EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20240904

Rapazes Tomai Cautela...

(...)




À noite, no "picadeiro",


Certo menino matreiro


Das fortunas indagou.


Créditos todos falidos,


Mulheres com teres p´ròs vestidos


Nem uma só encontrou!...



 

Esta vida tão cara


 quem tiver grande tara


Se deixa ir no embrulho...


Numa casa sem ter pão


Lá diz um velho refrão


Que nunca cessa o barulho.



 

Meninas dos tempos de hoje


Vede como um homem foge


De vos pedir ao papá.


Escusais fingir riqueza


Sentando-vos numa mesa


Do tal "Pavilhão de Chã"....



 

Tudo em vós são fantasias


Por isso ficais p´ra tias


E as Feira hão-de passar...


Mulher que tem merecimentos


Escusa, como os jumentos,


Que a levem a afeirar...



 

Adelino Azevedo Pinto (Rijo), in "Retalhos dos Meus Trabalhos", Viseu 1985

20171023

Javali na "Cava de Viriato"


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Rijo (Adelino Azevedo Pinto) afirmou que a Cava de Viriato estava desprezada e só lhe faltavam javalis, descrevia uma situação que ainda hoje poderá ser encontrada nas faces exteriores dos dois taludes NNO, em grande parte coincidentes com o Poço ou Lago da Cava, confinantes com a Quinta da Machada. Nos taludes crescem mimosas, carvalhos, carvalhiços, codeços e outra vegetação que  oculta um troço do antigo fosso que chega a parecer uma lixeira selvagem. A quinta está cheia de silvas, mato, salgueiros e amieiros que quase fizeram desaparecer os marmeleiros que pontuavam a margem do lago. Uma autêntica vergonha que não parece embaraçar a câmara municipal que até colocou um octógno no seu logótipo, para lembrar a importância do monumento, considerado um dos maiores ícones do Município de Viseu e da Cidade Jardim.


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Aspectos do alto do talude da Cava de Viriato, junto ao Lago da Cava e do exterior nas proximidades da Vila Ferreira, na Rua dos Heróis Lusitanos. Reparem na cobertura vegetal visível do lado esquerdo das imagens que serve para tapar as misérias.

P.S. : O javali não é verdadeiro mas um alvo de borracha que foi utilizado num torneio de tiro ao arco e besta, realizado no passado mês de Setembro no Dia de Viriato, no âmbito da feira anual.

20170918

A FEIRA FRANCA ACABOU


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RAPAZES TOMAI CAUTELA

A feira Franca acabou
E creio bem que deixou
A todos boa impressão.
Burros venderam-se aos centos,
Em mulheres p'ra bons intentos
Houve pouca transacção...

(...)

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p'ra tias
E as Feiras hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...

"CÁ, NA BEIRA FESTA É FEIRA"

(...)

Hoje, nas feiras modernas,
Os burros de quatro pernas
Já são uma raridade...
Muito embora haja mais
Na sua esperteza... iguais,
Mas é doutra qualidade...

(...)


20170724

"Só lhe faltam javalis!..."


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(...)
Pouco brio, pouco asseio,
Com tojo de metro e meio
Só lhe faltam javalis!...
Invadida, mutilada,
Francamente, está votada
A um desprezo infeliz!
(….)

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)

Sim é verdade sei onde há tojos de metro e meio! a erva alta e o mato variado não faltam, espero que ninguém se lembre de lhe deitar o fogo (já não era primeira, nem a segunda vez...), é abundante. Não conheço o contrato que a Câmara Municipal de Viseu firmou com uma empresa para fazer a manutenção da vegetação do monumento mas, nem preciso de conhecer, porque o desmazelo é evidente e não posso acreditar que os termos do negócio, permitam esta vergonha. As visitas estão a chegar, portanto está na hora de varrer o lixo e cortar o matagal que a procissão vai passar.


