EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20180711

José de Azeredo Perdigão -"O Mago"


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José de Azeredo Perdigão -"O Mago", número 2 da colecção "Visienses de boa memória" editado pela "AVIS - Associação Cultural para o Debate de Ideias e Concretizações Culturais de Viseu" com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian da qual foi o 1º Presidente do Conselho de Administração.

"Nascido em Viseu, a 19 de Setembro de 1896, José de Azeredo Perdigão é uma das personalidades mais marcantes do século XX português, numa trajectória profissional e pública que atravessou as grandes mudanças da sociedade portuguesa, num arco de tempo que vai da implantação da República ao "25 de Abril".
Aluno brilhante das Faculdades de Direito de Coimbra e de Lisboa, intelectual desperto para a renovação das ideias que emergia do grupo da Seara Nova, a sua vida dividiu-se entre a advocacia e a Fundação Calouste Gulbenkian" (...)

Dr. Emílio Rui Vilar
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian

20180706

Afonso Henriques (1109/1185)


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(...)" As bases desta investigação, sem as quais ela seria impraticável, ou baldada, são duas: uma, o conhecimento da data suficientemente aproximada do nascimento de D. Afonso Henriques; a outra, a residência de D. Teresa quando ele veio à luz. A data é possível sabê-la pelas indicações da época: tendo dois para três anos quando morreu seu pai, o que sucedeu em Maio de 1112, e sendo que aquela expressão vulgar significa mais próximo os três anos que os dois, concluímos, calculando dois anos e uns nove meses, o meado do Verão de 1109. Quanto à residência de D. Teresa, temos provada para ela Viseu, precisamente então." (...)

A. de Almeida Fernandes - Investigador de História Medieval 

Excerto retirado de Afonso Henriques (1109/1185) "O Pai da Pátria",  terceiro número da colecção "Visienses de boa memória" editado pela "AVIS - Associação Cultural para o Debate de Ideias e Concretizações Culturais de Viseu" e dedicado à memória do investigador Dr. Alexandre Alves.

20180704

O Viseense D. Afonso Henriques


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“Se, para injusta fama dos seus créditos intelectuais, começou a cantar-se do marechal de La Palisse que um quarto de hora antes de morrer estava vivo, uma tal aleivosia, após tantas e não coincidentes opiniões sobre a localidade do nascimento de D. Afonso Henriques, não deveria ser pensada de quem, para formular a sua, tomasse como ponto de partida a incontestável verdade de que sua mãe o deu à luz onde ela, quando ele nasceu, se encontrava. É daí absolutamente que eu parto: toda a preocupação deste trabalho está em sabê-lo.” (...) - Opiniões – p.. 7

“A matéria deste capítulo pode condensar-se no seguinte:
Os fulcros da averiguação que com este estudo se pretende são dois: a altura do ano em que nasceu D. Afonso Henriques, a qual só pode ser Julho – Agosto de 1109; e a presença de D. Teresa, sua mãe, então em Viseu. A primeira circunstância não deve oferecer qualquer dúvida – se não quisermos arredar as indicações da época, o que julgo ninguém pensará. Da segunda é prova todo este estudo.” (…) – Resumo do Capítulo III – p. 48

“Viseu, Agosto de 1109, Nasce D. Afonso Henriques”
Autor - A. de Almeida Fernandes 
Prefácio – Prof..ª Doutora Maria Alegria F. Marques
Fixação de Texto e Índice – Prof. Doutor João Silva de Sousa
Editor – SACRE/Fundação Mariana Seixas, Ranhados, Viseu
Data da Edição - Março de 2007

20180629

Crime da Poça das Feiticeiras


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"Noite de Sangue e de Mistério... O Crime da Poças das Feiticeiras" de Gilberto de Carvalho, Edição do autor, Tipografia Popular, Viseu, 1931
O autor ofereceu esta obra "a mais completa e exacta reportagem do crime (...) contendo curiosos documentos fotográficos" ao " Ex. mo Grupo Claudivinista, do Porto, que a subsidiou em parte e dela destina o produto à defeza dos condenados, Claudino Lopes Ribeiro, D. Silvina Trindade Ribeiro e Albina Correia".

