EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20150618

"VISEU PORTUGAL - Vista Geral"

Bilhete postal ilustrado de editor fotógrafos desconhecidos (data da compra 25/9/24)

"Paisagem conhecida, a que vou observando, mas apezar d'isso interessante, porque o acidentado do terreno, interrompendo a cada passo o scenario, é como uma fita cinematografica desenrolando-se em plena luz. Muitos pinheiros nas encostas, placas de milho nos vales, arvores de fructo por toda a parte, e as cegonhas molhando o bico em fontes toscas, ou pegos minusculos que forma o rio, para fornecerem agua de rega. Recorta-se no horisonte, á esquerda, o Caramulo, de pincaros atrevidos, e vê-se á direita o macisso da Serra da Estrela, em que o Jorge Nunes, afincando a vista, quer por força vêr neve. Na maior parte das estações o movimento é zero, não entram nem saem passageiros, não se carregam nem se descarregam mercadorias, e não me lembro de ter visto nas estradas poeirentas, em muito bom estado de conservação, rodarem carros ou automoveis.
Lentamente se arrasta o comboio, mas como se vai arrastando sempre, acabará por chegar ao destino.
E assim foi que tendo deixado Lisboa pela manhã, ás quatro horas da tarde chegamos a Vizeu, com um calor de rachar."

in Brito Camacho (1862-1934), Jornadas (1927).
Recuperado de "Rua Onze. Blog" [VER]

Manuel de Brito Camacho (Aljustrel, 12 de Fevereiro de 1862 - Lisboa, 19 de Setembro de 1934), médico militar foi destacado em 1884 para a 2.ª Divisão Militar em Viseu, como penalização por ser activista republicano. Enquanto esteve na nossa cidade fundou e dirigiu o jornal - "O Intransigente". Viria a ser deputado, figura importante no derrube da Monarquia e  ocupou o lugar de Ministro do Fomento (1910-1911) [LER]. 

20140827

"Viseu a melhor cidade para viver"


Há algum tempo que um vizinho me falou sobre esta montureira existente na Rua 5 de Outubro, junto à entrada para a Rua Dr. José Coelho (Via Sacra). Um olhar mais atento permite verificar que a maior parte do "lixo" foi certamente ali "depositado", pelos alunos do colégio vizinho (latas de refrigerantes, garrafas de água e pacotes de sumo).

20121210

Vizeu - Ermida da Via Sacra


"Vizeu - Ermida da Via Sacra" - Bilhete Postal, editor desconhecido, circulado em 27 Janeiro de 1910 [saber +]

20120219

"Pedrada" # 27 - Via Sacra



Esta "pedrada" vai direitinha à Santa Casa da Misericórdia de Viseu e aos serviços de limpeza da Câmara Municipal de Viseu porque não é admissível que junto do oratório dedicado ao "Imaculado Coração", no Miradouro da Via Sacra, esteja um monte de "lixo" - restos de velas, flores e outros materias usados pelos devotos.

20120217

Caixas de Correio # 4



Caixa de correio azul encontrada na Estrada da Circunvalação - Via Sacra

20111007

A "Casa da Via Sacra" - Dr. José Coelho


A “Casa da Via Sacra” que pertenceu ao Dr. José Coelho foi conhecida por “Casa das Freiras”, por nela terem habitado as religiosas que trabalhavam no antigo “Asilo da Viscondessa de São Caetano”. A edificação apenas com um piso é bastante banal e remonta aos inícios do século XX, de assinalar apenas um “invulgar" torreão ameado que faz parte de um anexo em ruínas, existente nas traseiras do edifício.
O Dr. José Coelho nasceu em 5 de Maio de 1887, em Travassós de Cima, na freguesia de Rio de Loba. Filho de António Coelho e Esperança de Jesus frequentou o Liceu de Viseu e concluiu a licenciatura em Ciências Históricas e Geográficas, na Universidade de Lisboa.
Foi professor e reitor do Liceu que durante o seu reitorado se transferiu do “Paço dos Três Escalões” (actual Museu Grão Vasco) para o “Colégio do Sacré-Coeur” (actual Escola Superior de Educação).
Além da sua actividade no ensino fez diversos trabalhos de investigação arqueológica, de salientar o estudo do monumento megalítico conhecido por “Anta Mamaltar do Vale das Fachas” [ligação], na freguesia de Rio de Loba. Grande entusiasta e estudioso acabou por reunir um grande espólio de artefactos arqueológicos que os seus filhos decidiram doar para que fosse exposto num futuro museu da cidade.
Faleceu em 7 de Abril de 1977, na sua casa na Via Sacra, no centenário do seu nascimento a edilidade resolveu atribuir o seu nome à rua fronteira e foi colocado um busto de bronze, da autoria de Armindo Ribeiro [ligação], no jardim.
Saber + [ligação]
Fonte principal: "Monumentalidade Visiense", Júlio Cruz e Jorge Braga da Costa [ligação]

20091224

Votos de Bom Natal para todos!