Outra vergonha é a iluminação instalada no âmbito da "Requalificação Paisagística", levada a cabo pela Viseu Polis, que rapidamente se veio a revelar desastrosa. Infelizmente a edilidade tarda em substituir estes abortos por candeeiros adequados e menos atreitos aos ataques dos vândalos. Tapar as luminárias, com fita adesiva, só poderá ter sido uma solução engendrada num cérebro muito brilhante. Mais um caso em que se justifica usar o hashtag: #viseufazmal

20170717

Os Pneus da "Cava de Viriato"


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Como prometido e para meu grande desgosto, aqui ficam mais alguns dos pneus existentes no Lago da Cava de Viriato. Há mais que a seu tempo tenciono mostrar aqui... poderá ser que me engane!

"Defesa da Fortaleza"

Vou hoje falar da Cava
A triste que não se lava
E tão esquecida está!...
Com o seu aspecto selvagem
Viu-se muito posta à margem
E tantas mágoas nos dá!

Pouco brio, pouco asseio,
Com tojo de metro e meio
Só lhe faltam javalis!...
Invadida, mutilada,
Francamente, está votada
A um desprezo infeliz!

(...)

Os turistas estrangeiros,
Os de cá, ou forasteiros,
Que vão ali de visita,
Hão-de dizer com franqueza,
Que tão nobre Fortaleza
Em nada nos nobilita!

Para agravar tanto mal,
Ao Viriato, um punhal,
E a um companheiro, uma lança,
Terroristas arrancaram,
E de guerreiros passaram
A brinquedos de criança!...

Em nome dos meus vizinhos,
Tornados inocentinhos,
Sem armas, para defesa,
Eu peço, a quem de direito,
Mais atenção e respeito
Por tão velha Fortaleza!

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)

20160930

Recordando os Comboios de Viseu


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Mais Apitam ... que transitam

"Vale do Vouga" e o "Nacional"
São no nosso Portugal
Dois brinquedos de museu:
Ferrugentos, alquebrados,
Por mal dos nossos pecados,
A vergonha de Viseu!

De Santa com e de Espinho
Ronceiros, pelo caminho,
Vêm eles, chape, chape!
Arfando, todos cansados,
A expulsar aos bocados
Seus bofes pelo escape!

O coleante perfil
Estende-se, em curvas mil.
Em aspectos de cascata...
É bonita a Natureza,
Há conforto... na certeza
Que o andamento não mata

Seu trajecto é demorado,
Pois, velhinho e já cansado
Deve sofrer de lesão...
Largando fumos e cheiros
Vai queimando os passageiros
Com faúlhas de carvão!

(...)

Chaca, checa, choca, chuca,
Fica a cabeça maluca.
Anda tudo à nossa roda.
Garantem, coca-bichinhos,
Que leram em pergaminhos
Que há cem anos já foi moda!

Alerta, Viseu, alerta!
Põe depressa a porta aberta
Do teu Museu tão cotado:
Coloca lá a matraca,
Que, cá fora, dá barraca
Mas é, lá dentro, um achado

Adelino de Azevedo Pinto (Rijo) in "Retalhos dos Meus Trabalhos" (Recolha de 50 anos de quadras populares, sonetos e outros poemas), Viseu, 1985

Na ilustração algumas imagens de depósitos de água, para abastecer as caldeiras das locomotivas a vapor, retirados da demolida estação dos caminhos-de-ferro de Viseu, "armazenados" no depósito de sucata da câmara municipal, antigas instalações da Cooperativa Agrícola dos Fruticultores da Beira Alta (Estrada de Nelas). Compare com as fotos obtidas em 23 de Novembro de 2011.

20160928

"Pouco Brio, Pouco Asseio"


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Tal como prometido e não por bom motivo, cá estão outra vez dois dos pneus do "Lago da Cava de Viriato", e outro "lixo" de que me permito destacar, uma árvore morta há muitos anos, um grande balde de plástico e o que ainda resta de um carrinho de bebé. Pela sua natureza não são, como na última Segunda-feira, o presidente da câmara municipal, Dr. Almeida Henriques, dirigindo-se à oposição no decorrer de Sessão Ordinária da Assembleia Municipal que começou às 14h30 e terminou cerca das 22h00, e referindo-se à feira anual, que havia quem se preocupasse com "ciscos"! Neste caso as insignificâncias, são maiores que estadulhos para amparar palha!
Nota: Estadulho ou fueiro - estaca redonda que segura a carga de um carro de bois.

