da cidade de Vaca, no interior da Cava, é um mito - a dita cidade ficaria junto ao rio Vouga nas proximidades de Águeda e ainda segundo a tradição Vaca, foi o primeiro nome do rio Vouga;
4 - O lugar do nascimento de Viriato é desconhecido e reivindicado por várias localidades portuguesas e, claro espanholas;
5 - A feira estabelecida por D. João I que se realizava na referida época acontecia na Primavera, começava em 23 de Abril dia de São Jorge, Defensor do Reino e no reinado de seu filho D. Duarte, já não se realizava pelo que os procuradores de Viseu pediram a D. Duarte – "em memória de ter sido nesta cidade o seu nascimento" - o restabelecimento da Feira que obteve "todos os privilégios outorgados à de Trancoso, menos sisa (Carta de Estremoz, de 17-IV-1436) – e ainda que fosse três dias franca, mercê concedida em Almeirim." [ler].
No reinado de D. Afonso V a feira que já não se fazia, foi novamente restabelecida com os mesmos privilégios da de Tomar, com início no dia de Santa Iria, 20 de Outubro.
No reinado de D. Manuel, I em 1501 a feira foi transferida para dentro dos muros da cidade mas por falta de espaço foi em 1510 mudada, em definitivo (?), para o Campo de São Luís, actual Campo de Viriato. Também a data de realização e duração da "Feira Franca" foram alteradas, a "Feira de Franca de São Mateus" passou a iniciar-se no dia 15 de Setembro e a ter três dias francos: 20, 21 dia de São Mateus e 22 de Setembro.


Este ano a feira anual de Viseu, tal como sucedeu em 2014, voltará a usar repreensivelmente o nome de São Mateus, porque a feira de 2015 irá realizar-se de 7 Agosto a 13 de Setembro. Ora se no dia 21 já não vai haver feira...
Claro que a marca "Feira de São Mateus", tem mais de 5 séculos e é valiosa mas a câmara municipal está "enganar" o povo e desrespeitar o Santo Evangelista. Por esses motivos o secular evento, jamais deveria terminar antes do dia 21 de Setembro - "Dia de São Mateus" e Feriado municipal.
A montagem dos restaurantes, snack-bares e tasquinhas inicia-se no dia 01 de Julho, já só faltam cerca de dois meses.

20141226


"(...)E no sitio em que se ve culucada esta capella esteve antigamente ereta huma capella dedicada a Sam Luis rey de França de donde se da a este dilatado campo pelo e se deduziu a denominaçam de  campo de Sam luis donde se faz a referida feira de Sam Matheos a qual feira se mudou para aquy para este grande campo porque antigamente se fazia dentro dos grandes vales de terra chamado a Cava de Viriato que antiguamente se chamava cidade de Vaca. Donde nasceu aquelle grande eroy Viriato que tam grande terror foy de toda a Roma e estrago universal de seos exercitos cujo trofeo tanto emgrandedessem o tempullo de sua exaltada fama como ainda repetem hoje os seus famosos feitos."(...)

Viso 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda

"Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - 1. Viseu" de João Nunes de Oliveira [ver]

20120628

Já Começa a Cheirar a Feira...


Sim porque já começaram a colocar a vedação do lado poente e também a descarregar material para montar a primeira "barraca". Para quem ainda não sabe, este ano a Feira de São Mateus terá o seu início em 10 de Agosto e irá prolongar-se até 23 de Setembro [p. oficial]

20120612

"Pedrada" # 37 - Praça (Campo) de Viriato


A "pedrada", em sentido figurado, de hoje vai direitinha para a edilidade porque ainda não conseguir, apesar de algumas tentativas goradas, marcar os lugares para estacionamento no antigo Campo de Viriato, depois das obras do Programa POLIS Praça de Viriato, e ainda reservar lugares para os autocarros de turismo ou escolares que por vezes encontram grandes dificuldades em estacionar. O autocarro das imagens estava a aguardar a chegada do funicular que descia da Sé, cheio de crianças do primeiro ciclo do ensino básico que devem achado a viagem curiosa. São estas viagens  que aumentam muito os números, pequeníssimos, dos utilizadores do elevador, onde se continua a poder viajar gratuitamente. Imaginem se um dia as duas máquinas de venda de bilhetes passarem a ser usadas, a clientela que o funicular irá ter!?

