EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20170402

"Viriato" - Prof. José Hermano Saraiva


"A Alma e a Gente" (24 Janeiro de 2010) - Prof. José Hermano Saraiva - "Viriato"

20170217

"O Domínio Romano em Portugal"


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Em 1973 foi publicado "Portugal Romano" do Professor Jorge de Alarcão que viria a ser uma obra de referência. Novos dados revelados depois de inventariadas cerca de 2800 estações romanas permitiram ao autor alargar a temática do seu anterior trabalho e apresentar novos dados e conclusões. "O Domínio Romano em Portugal" resultou desses estudos e reflexões, alargando consideravelmente a temática da obra anterior e  passou a abordar assuntos como as divisões político-administrativas do território.
4ª edição, Publicações Europa-América, Colecção "Forum da História", Lisboa, Fevereiro de 2002. Capa  de Estúdios P.E.A. ( Pátera romana representando a expedição de Perseu contra Medusa)

20161007

Hábitos Lusitanos Segundo Estrabão


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(...)”Nas três quartas partes do ano, o único alimento na montanha são as glandes de carvalho, que, secas, quebradas e pisadas servem para fazer pão: este pão pode guardar-se por muito tempo. Uma espécie de cerveja feita com cevada é a bebida vulgar; quanto ao vinho, é raro, e o pouco que se fabrica é logo consumido nos grandes banquetes de família tão frequentes entre estes povos. Em vez de azeite servem-se de manteiga: comem assentados, há para isto bancos de pedra dispostos em roda das paredes onde os convivas tomam lugar segundo a idade e a posição. A comida circula de mão em mão. Mesmo bebendo os homens põe-se a dançar, ora formando coros ao som de flauta e da trombeta, ora saltando cada um per si a ver quem mais alto salta e mais graciosamente cai de joelhos.” (…)

“Geografia”. Livro III, de Estrabão, historiador e geógrafo grego (sécs. I a. C. - I d. C.)

20150810

Blogue "Lusitania Castrum"


Viriato foi um dos poucos sobreviventes da armadilha montada pelo Pretor Sérvio Sulpício Galba, em 150 a.C. quando os lusitanos decidiram aceitar a paz em troca da entrega de terras férteis nas planuras. Galba exigiu aos lusitanos que se reunissem desarmados para decidir sobre a partilha das terras. Cercados e sem armas milhares de lusitanos foram chacinados ou capturados e vendidos como escravos para a Gália. Entre os poucos que lograram escapar encontrava-se Viriato.

"Povos ancestrais pré-romanos que ocuparam o território hoje português. As suas origens e os seus costumes. Herois, mitos e lendas. Leituras, poemas e contos. Musica e Artesanato. Tradicionalismo Ibérico. Paganismo e neo-paganismo. Politeísmo, xamanismo, panteísmo e animismo."
Blogue "Lusitania Castrum" [VER]

Histórias (Estórias) & Mitos Lusitanos



"NO ANO DE MIL NOVECENTOS E QUARENTA O POVO DESTA TERRA COMEMORA OS FEITOS DE VIRIATO"
"AQUI MERGULHAM AS RAÍZES DESTA RAÇA VIVA E FORTE - IMORTAL NA SUA ESSÊNCIA"
Inscrição existente nos muros do “Monumento a Viriato” (1940)