No antigo caminho que de Viseu, pela Via-Sacra e São Caetano, conduzia a Ranhados que na madrugada de 17 de Julho de 1925, apareceu um homem morto dentro duma poça. A macabra descoberto foi feita, um pouco antes de baterem as cinco horas, por dois polícias que se iam apresentar ao serviço, na esquadra de Viseu. Depois de acordada e em alvoroço a gente das quintas mais próximas, dois rapazes foram bater à porta da casa da Quinta de São Caetano. A Claudino Lopes Ribeiro, genro do proprietário João Alves Trindade, que se chegou a uma janela perguntaram pelo sogro. Depois de verificar que não se encontrava na cama foram a correr à poça e confirmaram ser o corpo do Trindade que estava caído na água. Chamadas as autoridades e feita a autópsia verificou-se que fora assassinado e só depois arremessado para a presa.
Por suspeita da autoria do crime foram presos e condenados, no Tribunal de Viseu em 12 de Novembro de 1927, com pesadas penas de prisão e degredo: o genro Claudino, a filha Silvina Trindade Ribeiro e ainda uma criada Albina Correia, numa pena mais ligeira por encobrimento. João Trindade preparava-se para despejar o genro e a filha da casa mas os réus sempre negaram a autoria dos crimes. Sentindo-se injustiçados lutaram durante anos nos tribunais, apresentando recursos e apelos que não foram atendidos, atribuindo o seu infortúnio à disputa pela herança do morto, um detestado "africanista" que enriqueceu em São Tomé, pessoa de mau carácter, muito dado à bebida e outros vícios.
Estes acontecimentos serviram de inspiração ao romance - “Eugénia e Silvina” de Agustina Bessa-Luís, 1989

20180530

"El Cine" de Antonin Artaud


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Este livro é uma tradução em edição de bolso de “Choix de textes extraits des tomes III (1961) et IV (1964) des Oueuvres Complétes d’Antonin Artaud”. Antonin Artaud nasceu, em 4 de Setembro de 1896, em Marselha, Bouches-du-Rhône, e foi uma criança de saúde muito frágil. Antonin Artaud é o nome artístico de Antoine Marie Joseph Artaud que faleceu a 4 de Março de 1948 em Ivry-sur-Seine, Val–de-Marne,França. Foi poeta, ensaísta, dramaturgo e encenador. Em 1920 entrou em contacto com o Movimento Surrealista e foi muito influenciado pelo teatro japonês, depois de assistir aos espectáculos duma companhia que passou por Marselha em 1922. Por essa época começou a teorizar sobre o teatro e criou o “Teatro da Crueldade”. Em 1936 viajou para o México onde viveu junto dos indígenas, o povo Tarahumara, conheceu a sua antiga cultura solar e experimentou o “peyote”, um preparado natural com características alucinógenas. Alguns meses depois regressou a França e viajou para a Irlanda em 1937. O seu habitual comportamento, um pouco desequilibrado, confundiu as autoridades que o tomaram por um louco perigoso e acabou por ser internado num hospício. Mais tarde os seus amigos conseguiram que fosse deportado e voltasse para França. Já em França voltou a ser internado até 1946. As sessões de electrochoques e os anos de isolamento, deixaram muitas marcas. Durante este internamento escreveu muito , em especial cartas, para se manter são. Artaud criou duas obras muito importantes sobre Teoria do Teatro: o “Manifesto do Teatro da Crueldade” (1932) e o “Teatro e o seu Duplo” (1938) - um dos mais importantes e influentes trabalhos sobre Teatro, editados no século XX. No Cinema Artaud trabalhou em filmes como os de Abel Gance, onde interpretou Marat, em “Napoleão” (1927) e Savonarola, em “Lucrécia Borgia (1935),  e sobretudo nesse grande filme, uma obra prima, de Carl Th. Dreyer - “A Paixão de Joana d´Arc” (1928). Desta Arte disse Artaud, segundo seus biógrafos: “Que era um meio pouco honrado de ganhar a vida” e  “que era obrigado a fazer cinema para comer”; E escreveu, neste livro, que o Cinema era - “Mais excitante que o fósforo, mais cativante que o amor “.