20110601

Já Começa a Cheira à Feira...



A montagem das "barracas" para a realização da Feira de São Mateus foi iniciada ontem. Como é habitual a abertura será no próximo dia 15 de Agosto, os viseenses aguardam, com grande expectativa, para ver as novidades prometidas pela renovada administração da EXPOVIS.

20100721

Já começa "a cheirar" à Feira...


SIM, SENHORES
D'esta vez merece a camara o nosso applauso.
Na sua última sessão resolveu, e bem, não permitir que as meretrizes tenham barracas na feira de S. Matheus.
Evita effectivamente a camara bastos e sucessivos escandalos e um espectaculo que nada nos honra aos olhos de quem n'essas ocasioes visita a cidade.
Assim procedesse sempre a camara.
A justiça manda tambem que se louve o sr. Commissario de policia, que foi quem, no anno findo, representou em tal sentido, procurando assim acabar com um foco de escandalos e desordens.

In "Comércio de Viseu" de 22 de Julho de 1906, citado em "100 Anos de História da Associação Comércio e Serviços Distrito de Viseu", Viseu 2001
P.S. - Já há algumas semanas que começaram a montar as primeiras "barracas". Também foi iniciada a vedação e ontem já não foi possível estacionar em parte do Campo de Viriato.
O postal ilustrado tem marca postal de 5 de Julho de 1935

20100414

Mais Novidades no Campo de Viriato


O pessoal da câmara municipal com um camião, equipado com uma grua, e com a ajuda de alvancas andou a colocar vasos a bordejar a Avenida Emídio Navarro, na parte do seu trajecto que atravessa o antigo "Campo de Viriato".
Agora sim, os condutores não vão poder sair ou entrar nos espaços destinados a estacionamento a não ser pelos locais sinalizados [ligação]. Esta operação é a reposição de uma situação anteriormente existente. Depois de concluída a colocação dos vasos ficará apenas a faltar a necessária marcação dos lugares e dos corredores de circulação.
Serão dois os parques de estacionamento instalados na nova "Praça de Viriato", uma obra do Programa POLIS, tomo a liberdade de sugerir que no caso de sobejar alguma tinta, usem as sobras para pintar passadeiras para os peões e deste modo evitar atropelamentos.

P.S. - Quem terá afirmado que estacionamentos na feira: "- Só por cima do meu cadáver!". Mais, um caso para dizer que só "os burros é que não mudam"?


20100411

Novidades no "Campo de Viriato"


Certo, umas são efectivamente novidades, outras, nem por isso...
Todos saberão que a câmara municipal decidiu transformar o "Campo de Viriato" num grande parque de estacionamento automóvel. Ainda não foi possível, devido à chuva e a questões de organização, pintar as marcações mas nos últimos dias colocaram sinalização horizontal na Avenida Emído Navarro, no troço que atravessa o local onde nos meses de Verão se realiza a multisecular Feira de São Mateus.
Parece-me ter sido uma excelente ideia marcar os locais de acesso aos parques para prevenir possíveis acidentes, porém sou de opinião que deveria ter sido colocado um traço contínuo para proibir ultrapassagens e ainda marcadas passadeiras para os peões. Vamos esperar que os condutores cumpram a nova sinalização, mas não acredito...
Com tanto espaço disponível há muitos automoblistas que continuam a estacionar em locais não autorizados, desrespeitando a sinalização vertical. Um bom exemplo é a praceta, lageada com granito, junto da "Porta de São Mateus", a mais antiga e tradicional entrada da feira que nos últimos anos perdeu, inexplicavelmente, esse estatuto para a "Porta de Viriato".
A calçada logo depois de construída começou a ser deteriorada. Poucos dias antes da abertura da última edição "Feira de São Mateus" foram executadas algumas reparações. Porém nas últimas semanas os estacionamentos indevidos provocaram os estragos que as imagens mostram. É caso para perguntar, uma vez que este ano não haverá eleições : - "Onde Pára A Polícia?".

20100306

Viriato "A La Minuta" ...