Nada mais falso que a pretensa existência da “raça” [portuguesa] que máquina de propaganda do Estado Novo, a designação oficial da ditadura salazarista alardeava como se pode ler nesta inscrição que poucos deverão conhecer, existente nos muros do “Monumento a Viriato” que antecedem um dos taludes da “Cava de Viriato”. A vontade de homenagear Viriato, com uma estátua foi expressa pela primeira vez pelo vereador Dr. José Coelho (Professor de História e arqueólogo amador) à Câmara Municipal de Viseu em 1914 e o monumento veio a ser inaugurado em 16 de Setembro de 1940. Repare-se na contradição - para fazer a exaltação da “raça portuguesa”, nada melhor que um escultor espanhol - Mariano Benlliure y Gil (Valencia 8 de Setembro de 1862 – Madrid, 9 de Novembro de 1947) que por ter uma grande amizade com o Capitão Almeida Moreira, ofereceu o seu trabalho à cidade. Mariano Benlliure nasceu no seio de uma família de artistas e veio para Portugal para fugir da Guerra Civil de Espanha (1936/1939) e restabelecer da doença que o apoquentava, porque a sua esposa Carmen Quevedo Pessanha tinha família em Viseu.
Os portugueses são uma mistura de muitos de povos que chegaram ao “fim-do-mundo”, ao grande oceano durante muitos milénios impossível de ultrapassar, e se instalaram deixando a sua herança genética e cultural. Povos vindos do continente africano, da Europa no Norte, Central, do Sul e da Ásia chegaram ao território que viria a ser Portugal por terra e pelo mar. Desde a pré-história não pararam de chegar até hoje – africanos, sul-americanos e gente do Leste da Europa e da China constituíram as mais recentes migrações. Durante o período da expansão portuguesa, conhecido por “Descobertas”, os portugueses conhecedores da ciência e técnicas da navegação científica mais avançada, levaram e trouxeram genes do continente americano, da Índia, da China e do Japão. Esse período pouco contribuiu para o desenvolvimento económico e social de Portugal porque o negócio era um monopólio da coroa que dissipou os ganhos obtidos e os intermediários que vinham a Lisboa, comprar as especiarias a Lisboa para revenda, ficavam com a maior parte do lucro e o contrabando florescia. Nos dois séculos seguintes holandeses e ingleses tomaram conta do negócio e aos portugueses sobrou o ouro do Brasil que em breve se esgotaria. Toda essa riqueza não contribuiu para modernizar o país e foi desperdiçada em vaidades e gastos sumptuários.
Navegadores, mercadores fenícios e cartagineses, originários do actual Líbano, dominavam o comércio marítimo e tornaram-se inimigos de Roma que além do comércio pretendia conquistar as terras mediterrânicas e do vizinho Atlântico. Foram três as “Guerras Púnicas” travadas no entre 264 a.C. e 146 a.C.., os cartagineses que saíram derrotados não pretendiam ser colonizadores, limitavam-se a criar entrepostos comerciais para realizarem os seus negócios mas os romanos ocupavam os territórios que transformavam em colónias e impunham a sua civilização, incluindo naturalmente a sua língua e deuses.
Os lusitanos constituíam uma população muito dispersa que vivia numa faixa de território entre os rios Douro e Tejo que se prolongava até ao sul da actual Estremadura espanhola, ocupando lugares altos e fortificados no cimo de montes ou outeiros. As suas casas eram feitas de pedras soltas e cobertas de colmo. Muito independentes, organizavam-se em tribos, cada aldeia obedecia ao seu chefe e apenas em caso de guerra, escolhiam por eleição um chefe militar a quem passavam a obedecer e entregavam as “virias” (braceletes de metal que podiam ser de ouro) – “Viriato” poderia indicar o homem portador da “virias”. A hipótese de Viriato ser natural dos Montes Hermínios (Serra da Estrela) e foi um simples