Defesa da Fortaleza

Vou hoje falar da Cava,
A triste que não se lava
E tão esquecida está!
Com seu aspecto selvagem
Viu-se muito posta à margem
E tantas mágoas nos dá!

Pouco brio, pouco asseio,
Com tojo de metro e meio
Só lhe faltam javalis!...
Invadida, mutilada,
Francamente, está votada
A um desprezo infeliz!

Monumento Nacional,
Sem parceiro em Portugal,
Ou mesmo lá nos confins!
Magoa, desgosta e custa
Que relíquia tão vetusta
Tenha tratos tão ruins!

(...)

Os turistas estrangeiros,
Os de cá, ou forasteiros
Que vão ali de visita,
Hão de dizer com franqueza,
Que tão nobre Fortaleza
Em nada nos nobilita!

In "Retalhos dos Meus Trabalhos", de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), Viseu 1985
Recolha proveniente de "Cantigas minhas amigas", "Gazetilhas minhas filhas", "Poemas sem algemas" e "Sonetos já meus netos",  representativa de mais 50 anos de poesia.

20160921

"Um Tormento Ferrugento"


GIF via GIPHY (Grafitti de "ATEOUS" & "CRLSK")

A nossa airosa cidade
Na super-fatalidade
Dos transporte em carris,
É, sem favor, com certeza,
A região portuguesa
Ferrugenta e infeliz!...

(...)

Os horários com H
É coisa que aqui não há,
Pois as pobres maquinetas
Velhinhas, tristes, cansadas,
Bufam todas esfalfadas
As sua queixas jarretas!...

Os bancos de pau de pinho
Tratam com pouco carinho
As almofadas... traseiras...
Acho que só cabem culpas
A quem, por ordens estultas
Fez "segundas" das "terceiras"!

Quando não pára ou desanda,
Às vezes, finge que anda
Mas dá pulos de cabrito!
O muito esforço que faz
Não deixa ninguém em paz
Co'as estridências do apito!

(...)

São tão pouco sedutoras
As mini-automotoras
Que quem nelas viajar
Aos pulos, saracoteios,
Conhece todos os meios
De deitar, a carga ao mar!...

P'ra brinquedo de arraial!
Mas festas de Portugal!
Talvez tenha utilidade...
E passaria um tormento
A ser um divertimento
De imensa hilariedade!...

Na era dos foguetões
Temos todas as razões
Para mostrar nossa dor
De se manter a rotina
Dos transportes cá p'ra cima
Com esguichos de vapor!!!

"Retalhos dos Meus Trabalhos" de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), Viseu 1985

Enquanto esperamos pelo novo comboio, é bom recordar as ronçeiras locomotivas a vapor e as desconfortáveis carruagens que foram substituídas pelas balouçantes automotoras e mais tarde, depois de encerradas as linhas do Vale do Dão e do Vouga, pelos autocarros que também acabaram por levar sumiço.

20160917

"Retalhos dos Meus Trabalhos"


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"Quem faz versos não é velho: a poesia vem da alma e a alma não tem rugas!..."
"Retalhos dos Meus Trabalhos" de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), Viseu 1985

"A feira Franca acabou"


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RAPAZES TOMAI CAUTELA

A feira Franca acabou
E creio bem que deixou
A todos boa impressão.
Burros venderam-se aos centos,
Em mulheres p'ra bons intentos
Houve pouca transacção...

À noite, no "picadeiro",
Certo menino matreiro
Das fortunas indagou
Créditos todos falidos,
Mulheres com teres pr'òs vestidos
Nem uma só encontrou!...

Com esta vida tão cara
Só quem tiver grande tara
Se deixa ir no embrulho...
Lá diz um velho rifão
Que nunca cessa o barulho.

Meninas dos tempos de hoje
Vede como um homem foge
De vos pedir ao papá.
Escusais fingir riquezas
Sentando-vos numa mesa
Do tal "Pavilhão do Chá"...