“El Cine” de Antonin Artaud, 2ª edição Colecção “El Libro de Bolsilho”, Alianza Editorial, S.A. , Madrid, 1988, Capa de Daniel Gil, Tradução para Castelhano de Antonio Eceiza

20180528

“Memórias de um Pinga-Amor”

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“Prefaciar é Prevenir” citação do prefácio desta magnífica obra que é toda ela uma verdadeira jóia, incluindo as gravuras:
“Quem quer que compre este livro, acabará por lamentar o dinheiro gasto se tiver sido levado pelo título. Bem que gostaria de escrever um verdadeiro livro sobre sexo que os correios se recusassem a distribuir.”
Vejamos a capa do livro. Quem é a senhora tão bem vestida e ainda melhor penteada?
Nasceu, em Marco de Canaveses, em 9 de Fevereiro de 1909 e faleceu, de ataque cardíaco, em 5 de Agosto de 1955, em Beverly Hills, L.A., Califórnia / E.U.A. Foi baptizada com o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha e antes de completar um ano de idade, a sua família, pais e os restantes irmãos (três irmãs e dois irmãos), emigraram para o Brasil.
Foi a sua sorte ! Cresceu no meio da vida boémia Carioca e aos seis anos, vendia gravatas e já cantava e encantava. Foi esta menina que se transformou na Carmen Miranda – a baixinha que usou sapatos plataforma muito altos e a quem enfeitaram os cabelos, com ananases e bananas. Tornou-se no maior sucesso no Brasil , em Hollywood e no Mundo. Tem a sua estrela no “Walk of Fame”, no Hollywood Boulevard, e foi uma verdadeira celebridade.
Quanto a Groucho (Julius Henry Marx – 1890/1977), sozinho ou com os seus irmãos, foi enorme e dele disse, outro judeu e humorista, Woddy Allen: “Groucho Marx foi o melhor comediante que este país criou (…) Ele é único, do mesmo modo, como Picasso ou Stravinsky”.
As suas tiradas eram geniais, recordo aqui duas:
“Enviei um telegrama urgente ! Por favor aceitem a minha demissão. Não pretendo continuar a pertencer a um clube que me aceitou como sócio.”;
“Acho a televisão muito educativa. Cada vez que alguém liga o aparelho, eu vou para o quarto e leio um livro.”
A imagem da capa pertence às fotos de produção do filme “Copacabana” – 1947, de Alfred E. Green. Neste filme Carmen Miranda interpretou um duplo papel, Carmen Novarro e Mademoiselle Fifi , duas cantoras: uma bomba sexual brasileira e uma francesa refinada. O seu Agente, Lionel Q. Deveraux, era o aldrabão que enganava o dono do Clube Copacabana e era representado pelo inimitável Groucho Marx.
O realizador Alfred E. Green (1889/1960) dirigiu 112 filmes, entre 1916 e 1955 e foi ainda actor e produtor. Dirigiu Bette Davis no filme “Dangerous”/“Mulher Perigosa” que deu a Bette Davis, o Oscar para a melhor actriz  do ano de 1935.

“Memórias de um Pinga-Amor” de Groucho Marx, Edição 117, Setembro de 1987, Assírio & Alvim, Lisboa. Versão traduzida por Wanda Ramos, com ilustrações de Leo Hershfield, da versão original de 1963 – “Memoirs of a Mangy Lover, By Groucho Marx”.