pastor provavelmente não é verdadeira. Seria filho de um chefe tribal (Comínio) e veio a casar-se com a bela Tongina (ou Tangina), filha de um rico proprietário da Bética (Andaluzia) chamado Astolpas que se entendia bem com os invasores e cujo “dote”  rejeitou. Certamente terá guardado gado mas viveu e enfrentou os romanos mais para sul, numa vasta área que abrange os actuais Alentejos, Estremadura espanhola e Andaluzia. São várias as terras portuguesas que pretendem ter sido o lugar do nascimento de Viriato - Loriga, Sabugueiro, Folgosinho (todas na Serra da Estrela) e Cabanas de Viriato. Existem estátuas do chefe dos lusitanos em Viseu, Cabanas de Viriato, Folgosinho, Vila Viçosa, Lisboa (Arco da Rua Augusta). Em Espanha afirma-se que Viriato foi espanhol e existe em Zamora, uma notável estátua com a inscrição – “Viriato Terror dos Romanos”, do escultor Eduardo Barrón González (1903).
Os lusitanos viviam da criação de gado, zangavam-se muitas vezes entre eles e sobretudo com os vizinhos, servindo-se de pequenas quesílias para se apoderarem das suas colheitas e gado. Desde muito cedo eram instruídos nas artes da luta e aceitavam lutar como mercenários.
 “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar” esta frase atribuída a Júlio César esclarece bem a natureza dessa gente.
Foi este povo orgulhoso e rebelde que recusou submeter-se a Roma e foi capaz de resistir 40 anos à mais poderosa máquina de guerra da época. O chefe militar dos lusitanos mais conhecido foi Viriato (179-139 a.C), referido por historiadores romanos antigos que provavelmente terão exagerado nas suas qualidades militares, para justificar a ineficácia das legiões romanas. Historiadores como Apiano de Alexandria, Floro, Possidónio e Dião Cássio – apelidaram-no de “dux latronorum” (chefe de ladrões), mas elogiaram-no devido sua bravura, lealdade e capacidade de liderança. Esse Viriato foi um dos poucos sobreviventes da armadilha montada pelo Pretor Sérvio Sulpício Galba, em 150 a.C. quando os lusitanos decidiram aceitar a paz em troca da entrega de terras férteis nas planuras. Galba exigiu aos lusitanos que se reunissem desarmados para decidir sobre a partilha das terras. Cercados e sem armas milhares de lusitanos foram chacinados ou capturados e vendidos como escravos para a Gália. Entre os poucos que lograram escapar encontrava-se Viriato.
O golpe traiçoeiro foi denunciado, as autoridades de Roma exigiram a presença do Pretor para ser julgado por faltar à palavra, ao ludibriar e atacar homens desarmados, envergonhando a República Romana. Só não recebeu um castigo exemplar porque pertencia a uma família rica e influente e terá subornado a justiça. A “guerrilha” era a maneira mais eficaz de combater com sucesso as legiões romanas, um exército fortemente armado preparado para confrontos directos, realizados em terrenos de fácil manobra que dominou um território muito vasto na Europa, África e Ásia. Mas Viriato chegou a atrever-se com êxito a enfrentar as legiões em campo aberto e vencer. Depois de ter conseguido derrotar sucessivamente cinco generais e impor tréguas, o Senado Romano humilhado enviou em 139 a.C. para a Hispânia Ulterior (a outra divisão administrativa romana era a Hispânia Citerior), o general Quinto Servílio Cipião que rompeu as tréguas, combateu e impôs pesadas derrotas aos lusitanos e pressionou Viriato a negociar a paz. Acossado o chefe dos lusitanos foi obrigado a entabular conversações, confiou em três companheiros - Audas, Ditalco e Minuro que foram muito bem recebidos pelo general e acabaram por apunhalar o seu chefe, enquanto dormia na sua tenda. Os traidores, procuraram refúgio junto dos romanos após o assassinato de Viriato, e quando reclamaram o prémio foram executados em praça pública e os seus corpos ficaram expostos com os dizeres “Roma não paga a traidores”.
