EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20100915

Feiras Anuais de Viseu



Segundo o P.e Leonardo de Sousa – Memórias Históricas e Cronológicas dos Bispos de Viseu, Tomo II, página 206

(…) “- foi D. João I logo nos começos do seu reinado (1386), o fundador, em Viseu, de uma feira anual, livre de metade da sisa, a começar em 23 de Abril, dia de S. Jorge, defensor Reino.
Em Viseu estabeleceu o Mestre de Avis a sua Côrte durante algum tempo, aqui lhe nasceu o primogénito – D. Duarte – e de Viseu lhe foi prestado valioso auxílio nas guerras com Castela, pelo que natural seria que este monarca tratassse esta cidade com especial deferência. D. Duarte confirma a concessão do Pai nos começos do seu reinado, embora depois, por motivos ignorados, a Feira deixasse de se fazer por algum tempo.
Dentro em breve os procuradores de Viseu, nas Côrtes de Santarém, pedem, mas em vão, o restabelecimento da Feira.
No entanto não desistem, pois em breve o voltam a fazer nas Côrtes de Évora, sendo então o pedido deferido por D. Duarte – em memória de ter sido nesta cidade o seu nascimento – tendo concedido a Feira com todos os privilégios outorgados à de Trancoso, menos sisa (Carta de Estremoz, de 17-IV-1436) – e ainda que fosse três dias franca, mercê concedida em Almeirim.

Temos notícia de – no Cap. 3º das Côrtes de Évora, referente à Feira Franca de Viseu – haverem sido requeridas ao Infante D. Pedro, Regente, providências contra o facto de “alguns fidalgos coândo vão a ella (à Feira) sellançam por ottermo da cidade e pousão por as aldeyas destroindo os lavradores do que tem, tomando-lhes pão, vinho, carnes e galinhas, cevados, palhas, roupas e outras muitas cousas não lhe pagando coisa algmua: seja vossa mercê mandardes que seos ditos fidalgos… pousem na cidade, nas estalagens ou por a cidade e paguem as pousadas e camas…”
Respondeu o Infante, Regente: … “que nenhum não pouse nas aldeyas nem casais de lavradores, salvo se forem suas próprias e os que à dita feira quizerem hir que pousem dentro da cidade sem constrangimento para ninguém e paguem aposentadoria sob pena de çem crôas para as obras dos muros da cidade de Viseu.

Dr. José Coelho in "A Feira Franca de Viseu", "Beira Alta - Arquivo Distrital", Volume XIX, Fasc. III (3º Trimestre), Viseu 1960

P.S. - Evidentemente que estas não eram a "Feira de São Mateus" que apenas se iniciou, com autorização de D. Manuel I, em 1501 e em 1510 foi transferida da cidade para a Ribeira onde permanece.
Viseu teve feiras anuais com privilégios, duração e épocas de realização diversas que foram concedidas por D. João I, D. Duarte, Regente D. Pedro, D. Afonso V e finalmente D. Manuel I. Portanto a indicação inserida no programa oficial: "Feira de S. Mateus/1392-2010/618 anos" , será pouco rigorosa
[ligação].

20100910

As Barracas da Feira de Viseu



O INFANTE DOOU À SÉ DE VISEU OS RENDIMENTOS DAS BARRACAS DA FEIRA

Se os rendimentos das barracas ou boticas da Feira pertenciam ao Infante D. Henrique, parece que, com os restantes bens do Ducado, haveriam passado também à Corôa, depois da morte da Infanta D. Maria, (…) desconhecendo-lhe outro destino.
O certo é, porém, que assim não sucedeu, pois, tendo falecido o Infante, como de disse, em 13 de Novembro de 1460, antes, por Carta de 22 de Setembro do mesmo ano, documento que me foi revelado pelo saudoso amigo Sr. Dr. Augusto de Matos Cid, (…) “dispondo da renda da Feira, como coisa sua”, doou os mesmo rendimentos à Sé de Viseu com a condição do respectivo cabido os mandar arrecadar e consertar as barracas, e dar 6 onças de prata a um capelão que diga todos os sábados uma missa de Santa Maria em sua vida e depois da sua morte, e missa cantada em dia de S. Jorge na sua capela da Cava, e outras mais condições e sufrágios por sua alma e da dos freires da Ordem de Cristo, constante do mesmo testamento.
Sabemos que a Sé de Viseu usufruiu tais rendimentos até aos fins do séc. XVIII, ocasião em que, por qualquer motivo, os deixou perder pois passaram para a Câmara Municipal de Viseu, a qual ainda hoje os usufrui por mercê real, posse confirmada por D. Maria I, por Provisão de 19 de Julho de 1797, provocada por arbitrária apropriação do Juíz de Fora, de Viseu, Francisco António da Silva, então corregedor.