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p'ra tias
E as Feiras hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...

Retirado com a devida vénia dos "Retalhos dos meus Trabalhos" - Viseu, Dezembro de 1985

20160906

Correr à Pedrada?


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DEFESA DA FORTALEZA

(...)

Os turistas estrangeiros,
Os de cá, ou forasteiros,
Que vão ali de visita,
Hão-de dizer com franqueza, 
Que tão nobre Fortaleza
Em nada nos nobita!

Para agravar tanto mal, 
Ao Viriato, um punhal,
E a um companheiro, uma lança,
Terroristas arrancaram, 
E de guerreiros passaram
A brinquedos de criança!...

Em nome dos meus vizinhos,
Tornados inocentinhos,
Sem armas, para defesa,
Eu peço, a quem de direito,
Mais atenção e respeito
Por tão velha Fortaleza!

Hoje o Viriato já exibe a sua (falcata) mas o armamento dos seus 5 companheiros está ainda mais debilitado. Talvez por esse motivo alguém anda a juntar pedras para os ajudar a correr à pedrada os romanos e outros, piores ainda!

20160828

Os Famosos Pneus do "Lago da Cava"


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(…)
Pouco brio, pouco asseio,
Com tojo de metro e meio
Só lhe faltam javalis!...
Invadida, mutilada,
Francamente, está votada
A um desprezo infeliz!
(….)


Adivinhem o que diria o poeta se tivesse visto os pneus que enfeitam o "Lago da Cava de Viriato", ainda mais no dia que organização da feira anual de Viseu, escolheu para ser o "Dia de Viriato"?
Quando a pouca água suja acabar por se evaporar, mais "lixo" irá ficar à vista...
Ouvi, há já várias semanas, um dos trabalhadores da empresa que cuida da manutenção da vegetação do monumento, afirmar que as mimosas iriam "ser cortadas no dia seguinte com uma serra mecânica" mas tal facto ainda não aconteceu e esconde a vergonhosa lixeira em que o antigo fosso da fortaleza está transformado. E o presidente da câmara, Dr. Almeida Henriques, continua a apregoar a grandeza do monumento, a fazer do Viriato, "convidado especial da feira", a dedicar-lhe um dia e permite uma pouca vergonha destas. Enfim, com amigos destes...

20160823

"Rapazes Tomai Cautela..."


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(...)

À noite, no "picadeiro",
Certo menino matreiro
Das fortunas indagou.
Créditos todos falidos,
Mulheres com teres p´ròs vestidos
Nem uma só encontrou!...

Com esta vida tão cara
Só quem tiver grande tara
Se deixa ir no embrulho...
Numa casa sem ter pão
Lá diz um velho refrão
Que nunca cessa o barulho.

Meninas dos tempos de hoje
Vede como um homem foge
De vos pedir ao papá.
Escusais fingir riqueza
Sentando-vos numa mesa
Do tal "Pavilhão de Chã"....

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p´ra tias
E as Feira hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...


20150917

O Viriato de Novo na Escuridão



"Viriato no Recato"

Viriato, meu vizinho,
Tem vivido a um cantinho,
Nas trevas, todo humildade!
Há pouco tudo mudou,
Viva luz o inundou
Com jorros de claridade!

Resolvi entrevistá-lo,
(...)

Assim me disse o guerreiro:
(...)

Nos belos tempos, passados,
Gozei muito bons bocados
Nesta escuridão de breu...
Hoje - que grande arrelia! -
Eternizaram-me o dia,
Para mim tudo morreu!...
(...)

Com as cenas de ciúme
Vi mil faíscas de lume, 
Muito raio... sem trovão!
Os malditos projectores
Espantaram-me os amores
Que com a luz não se dão!...

Vi um par de namorados
Tão juntinhos e agarrados
Que fiquei com a impressão
- Faltou-me a luz duma tocha -
Que a rapariga... era a rocha
E o rapaz... o mexilhão...

(...)