A ideia de que os portugueses são descendentes dos lusitanos está completamente errada porque esse foi apenas mais um povo, tribo ou grupo entre muitos que habitaram a Ibéria e acabaram por se miscegenar. Provavelmente seriam oriundos da Europa Central, talvez Celtas? É sabido que não bebiam vinho mas cerveja, comiam pão de bolota, criavam gado, eram exímios cavaleiros, tão aguerridos que até as suas mulheres participavam nas lutas e defendiam as aldeias (castros). Os romanos obrigaram os lusitanos a abandonar os montes e a instalarem-se nas terras baixas.
Durante os sec. XV a XVII e sobretudo durante os anos de 1580 a 1640 foi criado por autores eruditos - Frei Bernardo de Brito (autor da fantasiosa “Monarquia Lusitana” - 1597), Camões, Brás Garcia de Mascarenhas, o mito do portuguesismo de Viriato e dos “Lusitanos”, por oposição aos vizinhos “Castelhanos” que conseguiram durante 80 anos manter a península sob a mesma coroa.
É bem provável que o Viriato nunca tenha passado por Viseu porque a sua actividade conhecida teve lugar na região do sul da península. A fortaleza octogonal com 2.000 m de perímetro e 38 hectares de área, construída em terra batida, rodeada por um fosso com água, designada como – “Cava de Viriato”, foi muito provavelmente uma cidade/acampamento árabe construída na Alta Idade Média, talvez por iniciativa de Almançor (939–1002) que aqui terá concentrado um exército de muitos milhares de homens para invadir a península. As suas campanhas vitoriosas ocorreram entre e 981 e 997 quando conquistou, saqueou e por vezes arrasou cidades inteiras. Entre muitas outras: em 981 – Zamora, 985 – Barcelona, 987 - Coimbra e 997 – Santiago de Compostela. Iniciada a “Reconquista” e já constituída a nação portuguesa a fortaleza era conhecido por “Cerca da vala”, quatro séculos mais tarde começou a ser feita a ligação da fortaleza a Viriato para fortalecer, ainda mais o desejo de libertação do maior império até então ao conhecido, Filipe I de Portugal, II de Espanha reinou sobre um território muito extenso - "Onde o sol jamais se punha".
Alexandre Herculano considerado o primeiro historiador científico português e autor da “História de Portugal” (escrita entre 1846 e 1853) recusava admitir que os portugueses fossem descendentes dos lusitanos mas o “Estado Novo” exímio em falsificar a História aproveitou o mito renascentista, para exacerbar a sua política nacionalista e isolacionista. Salazar não nutria especial simpatia pelos nossos vizinhos e as suas relações com o ditador Franco, eram apenas de conveniência.
A designação da antiga fortaleza como “Cava de Viriato” é um enorme erro histórico, que se viu reforçado em 1940, ano da afirmação e consolidação do “Estado Novo” quando se erigiu o “Monumento a Viriato”, levantado com dinheiro obtido de donativos e receitas das entradas na feira anual, nos “Dias de Viriato” realizados de 1929 a 1934. Em 1940 foi celebrado o “Duplo Centenário” – Fundação do Estado Português (1140) e Restauração da Independência (1640) e por esse motivo foram instalados os “Cruzeiros da Independência”, por todo o País. Em Viseu existem dois: um no Jardim do Massorim (Largo Tenente Miguel Ponces) e outro em Abraveses (junto à Igreja). Em Lisboa realizou-se em Belém, de 23 de Junho a 2 de Dezembro, a “Grande Exposição do Mundo Português, evento propagandístico de grande dimensão e muito impacto que foi acompanhado por muitos festejos e também de um plano grandes e pequenas obras, que incluiu a construção de escolas primárias – “Escolas do Centenário”, que se prolongou até à década de 1960, com objectivo de garantir que houvesse uma escola para todas as crianças.