Dr. José Coelho (1) "A Feira Franca de Viseu" na revista "Beira Alta - Arquivo Distrital", Volume XIX, Fascículo III (3º Trimestre) , Viseu 1960.

P.S. - A melhor que a inovação da feira recebeu, graças ao Programa Polis, foi a exigência de "barracas" para a restauração, com boas condições de higiene e algum conforto. Algumas das anteriores instalações mais pareciam saídas de um bairro de lata.
1 - José Coelho, arqueólogo viseense (1887 – 1977).

20100909

Feira Franca de São Mateus


(...) "A Feira realizou-se inicialmente dentro da Cava de Viriato junto da Capela de S. Jorge, que ali havia em sítio que se ignora, porém, subindo D. Manuel I ao trono e pedindo-lhe a cidade de Viseu a confirmação da Carta dada por D. Duarte, pedindo-lhe simultâneamente “licença para ser feita dentro da cidade por coanto na Cava se faziam cousas de pouco serviço de Deus e nosso e de muita desonestidade” – razão porque havia já 4 anos, a feira não se fazia… D. Manuel deferiu o pedido e determinou que a Feira voltasse a fazer-se em dia de S. Jorge, como inicialmente – Carta de 30 de Abril de 1501.
Como porém a Feira se desenvolvesse a ponto de não caber dentro da cidade, por falta de logradoiros ou rossios, foi então, depois de 1510, transferida definitivamente para o Largo da Ribeira, então conhecido também por Campo de S. Luís e depois Campo de São Mateus.
(…)
Esta mudança coincidiu com a mudança da época da Feira, a qual passou a realizar-se na 2ª metade de Setembro a começar no dia 15. Também daí em diante passou a designar-se Feira Franca de S. Mateus, pois, este santo passou a ser o títular, e francos os três dias de 20 a 22 de Setembro, ou sejam o dia 21 – Dia de S. Mateus -, a véspera, 20 e o dia seguinte, 21 tradição que deverá manter-se." (...)

Dr. José Coelho "A Feira Franca de Viseu" in "Beira Alta - Arquivo Distrital", Volume XIX, Fascículo III (3º Trimestre) , Viseu 1960.
P.S. - Precedendo a Feira de São Mateus outras feiras houve em Viseu mas com outros nomes e datas de realização, essas ficam para próxima oportunidade. Na imagem a "Porta de São Mateus" da edição de 2010.

20100213

Jornal "O VIRIATO"



"O VIRIATO" - Jornal Político, Instructivo e Commercial que poderá ler na "Biblioteca Nacional Digital" da "Biblioteca Nacional de Portugal" [ligação].
Retirado da "Tertúlia de Viriato" do amigo "Bazookas" [ligação]

20091207

Viseu, Morada e Berço de Reis

(...)"Viseu foi temporariamente côrte d'alguns reis de Leão. Suppõe-se que residiram no paço da fortaleza romana, onde hoje se vê o claustro, mandado fazer por D. Miguel da Silva no chão do dicto paço, que D. João II para esse fim lhe concedeu. Também ali residiu algum tempo a nossa rainha D. Theresa, mãe de D. Affonso Henriques, - e em Viseu mais tarde residiram (não sabemos onde) temporariamente alguns reis, como D. João I (...) mas é provavel que fosse nos antigos paços reaes em que residiram a rainha D. Theresa e talvez os reis de Leão, que eram dentro da fortaleza romana (...)
Também n'esta cidade se reuniram outr'ora algumas grandes assembleias convocadas pelos nossos reis e denomindas côrtes. Eram constituidas pelos procuradores das nossas differentes cidades e algumas villas, e nas dictas côrtes os procuradores visienses occupavam o 7º logar no 2º banco. O 1º assento peretencia aos de Lisboa, o 2º aos d'Evora, o 3º aos do Porto, o 4º aos de Coimbra, o 5º aos de Santarem e o 6º aos de Braga. Era pois Viseu a 7ª povoação mais importante do nosso paiz (...)
(...) El-rei D. Duarte, filho de D. João I.
Nasceu n'esta cidade no dia 31 d'outubro de 1311 e falleceu em Thomar no dia 9 de setembro de 1438, tendo reinado apennas 5 annos." (...)

Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal e Pedro Augusto Ferreira in "Portugal Antigo e Moderno, Diccionario", Lisboa 1890
D. Duarte, escultura de Álvaro de Brée erigida em 1955 na antiga Praça de Camões [ligação], em substituição do busto do grande poeta, que recebeu o nome de Praça D. Duarte. [ligação]

20090919

A Feira de Viseu




.
(...) Francisco Manuel Correia, na sua interessante Memoria m8, diz que esta feira principiou em 1188 por alvará d'el rei D. Sancho I, mas Berardo (Liberal de 24 de junho de 1857) diz que se ignora completamente a data de origem d'esta feira e presume que deve o seu principio á festa e romagem que no dia 23 d'abril costumava fazer-se a S. Jorge, na sua capella dentro da Cava de Viriato, porque (diz elle) - "O tracto e commercio dos nossos era muito escaço, e as romarias forão ocasião do estabelecimento de muitas feiras, onde os concorrentes de passagem, trocavão e vendião os seus haveres." (...)

Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal e Pedro Augusto Ferreira in "Portugal Antigo e Moderno, Diccionario", Lisboa 1890
Os azulejos representando três aspectos de uma feira beirã fazem parte do monumental painel existente no Rossio que foi encomendado ao premiado pintor Joaquim Lopes (1886-1956), pela Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu, em 1931 e foram executados na Fábrica do Agueiro de Vila Nova de Gaia.

20090426

Viseu, Cava de Viriato



(...) “Os fados porque tem passado o nosso monumento da Cava, tem-lhe sido pouco favoraveis. D’antigas Memorias sabemos que em 18 de abril de 1461 o cabido da Sé de Vizeu tomára posse da Cava de Viriato em terras que até áquelle tempo erão de Reguengo. Achava-se então com portas que se abrião e fechavão, como fosse necessário, e dentro havia huma capella do titulo de S. Jorge.”
“Huma ordem regia do anno de 1728 mandou que a Cava de Viriato fosse medida e apêgada. Achou-se que ainda então os muros, ou aterros, tinhão trez lanças d’altura com 40 palmos de largura no cimo. He provável que na sua origem rematassem em cavallete, pelo que já advertimos.”
“Segundo o auctor do Elucidário a lança era huma medida agraria, que constava de 25 palmos craveiros.”
“Os muros derão um circuito de 3:065 passos andantes, apresentando quatro grandes aberturas, que tiverão cantaria com portas; obra dos mesmos romanos. Existia sómente o vão dos portaes, porque a pedra, como refere Fr. Manoel da Esperança, fôra tirada para a edificação do convento de S. Francisco d’Orgens; o que alguns affirmão ter sido por provizão de D. Afonso V. Entretanto podemos assegurar que no cartório daquelle extincto convento não existia este documento.”
“A camara municipal, em Junho de 1818, a instancias do general da provincia, António Marcellino Victoria, mandou levantar marcos pelo circuito interno e externo dos muros da Cava; porem esta providencia baldou-se, porque já dantes os lados orientais, equados ao solo, se achavão alienados em aforamento; e os restantes continuarão , sem embargo, a ser acommetidos pelas cerceaduras e escavações dos possuidores das glebas contiguas. Finalmente este monumento veneravel parece que se vai despedindo da geração actual, e a seguinte por certo que não tardará a derrear-lhe o dorso por essas planicies. Saudemol-o pois!... já que os homens da governança não querem intender nestas archeologias, e os cobiçosos visinhos vão cavando para si.” (...)