Desde as primeiras décadas do século XX que nos jardins, praias, miradouros e outros locais mais visitados começaram a aparecer, principalmente nos meses de Verão, os fotógrafos "A la minuta". Durante o resto do ano alguns andavam de aldeia em aldeia a oferecer os seus serviços ou a fotografar em festas, romarias ou cerimónias religiosas.
Muitos usavam um colorido "cavalinho" de madeira ou cartão que os rapazitos montavam alegremente enquanto sorriam para a lente na frente do "caixote de madeira". Também executavam fotos tipo passe, mais baratas e com maior rapidez, embora de menor qualidade, que os fotógrafos de porta aberta. Era necessário ficar muito quietinho senão a foto ficava tremida...
Além da máquina o fotógrafo ambulante transportava um balde, frascos de químicos, vasilhas com água para e lavar as fotos que depois pendurava num cordel a secar, usando molas de madeira da roupa.
Os fotógrafos mais habilidosos produziam, usando cartões recortados, imagens dentro de "molduras", muitas vezes corações enlaçados que eram muito apreciados pelos namorados. O "caixote" montado sobre um tripé estava equipado com uma manga de pano negro e era, simultaneamente, máquina fotográfica e câmara escura. Para mim era um mistério quando o via colocar, de cabeça para baixo, aquilo que mais tarde vim a saber ser o negativo numa tábua de frente para a objectiva. Lateralmente e emolduradas podiam ver-se várias fotos que serviam como amostras.
Tive a sorte de conhecer na "Cava de Viriato", nos finais década de 50, quando ainda era muito pequeno, um fotógrafo "A la minuta". Muitas vezes fui ver o Sr. Joaquim Ramirez, um portuense de origem galega, um homem alto de bonita figura e de boina espanhola no alto da cabeça, fazer magia com o seu “caixote”, um balde com água, uma esponja e por fim uma toalha para limpar as mãos.
Magalas, sopeiras, estudantes e alguns visitantes pareciam ser os seus melhores clientes. Depois apareceram os primeiros "Kodak´s", máquinas fotográficas pessoais baratas e depois as "Polaroid's", e os fotógrafos ambulantes foram condenados. Mas ainda há alguns por aí que continuam a "encantar" usando uma velha mas fantástica tecnologia que permite guardar um pedaço do tempo num papel.
O Sr. Joaquim habitualmente exercia a sua arte, executava os seus números de magia do lado direito do Viriato, à esquerda das imagens, costumava usar o monumento como fundo e o friso da parede de granito, onde está inscrita a dedicatória do monumento, erigido em 1940 e da autoria de Mariano Benlliure, para secar as suas fotos ao sol.

Veja uma foto antiga [ligação], outra mas desta vez recente [ligação]

20091016

A Cinzenta, Fria e Feia Realidade



Terminadas as obras do Programa Polis em Viseu, o Espelho de água e o Funicular foram as duas últimas, esta é uma boa oportunidade para fazer um pequeno balanço dos resultados. No espelho de água ainda faltam os restaurantes mas já "virou piscina" e o ambicioso plano para o Parque Urbano da Aguieira ficou por realizar mas hoje vou dedicar um pouco de atenção ao "Plano de Pormenor da Envolvente Urbana do Rio Pavia" que incluía o Campo da Feira de São Mateus.
A ambicionada "reconversão do recinto da Feira de São Mateus" foi um enorme fracasso. No lugar do planeado "novo espaço de qualidade", para usos múltiplos e atractivo durante todo o ano passou a existir um enorme espaço empedrado cinzento, frio, feio, rodeado por uma inestética vedação metálica. As condições para a realização da feira pouco ou nada melhoraram, em breve o espaço voltar a ser um enorme parque de estacionamento, para justificar a existência do funicular. Lembro que o plano original previa a construção de um parque subterrâneo no largo em frente do Pavilhão Multiusos, um segundo junto da Calçada de Viriato e um terceiro, mais pequeno, no local onde foi construída a estação superior do funicular.
Andaram muito mal quando decidiram abandonar a solução inicialmente prevista da passadeira/escada rolante para subir a Calçada de Viriato, que motivou a deslocação a Itália de responsáveis da câmara, de onde regressaram entusiasmados com o sistema. Mudaram de opinião com a justificação de que seria necessária outra passadeira para descer e isso tornaria a rua intransitável aos veículos dos moradores, segurança e bombeiros.
O funicular sobre carris, com duas carruagens e accionado por cabos de aço, depressa se revelou ser perigoso, desajustado ao local e obrigou à tomada de medidas de segurança não previstas. Também foi planeado um grande parque de estacionamento a norte da Cava de Viriato e a criação de um "vaivém" para a cidade que não saiu do papel.
Considero um erro continuar a atrair mais veículos, na mesma lógica continuam a alargar as entradas da cidade, com o trânsito a aumentar e em certas horas já complicado, e com carros amontoados por todo o lado continuam as obras para facilitar a chegada de mais viaturas. Para que o Campo de Viriato volte a ser um parque de estacionamento, só falta marcar os lugares, retirar as placas que ainda indicam que o lugar é exclusivamente pedonal, proíbem a passagem de viaturas com mais 5,5 ton excepto STUV, continuar a alargar a Avenida Emídio Navarro na parte em que atravessa o campo da feira para permitir que os autocarros de turismo retornem ao lugar de onde foram afastados e aumentar a fluidez do trânsito.
Para terminar, por hoje, fica uma interrogação - será que a mini-rotunda da Porta de Viriato irá ser "reformulada"? [Ver - Vídeo]