De verdade, de verdade,
Vi muita imoralidade
Daquelas de arrepiar!...
Conheço tanto segredo
Que com vergonha... e por medo,
Hei-de pr'a sempre ocultar...

Eu vi coisas, eu vi loisas,
Eu vi loisas, eu vi coisas.
Dum realismo brutal!...
Se não perdi a cabeça
Esse bem... que se agradeça
Ao ser velho... e de metal!...

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)
"Retalhos dos Meus Trabalhos" - Viseu, Dezembro de 1985

Tal como havia prometido [VER] fui esta noite fotografar o "Viriato" mas tive uma surpresa muito desagradável porque o "Monumento a Viriato", estava novamente às escuras - os 3 projectores, tecnologia "led" e os restantes elementos decorativos, estavam desligados e o Viriato e os seus guerreiros mergulhados na escuridão. 
Quando me retirava ouvi o seguinte comentário, vindo de um senhor que passava provavelmente com a sua esposa - "Acabou-se a festa [feira anual] e desligaram as luzes!"

20150813

Rapazes Tomai Cautela...



Rapazes Tomai Cautela...

(...)

À noite, no "picadeiro",
Certo menino matreiro
Das fortunas indagou.
Créditos todos falidos,
Mulheres com teres p´ròs vestidos
Nem uma só encontrou!...

Com esta vida tão cara
Só quem tiver grande tara
Se deixa ir no embrulho...
Numa casa sem ter pão
Lá diz um velho refrão
Que nunca cessa o barulho.

Meninas dos tempos de hoje
Vede como um homem foge
De vos pedir ao papá.
Escusais fingir riqueza
Sentando-vos numa mesa
Do tal "Pavilhão de Chã"....

Tudo em vós são fantasias
Por isso ficais p´ra tias
E as Feira hão-de passar...
Mulher que tem merecimentos
Escusa, como os jumentos,
Que a levem a afeirar...

Adelino Azevedo Pinto (Rijo), in "Retalhos dos Meus Trabalhos", Viseu 1985

20150729

O "Viriato no Recato..."




Viriato, meu vizinho,
Tem vivido a um cantinho,
Nas trevas, todo humildade!
Há pouco tudo mudou,
Viva luz o inundou
Com jorros de claridade!

Resolvi entrevistá-lo,
(...)

Assim me disse o guerreiro:
(...)

Nos belos tempos, passados,
Gozei muito bons bocados
Nesta escuridão de breu...
Hoje - que grande arrelia! -
Eternizaram-me o dia,
Para mim tudo morreu!...

(...)
Vi um par de namorados
Tão juntinhos e agarrados
Que fiquei com a impressão
- Faltou-me a luz duma tocha -
Que a rapariga... era a rocha
E o rapaz... o mexilhão...

(...)
Eu vi coisas, eu vi loisas,
Eu vi loisas, eu vi coisas.
Dum realismo brutal!...
Se não perdi a cabeça
Esse bem... que se agradeça
Ao ser velho... e de metal!...

Adelino Azevedo Pinto (Rijo), in "Retalhos dos Meus Trabalhos" 

20150728

"FEIRAR ESTÁ-NOS NO SANGUE"




"Cá, na Beira Festa é Feira"

(...)

Chegai aqui, vinde cá,
Sempre novidades há,
Pois tudo se renova...
A experiência aconselha
Que uma feira, mesmo velha,
É sempre uma feira nova!...

São as barracas iguais,
Pouco menos pouco mais
Do que foi o ano passado?
Nestas coisas transitórias
Tem sempre novas histórias
Tudo o que for renovado...

Hoje, nas feiras modernas,
Os burros de quatro pernas
Já são uma raridade...
Muito embora haja mais
Na sua esperteza... iguais,
Mas é doutra qualidade...

(...)

