EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20161102

Anjo (Asa Quebrada)


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Anjo com asa quebrada, no Cemitério Municipal de Viseu (Velho)

20160905

Visconde do Cerrado


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"Aqui jaz o Marechal de Campo Henrique de Mello Lemos e Alvellos
Nasceu 12 de Março de 1798 e falleceu a 15 de Agosto de 1759
Como tributo de respeito e affecto
Pela sua memória fez erguer este singelo padrão
A saudade sempre viva da sua esposa
D. Anna Máxima da Silva Mello
Descança em Paz"

Inscrição tumular no jazigo dos Viscondes do Cerrado no Cemitério Municipal de Viseu (Velho)

Brasão de armas:
Escudo sob coronel de visconde
Esquartelado: I - Coutinho. II - Coelho. III - Melo. IV - Lemos
de Henrique de Mello Pereira Coutinho de Lemos e Alvellos, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Marechal do Campo,Comendador da Ordem de Avis, Cavaleiro da Torre e Espada, Senhor do antigo Morgado de Avelos e da "Quinta e Casa do Cerrado" (Viseu) .

20160413

Os "Mártires da Liberdade"




“Terminada a campanha contra os franceses em 1814, seguiram-se as guerras civis que ensanguentaram Portugal, este districto e a própria cidade de Viseu, pois em Lamego teve o sr. D. Miguel um deposito de 400 a 500 presos politicos, que soffreram as maiores torturas, comprehendendo pessoas de todas as cathegorias e até alguns lentes da Universidade, - e em Viseu teve uma comissão mixta, de magistrados civis e militares, que foi o terror da Beira e mandou fuzilar 25 pessoas. Foram as seguintes:

Primeira sentença
23 de Agosto de 1832

- Padre Laureano Pinto de Noronha, natural da quinta da Aveleda, freguesia de S. Chrystovam de Nogueira, concelho de Sinfães
- Padre Caetano José Pinheiro, natural da povoação de Villa Chã, freguesia de Nespereira, no mesmo concelho de Sinfães, e
- Padre Antonio Alberto Pereira Pinto Monte-Roio, natural da povoação de Casconha, freguesia de S. Thiago de Piães, no mesmo concelho.

Segunda sentença
17, ou 19 d´outubro de 1832

- Fr. Simão de Vasconcellos, monge de S. Bernardo, natural da quinta do Outeiro, freguesia de Cesár, então concelho da Villa da Feira e hoje de Oliveira d’Azemeis, ali rezidente por breve apostólico.
- Antonio Joaquim da cidade do Porto, forriel do batalhão de caçadores n.º 12.
- Joaquim Gonçalves, da freguesia de Casaes, então concelho de Penafiel e hoje de Lousada, soldado do mesmo batalhão.
- Francisco José Marques, da freguezia de Sanfins, concelho da Feira, soldado do batalhão da Serra, organizado no Porto.
- José d’Oliveira, do logar de S. Gião, freguesia do Souto, concelho da Feira, casado, lavrador e soldado do batalhão de Villa Nova, organisado no Porto.
- Joaquim José da Silva, natural do Porto, soldado de caçadores n.º 2.
- Luiz Ferreira da Costa Sant’Anna, da freguesia de Ranhados, junto de Viseu, mas residente no Porto, e ali hortelão dos padres loyos, de 65 annos de idade

Terceira sentença
24 de Outubro de 1832

- José Francisco, natural de S. Martinho d’Argoncilhe, concelho da Feira, casado, proprietário e soldado de caçadores n.º 5.

Quarta sentença
30 d’outubro de 1832

- D. Fernando Gutierres Galon, natural de Algeciras, na Andalusia.
- D. Paschoal Alpalhez, natural da villa de Sague, na Hespanha.
- D. Antonio Ximenes, da villa de Tarragona.
- D. Eusebio Paschoal, da villa de Navalcan.
- Manuel Sanches Garcia, natural de Saragoça, capital de Aragão.
- D. Benito José, natural da freguezia de Sonera, arcebispado de S. Thiago, na Galisa, soldado do batalhão da Serra, no Porto.