20180518

"Sobre Cinema" de Jorge de Sena


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Este livro com esmerada concepção gráfica de Luís Miguel Castro, é mais uma das pequenas jóias da minha, modesta, biblioteca. Recolhe textos que Jorge de Sena escreveu entre os anos de 1946 e 1966, ano da sua morte e foi publicado no âmbito da comemoração dos 40 anos de actividade da Cinemateca Portuguesa.
Jorge Cândido de Sena nasceu a 2 de Novembro de 1919 em Lisboa e foi engenheiro, formado pela Faculdade de Engenharia do Porto, mas foi principalmente um cidadão empenhado, escritor e poeta. Em 1959 exilou-se no Brasil, onde se doutorou em Letras e ensinou Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa. Em 1965 mudou-se para os E.U.A. com esposa Mécia de Sena, com quem teve 9 filhos, e foi Professor Catedrático na Universidade do Wisconsy e mais tarde na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia. Faleceu em Santa Bárbara em 4 de Junho de 1978 e viveu como um inconformado. Aliou o drama e o sarcasmo que por vezes se confundia com azedume e arrogância. Da sua vasta obra saliento: Obra poética – Poesia - I (1977), Poesia - II (1978) e Poesia - III (1978); Ficção – O Físico Prodigioso (novela 1977), Andanças do Demónio (conto 1960) e Antigas e Novas Andanças do Demónio (conto 1978), Sinais de Fogo (romance 1979); Teatro – O Indesejado – António Rei (1951) e Amparo de Mãe e mais cinco peças em um acto (1974); Ensaio – Da Poesia Portuguesa (1959), História da Literatura Inglesa (1959/1960), Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular (1969) e Fernando Pessoa & Cª Heteronímica (1982).
Voltando ao livro e ao cinema, cito - “Sinto-me tentada a dizer que Jorge de Sena e a arte do cinema cresceram juntos. Isto porque, ainda criança e nos anos 20, a sua paixão sem exuberância de saber de tudo aprender, lhe foi alimentada por uma avó “cinéfila” que comprava revistas da época e que tinha assinatura nos cinemas onde as primícias se exibiam. E com essa Avó materna ou com a Mãe, tudo foi vendo avidamente.” (...) Mécia de Sena – Santa Bárbara, 15 de Junho de 1987.
Este volume reúne belas fotos com breves e excelentes textos à volta de filmes e autores como: Charlie Chaplin - Charlot, Hoje e Sempre, A Bela e o Monstro – Jean Cocteau, Almas Perversas – Fritz Lang, O Silêncio é de Ouro – René Clair, Breve Encontro – David Lean, Matou! – Fritz Lang, Milagre de Milão – Vittorio de Sica, Rio Sagrado – Jean Renoir, Crepúsculo dos Deuses – Billy Wilder, Algumas Notas sobre MacBeth e Otelo – Orson Wells.
Jorge de Sena foi um Cinéfilo e um Cineclubista, o romance “Sinais de Fogo” (1979, romance póstumo) foi levado à tela, em 1995, por Luís Filipe Rocha numa produção conjunta entre Portugal, Espanha e França.

"Sobre Cinema" de Jorge de Sena
Organização e Introdução de Mécia de Sena e Co-organização e Notas de M. S. Fonseca, Edição da Cinemateca Portuguesa, Lisboa, 1988

20180516

"DO CINEMA" de Jorge Luís Borges e



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Este livro reúne diversos textos de Jorge Luís Borges sobre Cinema - breves comentários sobre filmes e curtos enredos/ficções para películas, textos publicados nos anos 30 e 40; um Prólogo de Adolfo Bioy Casares – um escritor amigo e colaborador de J.L.B., natural de Buenos Aires e ainda ensaios de Edgardo Cozarinsky - realizador, argumentista e actor , outro amigo de Buenos Aires, que coligiu os escritos.
Num dos seus interessantes textos – “Sobre a Dobragem” - publicado na revista Sur nº 128 de Junho de 1945, Borges escreveu o seguinte:
“As possibilidades da arte de combinar não são infinitas, mas costumam ser espantosas. Os gregos engendraram a quimera, monstro com cabeça de leão, com cabeça de dragão, com cabeça de cabra; “ (...)
“Hollywood acaba de enriquecer esse vão museu teratológico; por obra de um maligno artifício que se chama dobragem, propõe monstros que combinam as ilustres feições de Greta Garbo com a voz de Aldonsa Lorenzo. Como não tornar pública a nossa admiração perante esse prodígio penoso, perante industriosas anomalias fonético-visuais ?” ( ...)
“A voz de Hepburn ou de Garbo não é contigente; é, para o mundo, um dos atributos que as definem. E cabe ainda recordar que a mímica do inglês não é a do espanhol.”
“Mais de um espectador se interroga: Já que há usurpação de vozes, porque não também de figuras ? Quando teremos o sistema perfeito? Quando veremos Juana González directamente no papel de Greta Garbo, no papel da Rainha Cristina da Suécia?”
Esta discussão continua actual, a regra em Portugal continua a ser a legendagem, de vez em quando, vozes discordantes, defendam o fim desta prática. No lugar dos monstros, prefiro as versões originais e as legendas. Não será a dobragem a levar mais espectadores às salas de cinema, mas sim a qualidade dos filmes e o seu inigualável poder de atracção - de preferência em salas bem concebidas, com boas condições de imagem, som , conforto e sem pipocas... de preferência !
Jorge Francisco Isidoro Luís Borges Acevedo, escritor argentino (Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899 – Suiça, Genebra, 14 de Junho de 1986) foi poeta, ensaísta e grande escritor de contos. Apaixonado pelos livros e pela leitura foi um ávido leitor de enciclopédias! Nem a progressiva cegueira que o atacou a partir da década de 50 o impediu de continuar a escrever e de “ler” muito.