José de Oliveira Berardo, citado e Pedro Augusto Ferreira in, "PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO" de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira, Bacharel em Theologia pela Universidade de Coimbra, cavalleiro da ordem da Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, socio effectivo da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, socio fundador da Sociedade de Instrucção do Porto e abbade de Miragaya na mesma cidade. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

20090331

Azulejos de Viseu - Rua Direita


(...)"A rua Direita corta Viseu em sentido longitudinal, ou de nascente a poente, pelo que muito impropriamente tambem outro'ra serviu de divisão às 2 freguezias Oriental e Occidental da Sé, a qual demora ao poente da dicta rua e distante d'ella.
Esta rua é uma enfiada de tres antigas ruas:-rua de S. Martinho na sua parte leste;-rua dos Cavalleiros na sua extremidade O, desde o arco do palacete dos Albuquerques até ao arco do convento;-e rua Direita, propriamente dicta, a parte central."(...)

Retirado de “PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO...” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

20090224

Azulejos de Viseu - Rua Direita

(...) "Tem hoje Viseu 55 ruas de 1.ª 2.ª e 3.ª classe. As mais importantes são as seguintes:
1.ª Rua Direita." (...)

"(...) A Rua Direita ainda não mudou de nome, sendo aliás uma perfeita antiphrase d'ella, pois denominando-se direita, é uma das mais tortas, como succede com as ruas de igual nome em todas as outras nossas cidades.
É muito torta, muito antiga e uma das mais estreitas e mais immundas, mas muito central, muito extensa, a mais comprida de todas e revestida de casas, avultando entre ellas algumas das melhores de Viseu" (...)

Retirado de “PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO...” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

Muito mudou pois há muitas décadas e graças ao bom trabalho dos vereadores da câmara municipal e a sucessivas gerações de trabalhadores anónimos a nossa cidade se pode orgulhar de ser uma das mais limpas de Portugal.

20090205

Aldrabas, Batentes e Portas de Viseu


Esta velha porta revestida com folha de flandres e a aldraba que fotografei no Campo de Madalena talvez sejam ser contemporâneas da seguinte descrição da freguesia do Campo, escrita pelo cura da freguesia Luis de Seixas Gomes e datada de 4 de Julho de 1758. Transcrição, com o devido agradecimento, a João Nunes de Oliveira - "Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - 1. Viseu" [ligação]

(...) “3 – Tem toda a dita freguezia do Campo cento e outenta e coatro fogos, seis centos e quarenta e sinco pessoas, em o lugar do Campo há vinte e seis fogos, pessoas cento e nove, no lugar de Villa Nova sam çeçenta e dois fogos, pessoas duzentas e sete, no lugar de Mozellos há sincoenta e hum fogos, pessoas cento e setenta e uma, no lugar de Moure de Magdalena há trinta e outo fogos, pessoas cento e vinte e sinco. Bassar tem sete fogos, pessoas trinta e três.
4 - O lugar do Campo cabeça da freguezia esta cituado em campina, e dele se descobre a cidade e seus arrabaldes, como também a serra de Monte de Muro e a nevada serra de Estrela, e outras mais terras
”(...)

20090129

Azulejos de Viseu



Azulejos pintados por Viriato Silva/Fábrica Constância de Lisboa

(...)"Adro da Sé na frente da cathedral, erguendo-se do lado opposto a egreja da Misericordia - e do lado sul, à direita de quem entra, uma torre do tempo dos romanos, que serviu d'aljube ou prisão eclesiastica, hoje cadeia civil.
É um largo bastante espaçoso, mas desabrido, irregular e nú, sem bancos nem arvoredo." (...)

Retirado de “PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO...” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

20090108

"Quinta da Lagoa"



"Tem coatro vezinhos - 4. Pessoas trese - 13 - dá todo o genero de fructos; sua agoa hé mui salutifera, e fica distante desta cidade bom coarto de legoa"

Vizeu de Setembro 29 de 1758.

Nicolão António Fuigueiredo

Retirado com o devido agradecimento de “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas – 1. Viseu”, de João Nunes de Oliveira .