Imagens do presépio no Colégio da Via Sacra, no Natal de 2008 estas seis figuras estiveram na rotunda mais próxima

20091127

A Capela da Via Sacra

Segundo as investigações do Dr. Alexandre Alves [ligação] a capela da Via Sacra foi edificada, em data incerta mas anterior ao séc. XV, sobre as ruínas duma pequena capela românica em honra do "Senhor do Horto". A capela passou a ser conhecida por "Capela da Via Sacra" porque era aí que estava instalado o Calvário da Via Sacra que os irmãos da Ordem Terceira de São Francisco faziam todas as sextas-feiras da Quaresma, com início na Igreja dos Terceiros seguindo o trajecto inicial da antiga estrada romana Viseu-Seia.

O edifício sofreu grandes acrescentos e remodelações em especial em 1690 quando a irmandade de S. Francisco das Chagas mandou construir os altares laterais e um novo corpo mais vasto. Os trabalhos foram concluídos em Março do ano seguinte e no dia 23 o Bispo D. Ricardo Russel autorizou a bênção dos altares e da igreja, para se fosse possível o culto e os enterramentos. Durante o séc. XVIII foram executados novos retábulos, renovaram-se as imagens e foi construído o campanário, tendo por modelo o da capela da Nossa Senhora dos Remédios, junto da Porta do Soar de Cima, e colocado um sino fundido por João de Argos.

Foi por iniciativa da irmandade de S. Francisco das Chagas que se iniciou a tradição da Procissão da Ressurreição no domingo de Pascoela em que participavam muitas crianças vestidas de "anjinhos" que no final recebiam amêndoas. No adro e junto ao muro da velha estrada para Ranhados erguia-se o nicho do Calvário que hoje está encostado ao lado esquerdo do edifício. O nicho tinha uma cruz de madeira que o tempo levou.

O local é muito airoso e ainda há poucas décadas tinha uns frondosos cedros que o faziam muito agradável e um bonito miradouro da cidade porém é de má memória porque foi o local onde durante a Idade Média se ergueu a forca da cidade, onde foram sentenciados os condenados. Felizmente a capela teve há alguns anos obras na cobertura, um telhado novo e arranjos exteriores porém não tem reboco, encontra-se fechada e com o interior lamentavelmente votado ao abandono.

20090403

VIA SACRA Cidade de Viseu


No próximo dia 5 de Abril, Domingo de Ramos, às 21h00 haverá uma encenação bíblica da Via Sacra em Viseu. Um trabalho do Pe. João Bezerra será apresentado pelo grupo "Ondas do Campo" da vizinha paróquia do Campo. A encenação que terá 6 actos começará na escadaria da Igreja dos Terceiros e terminará no Adro da Sé. Estarão envolvidas cerca de uma centena de pessoas. Não faltarão archotes, matracas e cavalos. Durante o percurso haverá música para acompanhar os textos e os cânticos. Os quadros a representar serão os seguintes:
1º - Julgamento e condenação de Jesus - escadaria da Igreja dos Terceiros;
2º - Encontro com sua Mãe, com a Verónica e com as mulheres de Jerusalém - Jardim das mães;
3º - Julgamento de Jesus na praça pública – antigo Mercado 2 de Maio;
4º - O cireneu ajuda Jesus a levar a cruz - Praça D. Duarte;
5º - Crucificação e morte de Jesus - Adro da Sé;
6º - Ressurreição de Jesus - Adro da Sé

20090103

Os "Reis" estão mesmo chegar...



Os Evangelhos são pouco esclarecedores sobre as 3 personagens que vindas do Oriente, guiadas por uma estrela, procuravam o rei dos Judeus e encontraram um menino pobre em Belém. Este é um episódio relatado de modo vago no Evangelho de S. Mateus (Mateus 2, 1-12) a que ao longo dos séculos foram sendo acrescentados pormenores. A designação de “Magos” era dada por alguns povos do Oriente aos sábios, astrólogos e membros de classes sacerdotais. Mais tarde foi-lhes acrescentado o título de “Reis” para lhes aumentar o mérito.
O número e os nomes dos “Reis Magos” são meras suposições sem qualquer base histórica, foi uma tradição posterior aos Evangelhos que lhes deu os nomes de Baltasar, Gaspar e Belchior (ou Melchior). Igualmente lhes foram atribuídas características próprias: Belchior (ou Melchior) seria o representante da raça branca (europeia), Gaspar representaria a raça amarela (asiática) finalmente Baltasar representaria a raça negra (africana), estavam assim representadas todas as raças bíblicas. A adoração dos “Reis Magos” ao Menino Jesus simboliza a homenagem de todos os homens, mesmo reis, os senhores da Terra, se curvaram perante Jesus menino. A versão actual da história foi fixada no século XVI e também ditou as idades dos “Reis Magos”, Belchior teria 60 anos, Gaspar 40 anos e Baltasar 20 anos. O Dia de Reis celebra-se tradicionalmente a 6 de Janeiro, partindo-se do princípio que foi neste dia que os três chegaram finalmente junto do Menino Jesus.
Em alguns países é neste dia em que se entregam os presentes a vizinha Espanha é um deles. No Natal ou nos Reis este é um hábito que continuará apesar do Natal ser cada vez mais um tempo para o negócio.