“DO CINEMA” – Jorge Luís Borges e Edgardo Cozarinsky
Título original – "Borges En/y/Sobre Cine"
Tradução de: Ana Fonseca e Silva e Salvato Teles de Meneses
Colecção Horizonte de Cinema – Livros Horizonte, Lda. – Lisboa, 1983, 120 Páginas

20180504

"Anfitrião" de Plauto


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Esta peça teatral conta uma “estória”, bem conhecida, a de um “corno manso”, só que com uma variante, a coisa acontece entre deuses e homens. É uma comédia de Plauto (254 ? – 184 a.C. ?) e é um dos escritos mais antigos da Literatura Latina. Das cerca de 130 obras atribuídas a este autor, apenas chegaram até nós 21, entre as quais se encontra, felizmente, este “Anfitrião”.
Embora Plauto se tivesse inspirado nos modelos gregos, introduziu diversos elementos ao gosto romano: canções e danças. As confusões e enganos característicos das comédias gregas foram e muito bem, transpostas para a sociedade romana. Plauto tinha um grande sentido de humor, conhecia bem o seu povo e utilizava o latim popular. Foi muito apreciado na sua época e grandes dramaturgos como: António José da Silva (O Judeu), Camões, Heinrich von Kleist, Molière e Shakespeare devem-lhe muito. Criou muitas personagens tipo que continuaram e continuam a ser usadas, ficou na História como o maior comediógrafo latino. Fez rir quando Roma atravessava momentos difíceis e também por isso o povo acorria em grande número para ver as representações.
Quanto ao conteúdo desta comédia, nada melhor do que dar a palavra ao seu autor:
“Argumento I“ - “Júpiter, sob a aparência de Anfitrião, que andava em guerra contra os Teléboas, tirou-lhe a esposa, Alcmena, e dela desfrutou. Mercúrio assume o aspecto do escravo Sósia, também ausente; Alcmena cai na esparrela.”
“Ao regressarem a casa, o verdadeiro Anfitrião e o verdadeiro Sósia são, um e outro, objecto de troça extraordinária. Daqui nascem as discussões e a confusão entre marido e mulher, até que Júpiter, fazendo ouvir do alto do céu a sua voz no meio de um trovão, confessa o adultério.”
Vejam esta situação, contada no Prólogo por Mercúrio (filho de Júpiter e colaborador no embuste), o protector dos comerciantes e dos ladrões, revela aos espectadores que o seu pai engravidou a esposa do General, que já estava grávida do marido : (...) “tantas lhe deu que...” e por supremo e invejado poder: (...) “E meu pai está, neste momento, aqui dentro, na cama com ela e, por esse motivo, foi esta noite prolongada: é o que acontece, sempre que ele está no gozo com qualquer fulana do seu agrado”.
Depois de tudo esclarecido, Anfitrião ficou contente pela honra dada à sua casa e por ser marido de uma mulher, Alcmena, cobiçada pelo deus. A sua esposa gerou e pariu o seu filho e um semideus, Hércules. Pobre Juno, a esposa traída e ciumenta exacerbada, foi mais uma vez vítima das escapadelas do marido a quem fazia a vida negra. A partir desta comédia, anfitrião passou a designar “aquele que recebe na sua casa” e sósia “um duplo de outra pessoa”.

Tito Maccio Plauto nasceu em Sarsina, na antiga Umbria, actual Norte da Itália, de família pobre e morreu em Roma, para onde foi viver ainda jovem. Fontes, pouco seguras, dizem que trabalhou nos bastidores do teatro e foi comerciante. Maus negócios levaram-no à ruína, fez-se moleiro e começou a escrever as suas comédias. Regressou ao Teatro, agora como autor, teve muito êxito e passou a ser um cidadão estimado e muito rico. As suas principais obras são: “Anfitrião”, “Aulularia”, “O Soldado Fanfarrão”, “Os Menecmos”, “Persa”, “Pseudolus” e “Vidularia”.

“Anfitrião” – Peça em 5 Actos, 3ª Edição em português: Janeiro de 1988, Autor – Plauto (Introdução, versão do latim e notas de Carlos Alberto Louro Fonseca), Capa de Louro Fonseca, Textos Clássicos – 1, Instituto Nacional de Investigação Científica, Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra.