Bibliografia sugerida:
"A Herança Romana e Portugal" de Carlos Fabião, ”O Domínio Romano em Portugal” de Jorge de Alarcão, “A Feira de S. Mateus em 1940…” de Luís da Silva Fernandes (artigo "Feiraemrevista/2015"), "História dos Lusitanos" de Pedro Silva, "Lusitanos no Tempo de Viriato" de João Luís Inês Vaz ", "A Terra de Endovélico - o Deus dos Lusitanos", de José Galambas, "Viriato" de Leonel Abrantes e "Viriato" de Maurício Pastor Muñoz 

"Alma Lusitana"


"Alma Lusitana" ver mais no "Canal YouTube"  de Ricardo Alves [VER]

20150407

Lusitanos Armados - A. Passaporte

Clique sobre a imagem para ampliar

Um grupo de lusitanos armados, capa de colecção de Bilhetes Postais Ilustrados de Viseu (Colecção A. Passaporte), gravura de António Pedro Passaporte [ver]

20140804

Viriato na Roménia ?


"Viriathus" - imagem retirada de uma página romena [ver] mas que deverá ter "gamada"

20100130

"A Morte de Sertório" - M. Gustavo



"Quinto Sertório (nascido em 121 e morto em 73 a. de J. C.), chegou a Espanha, devido à guerra civil verificada em Roma entre Sila e Mário, da qual Sila saiu vencedor, apoderando-se do governo romano. Sertório, filho de mãe íbera e antigo tribuno militar em Cástulo, teve de fugir, e escolheu a Península Ibérica para continuar a luta a favor de Mário. (...)
(...) no ano 81 a. de J. C., os lusitanos o foram convidar para se colocar à sua frente e combater Roma. (...)
(...) Sertório dividiu em duas regiões que governava: a primeira, foi a Lusitana, com capital em Èvora, onde estabeleceu o senado; a segunda, Celtibéria, com capital em Huesca. Aqui fundou uma Universidade com professores gregos e latinos. (...)
(...) Enfrentou então os generais de Sila. Por mar, enfrentou Fufidio Cota em Tarifa (ao tempo chamava-se Mellaria), por terra enfrentou Didio e depois Metelo. (...)
(...) Os convivas eram todos romanos. Começou-se a beber, falou-se do combate que nunca tinha existido, que não passava de uma mentira. Sertório ouvia. De súbito um dos presentes encheu um copo de vinho, e como por acaso, voltou-o. Era o sinal. Todos puxaram pelos punhais e cairam sobre ele com fúria. Sertório, apanhado de surpresa, nada pôde fazer, e muito menos defender-se. (...)
(...) A guarda Sertoriana, que havia feito a promessa sagrada de não sobreviver ao seu chefe, depois de perseguir e executar os assassinos, resolveram lutar entre si, até que o último caisse para sempre." (...)

"A História de Portugal em quadros"- Ilustração M. Gustavo (pseudónimo de Carlos Alberto Santos) e texto de Roussado Pinto, "Jornal do Cuto", nº 5 de 4 de Agosto de 1971 [ligação]

20100103

A Falcata do Viriato

A falcata

(…) Foi, talvez, a mais emblemática e eficaz arma dos Lusitanos e aquela que mais “dores de cabeça” causou às hostes romanas.
Não se sabe a origem da falcata na Ibéria. (…) Enquanto os legionários romanos utilizavam o gládio quase sempre de ponta, a falcata nunca era usada para espetar, mas para actuar de gume. (…)
De uma maneira geral o gume da falcata localizava-se (ao contrário dos sabres) no interior da curva. Daí a sua espectacular eficácia. Mais, muitos fabricantes tentavam aumentar a sua eficácia afiando também o lado contrário ao gume.
Assim, a falcata ficava a possuir dois gumes e podia ser utilizada em direcções contrárias. (…)
(…) Quando o pretor P. Carisius ordenou a cunhagem de denários em Emérita Augusta, para celebrar a sua vitória sobre os Cantabri, em 22 a. C., mandou gravar na face da moeda uma falcata e uma caetra [1] – as armas dos vencidos. (…)

Miguel Sanches de Baêna, Investigador do Centro de História da Universidade de Lisboa, Perito em história militar - in "Grandes Enigmas da História de Portugal" , Vol. I, Editora Ésquilo Edições & Multimédia, de Miguel Sanches de Baêna e Paulo Alexandre Loução (autores-coordenadores) [ligação]