Quinta sentença
21 de Março de 1833

- Antonio Homem de Figueiredo e Sousa, natural da Cruz do Souto, freguezia de Farinha Podre, concelho de Penacova.
- Antonio Joaquim, natural da aldeia de Varzea da Candosa, freguesia de Candosa, concelho de Taboa.
- Padre Antonio da Maia, natural da Cruz do Souto, freguesia de Farinha Podre, parocho encommendado da freguesia de Covellos d’Azere, concelho de Taboa.
- Francisco Homem da Cunha, filho de Bernardo Homem e irmão de Guilherme Nunes, do logar e freguesia da Cortiça, hoje concelho de Arganil.
- Francisco de Sande Sarmento, solteiro, natural da povoação da Carvoeira, freguesia e concelho de Penacova.
- Felisberto de Sande, irmão do antecedente e natural da mesma povoação de Carvoeira.
- Guilherme Nunes da Silva, filho de Bernardo Homem e irmão de Francisco Homem da Cunha, mencionado supra.
- José Maria d’Oliveira, natural da Povoação da Cortiça, freguesia de Paradella concelho de Arganil.”

Aqui ficam as identidades dos 25 "Mártires da Liberdade" encontradas no “Portugal Antigo e Moderno Diccionario…” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

Um monumental sarcófago foi erigido em 1836, no claustro da Sé de Viseu, para recolher as ossadas dos mártires cujos nomes foram gravados no granito mas o tempo "apagou". Na arca tumular Fernando Almeida Machado (1) apenas conseguiu leu o seguinte em latim e em vulgar:
“PELA ADESAÕ À LIBERDAD.E, CARTA E D. MARIA II POR INÍQUAS SENT. FORAM INOCENTEM.TE CONDENADOS E FUZILADOS EM 1832 E 1833.”

António Alves Martins (1808/1882)  que viria a ser bispo de Viseu só não consta nesta lista porque fugiu. O jovem padre franciscano tinha um passado muito ligado aos liberais, no entanto foi nomeado compulsivamente, no início de 1832, para  capelão da fragata "Pérola". Tendo recusado para não servir o miguelismo, foi detido e encerrado na cadeia de Coimbra. Julgado foi condenado como traidor e deveria ter sido fuzilado no dia 28 de Janeiro, em Viseu no terreiro de Santa Cristina (2). Salvou-se porque durante a viagem logrou fugir. numa rocambolesca fuga que deverá ter contado com a ajuda de alguém da escolta.

Infelizmente aqueles que deram a vida pela Liberdade foram esquecidos e os seus nomes já não podem ser lidos no frio granito. A Câmara Municipal de Viseu deveria criar condições para que os funcionários do cemitério tivessem um local próprio para arrumações e respeitassem o monumento que em meados do século XX, foi transferido do lanço oeste do Claustro Renascentista da Catedral de Santa Maria de Viseu, para lugar “discreto” no Cemitério Municipal (Pedras Alçadas) (3).

1 – “Alves Martins Percursos de Liberdade” de Fernando Augusto Machado in “Tempo, Escritos e Iconografia – Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alves Martins 1808-2008”. Editor Escola Secundária Alves Martins, Viseu 2009.
2 - "O bispo revolucionário" de Paulo Jorge Fernandes in "D. António Alves Martins - Bispo de Viseu e Defensor do Reino",  Edição AVIS, Viseu 2008.
3– “A Sé Catedral de Santa Maria de Viseu” de Alexandre Alves, Edição Câmara Municipal de Viseu e outros, Viseu 1995.

20160111

Brasões de Viseu - Viscondes de Prime



Coronel de Visconde
Escudo sob elmo e timbre de ?.
Partido: I -  Cortado de 1 - Teixeira. 2 - Carvalho. II -Loureiro (de Luís Loureiro)
 Escudo sob elmo e timbre de Rebelos.
Partido: I - Rebelo. II - Almeida.
Diferença na primeira pala: Brica carregada de trifólio.
CBA de 2/03/1812 em nome de Luís António Rebelo e Almeida. (AH-1755)

Jazigo dos Condes de Prime, Cemitério Municipal de Viseu (Velho)/ Fonte: "Solares e Brasões" [ver]

20151217

O Sarcófago dos Mártires da Liberdade




Em meados do século XX o sarcófago de granito existente no lanço oeste do Claustro Renascentista da Catedral de Santa Maria de Viseu, erigido em 1836 para recolher as ossadas de vários liberais que foram fuzilados em Viseu, às ordens das autoridades absolutistas, cujo nomes foram gravados no granito foi retirado da Sé e transferido para um lugar "escondido" do cemitério municipal, de modo calado porque o  Estado Novo de Salazar não gostava da palavra liberdade, As imagens confirmam o abandono e desprezo a que o monumento tem sido votado. Mais parece que os governantes municipais da restaurada República seguem a mesma linha de pensamento do ditador de Santa Comba Dão.
Fonte: Alexandre Alves, in "A Sé Catedral de Santa Maria de Viseu"
Mensagens anteriores: 2 de Maio de 2014 e 9 de Novembro 2011