20180418

“Eu, Lúcio memórias de um burro”


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É bem acertada a nota constante da contracapa – “Embora se trate de uma edição crítica, vocacionada para estudiosos universitários, este livro será certamente também do agrado do público em geral, já que pode ser lido por pura recreação.” Confirmo! já me diverti e continuarei a divertir com a leitura deste pequeno volume de 151 páginas, edição bilínge – português e grego.
No Prefácio é apresentado o autor: Luciano, mais conhecido por Luciano de Samóstata, nome da capital do antigo reino de Comagena, no norte da Síria e na margem direita do rio Eufrates, de onde Luciano era natural, é feita uma pequena resenha da sua vida e da importância da sua obra. Da sua biografia sabe-se muito pouco e foi reconstituída a partir de dados e pistas existentes nos seus livros. Mas onde acaba a ficção e começa a realidade? Ele próprio dizia que nos seus escritos a mentira era algo de muito corriqueiro! Terá escrito cerca de 80 obras e mesmo um relato de uma fantástica viagem à Lua (“História Verdadeira”) e previu a existência de vida extraterrestre. Nasceu pobre, terá vivido entre os anos de 125 e 185, foi aprendiz de escultor, na oficina de um tio que terá sido  um excelente escultor, mas rapidamente mudou de rumo e foi estudar retórica chegando mesmo a exercer a profissão de advogado. Viajou muito pela Ásia Menor, Grécia, Roma e Gália. Tinha uma larga erudição pois fez muitas referências a grandes filósofos, como Platão, Heráclito e Aristóteles; grandes poetas, como Homero e Hesíodo; e principalmente historiadores, como Heródoto, Xenofonte e Tucídides. O seu maior período de actividade literária coincidiu com o governo de Marco Aurélio, entre 161 e 180. Na velhice aceitou, por motivos económicos, um lugar na Administração Imperial do Egipto. Foi fonte de inspiração para autores com Erasmo, Thomas More, Rabelais, Voltaire, Montesquieu, Cervantes e Machado de Assis.
A história contada neste livro é a de um homem que por magia se vê transformado em burro, mantendo todas as suas capacidades e das vicissitudes porque passa até finalmente recuperar a forma humana.
Tudo aconteceu dest maneira: Lúcio foi a Tessália para fazer um negócio a mando do pai, passou pela cidade de Hípata e hospedou-se em casa de um conhecido, Hiparco, que tinha fama de avarento, uma bela esposa e uma criada bem jeitosa. Chegou apresentou-se, foi recebido e algum tempo depois estava bem aboletado e a papar a criada - “a muito viva e engraçada Palestra”. Mas Lúcio estava muito interessado em apreciar os poderes da patroa que tinha fama de feiticeira e lasciva. Depois de algumas noites de assanhada luta amorosa com a moça (palestra = luta) chegou, finalmente, a oportunidade de espreitar a senhora. Lúcio e Palestra assistiram à assombrosa transformação da mulher em coruja, para voar e ir juntar-se ao seu amante, enquanto o marido dormia.
Entusiasmado Lúcio rogou à moça que o ajudasse a experimentar a magia que vira. A coisa resultou mal. A jovem confundiu a caixa que guardava o produto mágico e Lúcio viu-se transformado em burro. Palestra desculpou-se e disse ao seu querido que tivesse paciência que logo pela manhã tudo se resolveria. Bastava comer algumas pétalas de rosa para desfazer o encantamento. Lúcio ficou convencido e foi para o curral onde sabia estar o seu cavalo e um outro burro.
Por azar nessa mesma noite, a casa foi assaltada, os seus moradores amarrados e a casa totalmente esvaziada. O burro – Lúcio, também foi roubado e excessivamente carregado com o produto do roubo. Só depois de muitas vergastadas, mudanças de dono, variadas peripécias e muito gozo sexual, o burro que estava a ser exibido no Anfiteatro para cobrir uma mulher, pode deitar a boca a umas rosas e devorá-las. Então todos ficaram estupefactos ao ver que “o envelope exterior da besta” desapareceu e Lúcio ficou nu e em risco de ser lançado de imediato na fogueira. Por fim safou-se graças ao governador que o reconheceu como filho de amigos e o levou consigo. Antes de regressar à casa paterna ainda foi visitar uma mulher que se apaixonara por ele, enquanto vivia sob a forma de burro. Foi muito bem recebido, todavia como o seu instrumento, em tamanho, ficava aquém do da besta, foi rapidamente rejeitado e expulso para a rua todo nu...