20090804

Finalmente pronto o "Espelho de água"


Por fim parece estar quase pronto o tão aguardado "espelho de água" frente ao Rio Pavia no Campo de Viriato uma das componentes do ambicioso parque radial. Para concluir o projecto ainda faltará construir os restaurantes que inicialmente eram três e fixos e passaram a ser apenas dois e pré-fabricados.
Já tive oportunidade de ver o sistema em funcionamento e não me parece ter sido uma ideia muito feliz. A água que corre nas faixas laterais, "aos saltinhos", produziria melhor efeito se a altura dos mosaicos de granito fosse um pouco maior. A fruição do lago é muito limitada devido aos muros laterais demasiado altos. Entendo desajustada a existência de uma extensa faixa com plantas e algumas árvores frente ao tanque que impedem o acesso à margem do rio. Durante a noite os defeitos da iluminação são muito evidentes uma vez que o lugar é escuro e pouco convidativo, chega a meter medo. A iluminação colocada dentro da água produz algum efeito e a água iluminada que transborda continuamente do lago transmite uma agradável sensação de frescura e um murmúrio agradável.
O rio infelizmente continua com pouca água apesar das tentativas dos serviços municipalizados para esconder esse falhanço. Espera-se que não encham o rio com água das torneiras... já noutra ocasião o "lavaram", lembro-me que foi em meados de Setembro de 2005, nas vésperas da inauguração do centro comercial.
Não fui o único que notou que destruiram uma cisterna, contruída no ano passado, junto ao Jardim de São Mateus, o tal jardim que depois de "remodelado" e aumentado ficou com mais pedras do que plantas, e que construiram outra de maiores dimensões possivelmente por ter havido um erro que foi necessário rectificar. Tudo se passou para lá da vedação metálica e da rede verde.

20090507

Menos Dúvidas Sobre Viseu


Será que na colina da Sé existiu um castro pré-romano? Que nome teria esse castro e qual seria o seu nome no período pré-romano e durante o domínio romano ?
Uma descoberta feita no início deste ano e que até há pouco fora partilhada apenas com muito poucos veio fazer alguma luz sobre a denominação do local.
As escavações que antecederam a instalação da estação superior do funicular muito perto da Sé, na Rua Silva Gaio, deixaram a descoberto vários vestígios que confirmam uma ocupação datada do século IV a.C., portanto na idade do Ferro, o que permite considerar possível a existência de um castro naquela área. Penso que deveria ter sido um povoado de reduzida importância pois a posição não era a mais defensável. Muito perto existiam os castro do Monte Santa Luzia e do Monte do Castro esses sim bem melhor protegidos pois estavam situados em elevações mais fáceis de defender. Muitas são as dúvidas que apoquentaram e intrigaram gerações de arqueólogos e historiadores viseenses.
Durante as escavações obrigatórias nas zonas históricas foi encontrada uma ara de granito (altar onde ardia o fogo sagrado e se faziam orações), mandada fazer por homem de nome Albinus, com cerca de 1,40 m e datada do século I d.C, com uma inscrição em latim influenciado pelas línguas locais, onde se invocam "as deusas e deuses dos vissaieici", segundo o arqueólogo Pedro Soveral seria este o nome do povo que habitaria o morro e portanto o nome da localidade seria "Vissaium" segundo o epigrafista Luís Fernandes.
O local foi um aterro que serviu durante os últimos anos como parque de estacionamento e durante séculos foi usado para fins agrícolas. O meu amigo Serafim, aposentado da cavalaria da GNR, morador ao fundo da rua plantou ali muitas couves e sachou muita erva. Quem diria que aquela terra guardava, lá no fundo bem escondido, um tesouro que certamente fez a alegria de todo o grupo de trabalho mas em especial de Pedro Soveral que asssim viu um dos seus sonhos realizado.
Fonte "National Geographic - Portugal", Maio de 2009
P.S. - Imagens recentes do morro da Sé visto do Campo de Viriato e uma foto antiga (Bilhete Postal editado pela Tabacaria Costa, datável das primeiras décadas do séc. XX).