20150719

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)



8 Novembro 1907 (Santa Leocádia/Baião/Porto) - 19 Julho 1991 (Viseu)

Adelino Nogueira Azevedo Pinto nasceu na "Casa da Roupeira", uma casa solarenga da freguesia de Santa Leocádia, concelho do Baião e distrito do Porto. Viveu entre 1934 e 19 de Julho de 1991 em Viseu onde exerceu várias actividades sendo mais a mais conhecida a do ensino de condução automóvel. Colaborou em diversos jornais “Gazeta de Coimbra”, “Política Nova”, “Voz das Beiras”, “Jornal de Viseu” e foi correspondente do “O Comércio do Porto”. Desde muito novo foi escrevendo poesia e mais tarde publicando, de modo disperso em vários jornais ou pequenas revistas. Por insistência dos seus filhos grande parte dessa produção foi recolhida em dois volumes intitulados “Retalhos dos meus Trabalhos” (1985) e “Cantigas minhas amigas” (1987).
Este viseense por opção e depois por amor foi distinguido pouco antes do seu desaparecimento, em 10 de Junho de 1991 pela Câmara Municipal de Viseu, com a “Medalha de Mérito Municipal”.

20150413

Família Melo de Lemos e Alvelos

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"Aqui jaz o Marechal de Campo Henrique de Mello Lemos e Alvellos
Nasceu 12 de Março de 1798 e falleceu a 15 de Agosto de 1759
Como tributo de respeito e affecto
Pela sua memória fez erguer este singelo padrão
A saudade sempre viva da sua esposa
D. Anna Máxima da Silva Mello
Descança em Paz"

Inscrição tumular no jazigo de família no Cemitério Municipal de Viseu (Velho)

Henrique de Melo Pereira Coutinho de Lemos e Alvelos *
Brasão de armas Escudo sob coronel de visconde
Esquartelado: I - Coutinho
. II - Coelho. III - Melo. IV - Lemos

* Senhor da Casa do Cerrado (Viseu) [ver]

20150218

Depois do Carnaval...


Vem a Quarta-feira de cinzas! Anjo no Cemitério Municipal de Viseu (Velho)

20150209

Brasões de Viseu - Cemitério Velho

 Escudo oval sob coronel de conde, cruz episcopal e galero de onde pendem 12 borlas.
Esquartelado: I- Pereira. II - Carvalho. III Araújo - . IV - Correia.
Pendente a insígnia da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Armas  D. José Dias Correia de Carvalho (1830 - 1911), Bispo de Viseu (1883 - 1911) [ligação] no seu jazigo no Cemitério Municipal de Viseu  (Velho) -  Fonte: "Solares e Brasões" [ligação]

20140502

Os Mártires da Liberdade


Os Mártires da Liberdade de Viseu continuam votados aos esquecimento e o seu monumento e arca tumular continuam sujos e a servir de "armazém".
Parece-me bem que celebrem os 135 anos do Mercado 2 de Maio porque comemorar os 180 anos da entrada em Viseu das tropas do 1º Duque da Terceira é importante e penso que esse acontecimento merecia um maior destaque na divulgação do evento e até um cartaz próprio.
Infelizmente aqueles que deram a vida pela Liberdade, foram esquecidos e os seus nomes já não podem ser lidos no frio granito mas a câmara municipal deveria criar condições para que os funcionários do cemitério tivessem um local próprio para arrumações e respeitassem o monumento. 

20140501

Viva o 1º de Maio

Túmulo de Alberto Sampaio no Cemitério (Velho) de Viseu [saber +]

ALBERTO SAMPAIO
ESTRENUO DEFENSOR DOS PROLETARIOS
1904 - 1925

20121101

Dia de Todos-os-Santos


Cemitério Municipal de Viseu ( Pedras Alçadas)

Aproveitem pois duvido que o dia 1 de Novembro (Dia de Todos-os-Santos) volte a ser feriado porque a suspensão até 2018, irá revelar-se mais uma treta...