“Eu, Lúcio memórias de um burro” – Luciano
Prefácio , tradução e notas de Custódio Magejo – Prof. da Faculdade de Letras de Lisboa
Colecção Clássicos Inquérito, Editorial Inquérito, Lda., Lisboa 1992

20180312

"O Azulejo - Técnicas e Padrões"


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"O Azulejo - Técnicas e Padrões" de Ana de Jesus  Rui L. Almeida, Viseu 2006 

"O azulejos não é um arte menor, é um material decorativo com grandes potencialidades de revestimento interior e exterior, atribuindo aos ambientes uma beleza específica de cor, brilho e desenho. O nosso azulejo assimilou várias influências artísticas que mestres e operários souberam explorar com expressividade, tendo em vista um sentido monumental na aplicação."

20180119

"Viseu Futebol" Vol. 1 de Carlos Costa


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"Viseu Futebol", Vol. 1 para que não se perca no tempo... a memória do futebol viseense", de Carlos Costa, capa de Design Compacto, Tipografia Beira Alta, Lda., Viseu, Outubro de 2004

20171115

Sugestões de Leitura


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"Construindo a Cidade: Viseu nos séculos XVII e XVIII, Liliana Castilho, 212 pp. 2017, ISBN: 978-972-36-1579-1, Edições Afrontamento em coedição com CITCEM.
O presente livro baseia-se, embora com as necessárias adaptações, e excluindo o volume documental, na Tese de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2012. Através da análise documental, de fundos locais e nacionais, e da observação das permanências, procurou-se estudar a evolução urbana da cidade de Viseu ao longo dos séculos XVII e XVIII, acompanhando as alterações dos quadros mentais e políticos e dos modelos estéticos. Este estudo encontra-se dividido em três blocos: Morfologia Urbana, Arquitetura Pública e Habitação" (...)

"Liliana Castilho. A autora é Licenciada (2003) e Mestre (2007) em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Pós Graduada em Recursos Patrimoniais (2004) e Doutora em História da Arte (2012) pela mesma instituição.Investigadora integrada do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória», Faculdade de Letras da Universidade do Porto.Trabalhou na Direção Regional do Porto do Instituto Português do Património Arquitetónico, Divisão de Salvaguarda, Secção de Classificação do Património. Atualmente é Docente da Área de Ciências Sociais do Departamento de Comunicação e Arte da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu." (...)

20170217

"O Domínio Romano em Portugal"


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Em 1973 foi publicado "Portugal Romano" do Professor Jorge de Alarcão que viria a ser uma obra de referência. Novos dados revelados depois de inventariadas cerca de 2800 estações romanas permitiram ao autor alargar a temática do seu anterior trabalho e apresentar novos dados e conclusões. "O Domínio Romano em Portugal" resultou desses estudos e reflexões, alargando consideravelmente a temática da obra anterior e  passou a abordar assuntos como as divisões político-administrativas do território.
4ª edição, Publicações Europa-América, Colecção "Forum da História", Lisboa, Fevereiro de 2002. Capa  de Estúdios P.E.A. ( Pátera romana representando a expedição de Perseu contra Medusa)

20170215

"Lusitanos no Tempo de Viriato"


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"(…) a obra do Doutor João Inês Vaz é extremamente útil e interessante, uma vez que propõe uma peregrinação no tempo, que nos leva às nossas raízes como povo anteriores ao Império Romano. E o leitor terá uma agradável surpresa ao encontrar uma análise informada, competente e acessível, sem tentação simplificadora, que responde a muitos dos enigmas que se nos põem quando falamos dos ‘nossos antepassados’ lusitanos."

Guilherme d’Oliveira Martins, in "Prefácio"

"Temos (…) todos nós a cabeça pejada de ideias feitas sobre este povo tão misterioso, quanto falado, tão mitológico quanto desconhecido.(…)
Como era a língua lusitana? Como se escrevia? Existia uma escrita para a língua lusitana ou era apenas falada, como se pensa? Porque praticaram os Lusitanos uma guerra tão feroz contra os Romanos? São apenas algumas questões que nos colocamos, às quais procuramos dar uma resposta (…).
Os Lusitanos e o Viriato que colocamos nas mãos do leitor são os que a Arqueologia, as inscrições sobre pedra e as fontes escritas romanas nos deixaram e não aqueles que a historiografia e a arte fantasiosa nos transmitiram."