20090104

A "Cava de Baixo" em 1936



(...) "Following that wooded throughfare, for about 100 metres Viriato's Camp is discovered. In front is seene Viriato's Cave a Lusitano-Roman entrenchment, octogonal shape, and today transformed into a thickly wooded and pleasant promenad." (...)

"Guide to City of Viseu - Portugal" - edição da Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu, Setembro de 1936, fotos de João C. Coutinho e Octávio Bobone, gravuras de Marques Abreu' Studios, impresso na Tipografia Porto Médico, Lda. [Imagem da capa]

20081223

Iluminações de Natal em Viseu


(...) " Tem hoje Viseu 55 ruas de 1.ª, 2.ª e 3.ª classe. As mais importantes são as seguintes:
1.ª - Rua Direita.
2.ª - Rua de D. Luiz I, - antigamente e ainda hoje denominada Rua da Regueira.
3.ª - Rua de D. Maria Pia, - anteriormente e ainda hoje denoninada Rua Formosa.
4.ª - Rua do Principe Real, outr'ora Rua do Soar de Baixo.
Estas e outras ruas largos e praças receberam novos nomes por occasião das festas do centenario de Camões e da vinda de SS. MM. a Viseu, quando se inaugurou solemmente o caminho de ferro da Beira Alta, mas o povo continua a dar-lhes os nomes antigos." (...)
Retirado de “PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO...” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

20081211

Saudades de Viseu no Verão?



(...) "He este campo munto grande e dilatado e povoado de algumas arvores grandes e bem copadas que servem de refrigerio com as suas sombras aos que contratando se acham no mesmo campo e aquy donde estam estas cupadas arvores hé donde se faz o corpo principal desta feira donde se acham grande numero de homens estrangeiros e contratadores de todas as terras da Europa nam so de Espanhois por serem vezinhos mas de franceses aragoneses napolitanos milaneses e genevoeses imperiais ingleses e olandeses malteses e finalmente de todas a naçoins de iropa nam falando nos reyniqullas." (...)

Viso 20 de Julho de 1758
O padre cura da Se
Manoel Lopes de Almeyda

Retirado com o devido agradecimento de “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas – 1. Viseu”, de João Nunes de Oliveira .

20081127

O Fontelo hoje e em 1758


Mais um dos muitos caminhos do Fontelo com folhas de azevinho

(...) "6 – He este sitio o mais alegre e aprasivel que pode formar a natureza e idear a imaginação. Aparecem no circuito do Passo e quinta de Fontello dilatados campos, nos quaes, a qualquer parte que se lance a vista, tem munto por onde se estender em que se divertir: já no chystallino das agoas, já na verdura e louçania das plantas, já no ameno e frondoso das devesas, compostas de castanheiros e carvalhos, realçando com as folhas a delicia da vistat, crescendo com os fructos a utilidade da terra. A cerca e tapada dilatão se na circunferencia da quinta e Passo, quasi de meya legoa, povoada de infinitas arvores; carvalhos há no mesmo sitio que os não abração três homens com os braços estendidos.” (...)
Vizeu de Setembro 29 de 1758
Nicolão Antonio de Fuigueiredo
Respigado, com agradecimentos, de "Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas" de João Nunes de Oliveira que reunem as respostas dos párocos de Viseu ao Inquérito lançado por D. José I em 18 de Janeiro de 1758.

20081123

A "Nova" e Velha Cava de Viriato


(...) “ Este pedaço de muro tão forte e argamaçado, bem mostra não se fazer para uma hora, nem em tão breve tempo como dá a entender a “Mon.ª”, além d’este impossivel, por mais que fosse a gente e continuo o trabalho, estas tres seteiras portas, e cazas das agoas d’esta cidade ou circuito, são tão bem feitas ou labradas que desmentem a deligencia vista a grande preça e necessidade, nem n’ella podia ser tanta, que os forçasse a chegar a tal effeito; e quanto medo havia de haver só da fama, mal provocar contra si as armas do seu amigo. Mostrava ser esta cava n’aquelle tempo enexpugnavel; pois neste depois de tantos centenares de anos está ainda tão forte, que com pouco trabalho estaria a gente mais segura dentro q. nos muros da cidade, por estar quasi toda cercada de agoa; por estar pelo decurso de tempo meio desbaratada, mas ainda nestes vestígios mostra ser cousa fortíssima, e que foi cidade e feita esta cerca para isso.” (...)