1 – Pequeno escudo circular ( 30 a 60 cm) feito de madeira cortada e unida com peças de ferro, tinha muitas vezes uma bossa metálica ao centro que escondia a empunhadura e protegia a mão do guerreiro. Era muito usado pela infantaria ligeira, tinha presa uma correia de cabedal que servia para transportar o escudo ao pescoço. Durante o combate a correia permitia fixar o escudo ao antebraço, com firmeza, possibilitando o seu uso com arma de ataque. (AJ)

20091206

"Os Lusitanos" - M. Gustavo


(...) "Eles viviam em casas toscas, que formavam povoados dispersos, sempre em pontos altos. As ruas eram autênticos arraiais de festas: por elas passeavam porcos e todos os géneros de animais de criação doméstica, ao mesmo tempo que as mulheres se entretinham a fiar e os pastores - que os lusitanos eram essencialmente pastores - não desdenhavam trazer os seus rebanhos até à sua porta, para os mostrar aos vizinhos, entre alegres e felizes." (...)
Imagem de M. Gustavo (pseudónimo de Carlos Alberto Santos) e texto de Roussado Pinto in "A História de Portugal em Quadros", nº 1, publicada no "Jornal do Cuto" nº 1, 7 de Julho 1971 [ligação]

20091129

O Monumento a Viriato em Viseu

(...) "Na guerra os Lusitanos utilizavam um escudo redondo; como armas ofensivas usavam um punhal, a célebre falcata e a espada de duplo corte, o gladius hispaniensis, que Políbio considera melhor que a dos Celtas gálicos, porque feria de ponta e de gume, enquanto que a dos Celtas só feria de fio. Por esta razão os Romanos viriam mesmo a adoptar esta arma lusitana. Os Lusitanos utilizavam também uma lança de ferro e uma espécie de tridente, armas que semeariam o pânico entre as hostes inimigas."(...)
(...) "Na guerra, quando se tornava necessário, as lusitanas lutavam aguerridamente ao lado dos homens.
Os Lusitanos eram sóbrios, bebiam água e uma bebida fermentada, semelhante à cerveja. Parece que raramente bebiam vinho. Comiam uma vez por dia, normalmente carne e uma espécie de pão de bolota seca que fabricavam." (...)

Paulo Alexandre Loução in "Portugal - Terra de Mistérios", 7ª edição, pag. 353, Editora Ésquilo, Lisboa 2006

O guerreiro lusitano "ensanguentado" foi moldado pelo escultor espanhol Mariano Benlliure e poderá representar Táutalo, homem de confiança de Viriato de quem foi sucessor imediato. Desgraçadamente foi recentemente "atacado". Esse acontecimento não o impede de continuar a participar numa emboscada aos legionários romanos, apesar de há muitos anos lhe terem roubado o punhal.
Agora uma boa notícia relacionada com o monumento a Viriato: antecedendo a realização do congresso da Associação de Municípios Portugueses, marcada para os próximos dias 4 e 5 de Dezembro no Multiusos, os técnicos da EDP reviram a iluminação do Campo de Viriato e substituíram as lâmpadas amarelas dos holofotes que iluminavam o monumento, completamente desadequadas, por outras de cor branca que melhoraram o aspecto nocturno do conjunto escultórico.

A iluminação dos novos acessos à "Cava de Viriato", Monumento Nacional desde 1910, da nova "passadeira" e do passadiço continua desligada, mais de um no passado sobre o final das obras, talvez à espera de ser ligada no próximo fim-de-semana na presença dos autarcas, dos convidados e quem sabe do primeiro-ministro...