20080930

A Feira Franca de Viseu

O Campo de Viriato e a cidade de Viseu vistos da Cava

(...) "D. João I confere especial atenção à cidade e aqui nasce D. Duarte, seu filho primogénito. É no reinado de D. Duarte que a feira franca, com a duração de três dias, passará a evocar São Mateus e a realizar-se no campo da ribeira, local adoptado até hoje, exceptuando os períodos dos reinados de D. Afonso V e de D. Manuel I." (...)

Sérgio Fernandez (Arquitecto) in "Guia Expresso das Cidades e Vila Históricas de Portugal"

20080925

Feira de São Mateus


(...)

É de velha tradição
Que a nossa iluminação
Não tem melhor, nem igual!
Digo, com chança vaidosa,
Que será a mais formosa
Nas "Feiras de Portugal"

(...)

20080910

A Cava de Viriato e a Feira de São Matheos


Aspecto do muro da Cava de Viriato depois da intervenção Polis. Falta apenas deixar crescer a relva para o trabalho estar terminado

(...) “ se da a este dilatado campo pleno e se deduziu a denominaçam de campo de Sam Luís donde se faz a referida feira de Sam Matheos a qual feira se mudou para aquy para este grande campo porque antigamente se fazia dentro dos grandes vales de terra chamada a Cava de Viriato” (...)

Viso 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda

Retirado com os maiores agradecimentos de “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas – 1. Viseu”, de João Nunes de Oliveira .

20080903

A Feira de Sam Matheos


A Porta de Viriato da Feira de S. Mateus - 2008 ao cair da noite

(...) "Hé este campo munto grande e dilatado e povoado de algumas arvores grandes e bem copadas que servem de refrigerio com as suas sombras aos que contratando se acham no mesmo campo e aquy donde estam estas cupadas arvores hé donde se faz o corpo principal desta feira donde se acham grande numero de homens estrangeiros e contratadores de todas as terras da Europa nam so de Espanhois por serem vezinhos mas de franceses aragoneses napolitanos milaneses e genevoeses imperiais ingleses e olandeses malteses e finalmente de todas a naçoins de iropa nam falando nos reyniqullas." (...)

Viso 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda

20080822

A Feira de Franca de São Mateus



(...) ”E daquy continuando por junto a margem do mesmo rio pella campina que lhe fica a parte do Norte do mesmo rio Pavia vay esta estrada desembocar no grande campo assim chamado de Sam Luis onde se faz a selebrada feira de Sam Matheos em cada hum anno pello dia do mesmo Sam Matheos aquy logo no primeiro angullo deste campo esta huma especie de tapada que serve de criar em si boas orteliças de varias especies como tambem hé fertil de trigo e linho; Aquy junto a parede desta tapada esta situada huma casa que serve de armazem das polvoras dos homens de negocio desta cidade, a qual se fez por ordem do ilustre senado da Câmara desta cidade, para se conservarem as polvoras sem detrimento da cidade e seus edifficios e por se temerem os estragos e ruinas nos tempos das trovoadas;” (...)

Viso, 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda

Retirado com agradecimento de “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas – 1. Viseu” de João Nunes de Oliveira

20080330

Mais vida no Campo de Viriato!



Uma jovem batateira no Campo de Viriato num dos locais destinados à montagem dos restaurantes durante a Feira de São Mateus.
Desde que chegaram até nós vindas da América do Sul as batatas têm servido para preparar inúmeros pratos veja aqui algumas receitas.

20080328

E o que fizeram no Campo de Viriato!



São Mateus trabalho do escultor Armindo (Viseu) Ribeiro

Apesar de anónimo e de ter transmitido a opinião de modo reprovável parece-me que a mensagem também se poderá aplicar à calçada de granito e betão em construção na Cava.