Manoel Botelho Ribeiro Pereira nos “Dialogos Moraes e Politicos”, manuscrito datado de 1630, uma leitura curiosa para o conhecimento da história local, embora contendo erros que o estudo científico da História permitiu encontrar.
Página 96 e 97 da edição com prefácio de A. de Lucena e Vale, datado de 20 de Junho de 1955, uma publicação da Junta Distrital de Viseu.
Imagens do troço conhecido como "Cava dos Plátanos", da rua como o mesmo nome e da Vila Batalha depois da "requalificação".

20081111

Azulejos de Viseu - Praça da República


“- Passeio de D. Fernando, - outr’ora Quinta de Maçorim, - depois Campo de Maçorim, feito em parte da mencionada quinta.
Denominou-se também Rocio de Santo Antonio, depois junto d’elle, na parte restante da bella quinta de Maçorim, se fez o convento de Santo Antonio, de frades capuchos.
É hoje o campo e o passeio publico mais bonito de Viseu, mas pouco espaçoso, pouco alindado e muito irregular.
Tem apenas algumas arvores de grande porte, alguns bancos e um pavilhão onde costuma tocar nos domingos e quintas feiras a banda regimental, - e no dicto campo, se erguem os novos Paços do concelho.
Viseu, sendo capital de província e uma cidade tão importante e de tantos recursos (desculpem os viseenses a franqueza) não tem um jardim publico, nem uma alameda, nem um boulevard, avenida ou parque de recreio
!” (...)

Retirado de “PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO...” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

Já se iniciaram as obras projectadas pela equipa liderada pelo Arqui. Carlos Alexandre Graça e adjudicadas por 717.515,58 € + IVA que têm como objectivo a "requalificação da Praça da República".
Soube que desistiram da instalação dos repuxos (géisers) e que entre as várias inovações vão estar os novos candeeiros que poderão substituir o velho coreto e a "Banda do 14" para dar música, todos os dias se necessário, aos utilizadores da praça. Um aviso de amigo - não se esqueçam de tirar a licença... (Azulejos da Fábrica Constância- Lisboa)

20081102

O Outono na Cava de Viriato

A Cava de Viriato e a "passadeira de granito" junto à Vila Ferreira

(...)“Os fados porque tem passado o nosso monumento da Cava, tem-lhe sido pouco favoraveis. D’antigas Memorias sabemos que em 18 de abril de 1461 o cabido da Sé de Vizeu tomára posse da Cava de Viriato em terras que até áquelle tempo erão de Reguengo. Achava-se então com portas que se abrião e fechavão, como fosse necessário, e dentro havia huma capela do titulo de S. Jorge.” “Uma ordem regia do anno de 1728 mandou que a Cava de Viriato fosse medida e apêgada. Achou-se que ainda então os muros, ou aterros, tinhão trez lanças d’altura com 40 palmos de largura no cimo. He provável que na sua origem rematassem em cavallete, pelo que já advertimos.” (...)
José de Oliveira Berardo, citado e Pedro Augusto Ferreira In PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONÁRIO de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, Lisboa 1890.

20081012

A Cava de Viriato com Abraveses em Fundo


Cuidado, vizinho! Veja bem onde coloca os pés...

(...)"Abraveses demora em sitio alto, alegre, vistoso e muito saudavel;- é a séde da parochia e a povoação mais populosa e mais importante d´ella. Conta cerca de 200 fogos e de 850 habitantes,-ruas bem calcetadas e alguns edificios regulares, avultando entre elles a egreja matriz, muita vantajosa e alegremente situada em um espaçoso terreiro arborizado no ponto culminante da mesma povoação, dominando-a toda, bem como a cidade de Viseu, grande numero d'aldeias e um vastissimo horisonte limitado pelas serras do Caramilo e da Estrella."(...)

In "PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO..." de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Editado em Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

P.S. - Abraveses é Vila e há muito que era conhecida com a "Capital das Aldeias" e mais tarde "Abraveses City", título mais que merecido já há séculos como acima se comprova.