20120720

Mercúrio ou Hermes


Mercúrio (Hermes) divindade protectora dos negociantes e dos ladrões, baixo-relevo no jazigo de Manoel Bernardo do Loureiro e esposa (Cemitério Municipal de Viseu - Pedras Alçadas)

20120323

Há Novidades na Av. 10 de Junho



Nos primeiros dias do passado mês de Janeiro a câmara municipal mandou abater mais de três dezenas de ciprestes existentes, na Avenida 10 de Julho, junto ao muro do cemitério, alegando motivos de segurança [ver]. Ontem e como estava anunciado foram, finalmente, plantadas algumas árvores e poucas dezenas de arbustos. Claro que as novas plantas jamais poderão repor o prejuízo ecológico causado pelo abate de árvores adultas e na sua maior parte, saudáveis. Também é de lamentar o estado descuidado em que ficou e continua, o talude ajardinado porque lamentavelmente deixaram os cepos das árvores mortas à vista.

20111125

António Francisco Almeida Moreira



António Francisco de Almeida Moreira (“Capitão Almeida Moreira”) 25/11/1873 - 18/12/1939, medalhão de Mariano Benlliure/1940 [ligação], no Cemitério Municipal de Viseu (antigo).
Breve biografia [ligação]

20111109

O Monumento aos Mártires da Liberdade



O Bispo de Viseu D. António Alves Martins [ligação], ainda enquanto estudante e por apoiar os liberais foi preso, sentenciado e condenado ao fuzilamento que deveria ter tido lugar no Campo de Santa Cristina. Porém durante a que deveria ter sido a sua última viagem de Coimbra para Viseu, logrou escapar mas o lugar onde hoje está a sua estátua [ligação], foi regado pelo sangue de outros, hoje anónimos, lutadores pela Liberdade.
O monumento e a arca tumular que guarda os ossos das vítima dos Miguelistas está “escondido” no Cemitério Municipal de Viseu (Pedras Alçadas) e serve de lugar para arrumos – mesmo nos dias dedicados à recordação do mortos.
As letras no monumento com os nomes dos mártires estão sumidas no granito mas na arca tumular, Fernando Almeida Machado leu o seguinte em latim e em vulgar:

PELA ADESAÕ À LIBERDAD.E, CARTA E D. MARIA II POR INÍQUAS SENT. FORAM INOCENTEM.TE CONDENADOS E FUZILADOS EM 1832 E 1833

Fontes:
"Breve Biografia de D. António Alves Martins" de Camilo Castelo Branco [ligação]
A Guerra Civil em Portugal (1832-1834) [ligação]

20111107

"Exortação ao Meu Anjo" - José Régio



(...)

Quando me for mais fácil a verdade do que ter -----------
Um papel de actor qualquer,--------------------
Como aos que assim se recreiam,--
Faz-me exibir-me bobo ante os que aplaudem ou pateiam.---

(...)

José Régio
Antologia Poética
Edições Quasi, 2001

20111104

Anjo de Asa Quebrada



ASA QUEBRADA

Talvez eu tenha virado um anjo de asa quebrada que não sabe mais chorar, mas que insiste em não desistir de voar.

Não me arrisco mais em precipício, tudo agora é mais devagar.

Chega de despencar e me arrebentar de qualquer maneira.

A duras penas aprendi a ler a linguagem de meu corpo e se o sufoco tenta me abraçar sem eira e nem beira, viro poeira.

Já não conto mais as horas, porque não tenho ninguém para esperar

Também não sou mais uma sombra perdida no caminho, em meus escuros achei meu vulto tentando se iluminar.

Se minha respiração está ofegante é porque ainda estou tentando me desvencilhar do resto de saudade ainda insistente querendo.

Mas a força da vida pulsa em mim com intensidade e para espantar os meus bichos, aprendi dar frenéticos gritos de arrepiar.

Como a inquietação faz parte de minha essência, porque sempre amo o universo desconhecido, minha alma não me deixa descansar e mesmo com as asas quebradas eu dou um jeito de ir em frente, reaprendendo a voar.

Rosa Berg [Ler +]

Anjo de asa quebrada no Cemitério Municipal de Viseu (antigo)

20111102

2 de Novembro - O Dia dos Mortos



Apenas em algumas aldeias o dia 2 de Novembro continua a ser o dia para visitar os cemitérios e recordar os mortos

20111101

1 de Novembro - Dia de Todos-os-Santos # 1



O dia 1 de Novembro é tradicionalmente assinalada pela ida de milhares de portugueses aos cemitérios que para essa ocasião são especialmente limpos, cuidados e enfeitados. Esta data é dedicada pela Igreja Católica à celebração do Dia de Todos os Santos que por ser feriado acabou por substituir o dia 2, o Dia dos Finados ou dos Fiéis Defuntos, que deveria ser o dia dedicado à lembrança e homenagem aos falecidos.