João Luís Inês Vaz, in "Introdução"

20170109

"A Voz dos Deuses" - João Aguiar


"Muitas coisas, verdadeiras e falsas, foram ditas sobre Viriato. Como acontece com todos os grandes homens, ele transformou-se numa lenda e as lendas, regra geral, são injustas mesmo para aqueles que pretendem glorificar. Por exemplo: ouvi não poucos disparates e exageros sobre a força e a bravura do Comandante (ele era um herói, não um deus); em contrapartida, ficaram esquecidos, por menos espectaculares, verdadeiros prodígios de estratégia, diplomacia e eloquência."
"A Voz dos Deuses" de João Aguiar, 28ª edição (p. 248), Edições Asa, Porto, Dezembro 2007

"A Voz dos Deuses" de João Aguiar publicado pela primeira vez em 1984 é considerada a obra literária mais importante escrita sobre Viriato, em Portugal no século XX, não apenas pelo rigor histórico pois é um romance histórico baseado em documentação antiga, em estudos arqueológicos e etnográficos mas especialmente por ser uma das mais lidas.

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"Viriato - O Filho Rebelde" - Sónia Louro


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"Após um período de paz, na segunda metade do séc. II a.C., as Hispânias (actual Península Ibérica), voltaram a conhecer períodos conturbados devido ao levantamento de alguns povos locais que não se conformavam com o jugo romano. Enquanto isso, Viriato, como todos os jovens, pensava saber todas as respostas e conhecer todas as verdades. Impelido pela comparação entre a sua audácia e a serenidade de Aurelur, seu pai, julgava ver nela cobardia. A acomodação que Viriato pressentia no pai exasperava-o, ao ponto deste se ver obrigado a colocá-lo fora de casa, não como um castigo, mas para que o filho visse o mundo, conhecesse a guerra. Aurelur pretendia que Viriato voltasse outro homem desta caminhada. Ele voltou, mas não como o pai tinha imaginado..."

"Viriato - O Filho Rebelde" de Sónia Louro (Romance Histórico), 1ª Edição 2006, Via Occidentalis Editora, Lda., Capa de Luís Rodrigues, pormenor de "La muerte de Viriato" de Jose de Madrazo y Agudo (Museu do Prado - Madrid).

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"Viriato - A Epopeia Lusitana"


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"Viriato - A Epopeia Lusitana"  de Teófilo de Braga, Editora Zéfiro, Clássicos Zéfiro, 1ª Edição, Sintra, Março de 2009
"Viriato, é uma narrativa histórica sobre A Grande Epopeia da Lusónia, cujo símbolo está encarnado no mítico chefe lusitano, que sonha com uma terra liberta do jugo romano. Esta obra é de autoria de Teófilo Braga, um dos grandes vultos da cultura portuguesa. Para além de se dedicar à história da literatura portuguesa e aos estudos etnográficos, escreveu poesia, ficção e filosofia. Foi igualmente Presidente da República, eleito em 1915."

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"VIRIATO" - Teófilo Braga


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"Viriato" de Teófilo Braga, Editora Fronteiras do Caos Editores, Lda., 1ª edição, Porto - 2006

(...)" Esta obra é também recolha de tradições populares, de cantigas e de poesia, mergulhando nas origens dos Lusitanos e contando fantasiosos episódios. Viriato é o herói mítico, com uma roupagem homérica, destemido, astuto e conhecedor de todos os …“montes e vales, covões, algares, cavernas e passagens de vaus de ribeiras e de caudalosos rios”.
Narrava o general e procônsul Caio Lellio, no ano de DCIX da fundação da cidade, para o Senado de Roma que …“cumpre ter presente que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das nações hispânicas e que achando‑se já subjugadas todas as outras, é esta que se atreve ainda a deter as armas romanas”.(...)


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"Viriato"- Leonel Abrantes


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“Viriato” - Monografia de Leonel Abrantes, Edição do autor - Edições Estrela, Folgosinho, Maio de 2000, Capa desenho do escultor Lopes Cardoso.
Leonel Augusto de Almeida Abrantes, nascido 1920, em Folgosinho aldeia do Concelho de Gouveia que por tradição diz ter sido o berço do "general-pastor", é o autor desta "despretensiosa mas cuidadosamente elaborada e fundamentada" obra que pretende responder a várias perguntas: Quem foi Viriato? foi uma personagem verdadeira ou uma invenção? como se notabilizou? terá na verdade merecido as homenagens de várias terras portuguesas e espanholas?