A representação dos “Reis Magos”, na rotunda da Via Sacra, tem duas características invulgares que certamente não terão escapado aos olhares mais atentos. Se ainda não deu por elas, uma é mais evidente, tenha cuidado se for ao volante não vá originar ou ser vítima de algum acidente. A Continuar...

20081225

É Natal, já nasceu Jesus!



Porém não esquecer que havia um grande evento na cidade, estava tudo cheio desde os hotéis de 5 estrelas, às residenciais e mesmo nas pensões mais baratas não os quiseram receber. Nem compaixão tiveram, mesmo vendo a barriga da jovem que anunciava uma gravidez avançada. Foi por isso que tiveram de se recolher num abrigo de pastores, num curral!
Na imagem presépio no Colégio da Via Sacra

Presépio e os 100 anos do "Via Sacra"



O Colégio da Via Sacra [ligação] que completou há pouco o seu centenário montou na rotunda junto da entrada do colégio um interessante presépio que também lembra os primeiros 100 anos da instituição.

20080323

Já podem repicar os sinos!



O sino da Capela da Via Sacra assim chamada porque era ali que terminava a celebração da Via Sacra feita todos os anos por iniciativa dos frades franciscanos do Convento de Santo António do Massorim. A capela foi conhecida como Capela de São Francisco das Chagas e foi edificada, talvez antes do séc. XV, sobre as ruínas de uma outra mais antiga e românica em honra do Senhor do Horto. O lugar embora airoso guarda más recordações porque foi o lugar da forca, onde eram sentenciados os criminosos, daí o lugar ter sido chamado de "forcas velhas".

20080317

A Capela da Via Sacra



(...) "É muito antiga e demora em sitio alegre e vistoso, sobranceiro a Viseu, lado oriental, extra muros, a egreja da Via Sacra ou de São Francisco das Chagas; ignora-se porem a data da fundação d'este templo que, pela sua architectura, mostra não anterior ao seculo XV, segundo se lê nas Memmorias de Berardo. " (...)
(...) " Deu-se a esta egreja ou capella o titulo de Via Sacra, porque desde tempos muito remotos costumavam os irmãos da 3.ª de S. Francisco ir da sua egreja até aquella todos os annos, nas sextas feiras da quaresma, visitar ou percorrer a Via Sacra, sempre com grande concurso de povo, principiando este devoto exercício na egreja dos irmãos 3.ºs, sita no Largo de Santo António, e terminando na dicta egreja da Via Sacra ou de S. Francisco, extra muros, para o que levantaram ao longo do caminho uma serie de grandes cruzes de pedra, desde um até o outro templo." (...)

In "Portugal Antigo e Moderno, Diccionario" - Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira - Lisboa 1890

Nota: O Largo de Santo António é a actual Praça da República (Rossio), onde se erguia o Convento de Santo António do Massorim que foi demolido para a abertura da Avenida 25 Abril (ex-avenida Salazar).

20080314

Fundação e Antiguidade de Viseu

Vista parcial de Viseu tomada da Via Sacra

(...) “Rodrigo Mendes da Silva na Poblacion general de España diz que a cidade de Viseu foi fundada pelos turdulos, 500 anos antes do nascimento de Christo; mas nós diremos que se ignora quando e por quem foi fundada.
É certo ser muito antiga, pois já no tempo dos suevos (anno de Ch. 572) foi reconhecida como cidade episcopal, anterior à occupação d’elles, pelo que já devia existir de longa data.”
(...)

In "Portugal Antigo e Moderno, Diccionario" - Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira - Lisboa 1890

O Mamarracho escondido entre telhados, papoilas e malmequeres na Via Sacra

"Que respeito, meus amigos, nos não deve merecer a imprensa tão útil e tão prejudicial, e com que cuidado não devemos pensar os nossos artigos e pesar as afirmações que nelles fazemos! Que nunca a nossa penna se deshonre com uma falsidade, nem a nossa bôcca se manche com uma mentira."

António de Oliveira Salazar, in "Echos da Via Sacra"