Adelino Azevedo Pinto (Rijo) in "Retalhos dos Meus Trabalhos"

"EXPOVIS" painel publicitário da "Feira Anual de Viseu" (Toni Carreira, Banda do Mar, Pedro Abrunhosa, AGIR e António Zambujo)

20150719

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)



8 Novembro 1907 (Santa Leocádia/Baião/Porto) - 19 Julho 1991 (Viseu)

Adelino Nogueira Azevedo Pinto nasceu na "Casa da Roupeira", uma casa solarenga da freguesia de Santa Leocádia, concelho do Baião e distrito do Porto. Viveu entre 1934 e 19 de Julho de 1991 em Viseu onde exerceu várias actividades sendo mais a mais conhecida a do ensino de condução automóvel. Colaborou em diversos jornais “Gazeta de Coimbra”, “Política Nova”, “Voz das Beiras”, “Jornal de Viseu” e foi correspondente do “O Comércio do Porto”. Desde muito novo foi escrevendo poesia e mais tarde publicando, de modo disperso em vários jornais ou pequenas revistas. Por insistência dos seus filhos grande parte dessa produção foi recolhida em dois volumes intitulados “Retalhos dos meus Trabalhos” (1985) e “Cantigas minhas amigas” (1987).
Este viseense por opção e depois por amor foi distinguido pouco antes do seu desaparecimento, em 10 de Junho de 1991 pela Câmara Municipal de Viseu, com a “Medalha de Mérito Municipal”.

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)


Este volume que reúne mais de meio século de poesias de Adelino Azevedo Pinto (Rijo), foi o cumprimento de uma promessa que o autor fez a si mesmo e a resposta “a intimação” do seus filhos para reunir trabalhos dispersos que doutro modo acabariam esquecidos nas folhas amarelecidas dos jornais, guardados em arquivos. Adelino Azevedo Pinto foi “escrevente” na Imprensa Regional e correspondente de jornais nacionais. A sua figura permanece bem viva na lembrança daqueles que com ele privaram, muito em especial dos seus muitos amigos e vizinhos do "Campo de Viriato".
Adelino Nogueira Azevedo Pinto nasceu em 8 de Novembro de 1907, em Santa Leocádia, no concelho de Baião (Porto). Este livro com 459 páginas foi publicado em Dezembro de 1985, cerca de 6 anos antes do seu desaparecimento, em 19 Julho de 1991 é um arquivo de produções poéticas de formas e temas diversos “baralhadas cronologicamente".

20150630

Adelino Azevedo Pinto (Rijo)


Tão pequenina e jeitosa
Mais sedutora não vi...
És linda como uma rosa...
Se há rosas iguais a ti!

Azevedo Pinto (Rijo)

O Sr. Azevedo Pinto (Rijo) não tinha por hábito celebrar a data do seu nascimento que terá ocorrido em 1 de Novembro, embora a data indicada no registo seja o dia 8 de Novembro de 1907. Hoje lembrei-me deste ex-vizinho de origens fidalgas, de quem recordarei sempre o seu modo afável, o seu bigodinho, os óculos na ponta do nariz e os seus passeios, em marcha muito lenta, num WV carocha amarelo.
Adelino Nogueira Azevedo Pinto nasceu na Casa da Roupeira, uma casa solarenga da freguesia de Santa Leocádia, concelho do Baião, distrito do Porto. Viveu entre 1934 e 19 de Julho de 1991 em Viseu onde exerceu várias actividades sendo mais a mais conhecida a do ensino de condução automóvel. Encontrei-o muitas vezes no seu outro ofício, o de jornalista de bloco de apontamentos na mão a tirar notas para “escrevinhar” as suas reportagens. Colaborou em diversos jornais “Gazeta de Coimbra”, “Política Nova”, “Voz das Beiras”, “Jornal de Viseu” e foi correspondente do “O Comércio do Porto”.
Desde muito novo foi escrevendo poesia e mais tarde publicando, de modo disperso em vários jornais ou pequenas revistas. Por insistência dos seus filhos grande parte dessa produção foi recolhida em dois volumes intitulados “Retalhos dos meus Trabalhos” (1985) e “Cantigas minhas amigas” (1987).
Este viseense por opção e depois por amor foi distinguido pouco antes do seu desaparecimento, em 10 de Junho de 1991 pela Câmara Municipal de Viseu, com a Medalha de Mérito Municipal.