20091025

"A Voz dos Deuses" de João Aguiar



"Muitas coisas, verdadeiras e falsas, foram ditas sobre Viriato. Como acontece com todos os grandes homens, ele transformou-se numa lenda e as lendas, regra geral, são injustas mesmo para aqueles que pretendem glorificar. Por exemplo: ouvi não poucos disparates e exageros sobre a força e a bravura do Comandante (ele era um herói, não um deus); em contrapartida, ficaram esquecidos, por menos espectaculares, verdadeiros prodígios de estratégia, diplomacia e eloquência." (28ª edição - p. 248).
"A Voz dos Deuses" de João Aguiar [ligação] que foi publicado pela primeira vez em 1984 é considerada a obra literária mais importante escrita sobre Viriato, em Portugal no século XX, não apenas pelo rigor histórico pois é um romance histórico baseado em documentação antiga, estudos arqueológicos e etnográficos mas especialmente por ser uma das mais lidas. [ligação "Letras & Letras"]

20091004

"Os Cartagineses na Península"



(...)"Depois foi ao encontro dos lusitanos, que teimavam em não se deixar subjugar por estes senhores africanos. Aliás, os lusitanos sempre foram um povo com grande ânsia de liberdade. Mas a resistência foi retalhada por Amilcar, o qual, porém, viria a morrer nesses combates com os lusitanos, que do alto das montanhas e das trevas dos caminhos não deixaram de provocar dores de cabeça aos invasores"(...)
(...)"Além disso, sugaram até onde tiveram tempo as minas de minério, e desenvolveram a exploração do esparto e linho, utilizados nos vestuários e na confecção de barcos."

"Os Cartagineses na Península" in "A História de Portugal em Quadros" de M. Gustavo, pseudónimo de Carlos Alberto Santos [ligação], com texto de Roussado Pinto in "Jornal do Cuto" nº 2, Ano 1, 14 Julho de 1971 [ligação]

20090719

Os Guerreiros Lusitanos


Guerreiro Lusitano trabalho do escultor Mariano Benlliure (1940)

(...) "Os guerreiros Lusitanos usavam um pequeno escudo redondo suspenso ao pescoço, couraças de linho, capacetes de couro, uma adaga ou punhal curto, e uma lança comprida com ponta de bronze.
Os Lusitanos, informa ainda Estrabão, eram sóbrios e frugais, bebendo só água, cerveja de cevada e leite de cabra. Usavam manteiga em vez de azeite, e alimentavam-se de pão, da carne dos seus rebanhos, e do que pescavam. Dormiam deitados no chão, usavam cabelos compridos como as mulheres, untavam-se com azeite e celebravam vários jogos de destreza física. Os homens vestiam-se com lã preta ou com peles de cabra. Sabemos também que os criminosos condenados à morte eram despenhados de precipícios." (...)

Leia mais em "Nave Lusitânia" [ligação].

20090503

Os Guerreiros Lusitanos

(...) "Os Lusitanos são conhecidos como engenhosos para as emboscadas, a busca de informações, são impetuosos, rápidos, capazes de manobras rápidas. Levam um pequeno escudo de dois pés de diâmetro, côncavo, fixado ao corpo com correntes. Levam também um punhal ou uma faca. Vão de jaqueta em linho. Alguns levam cota de malha e um capacete. (…) Alguns deles estão também armados de lanças com pontas em bronze. Diz-se dos habitantes da beira Douro que vivem de modo espartano; lavam-se, untam-se com azeite duas vezes por dia em locais especiais e praticam o banho de vapor em estufas de pedra aquecidas ao lume, mas banham-se em água fria e fazem um só jantar, frugal, que comem cuidadosamente." (...)

Estrabão, Geografia, III, 3, 5-7
Ler mais em "Portugal Celta" [ligação]
P.S. - Nas imagens guerreiro Lusitano no monumento a Viriato de Mariano Benlliure (1940) com um capacete moderno.

20090405

O Monumento a Viriato e a Cava


(...) ”O principal objectivo do estacionamento desta legião era poder acudir a qualquer lugar onde houvesse rebelião, pelo que pela sua localização teria de ocorrer num ponto central, estratégico e dotado de um bom diagrama de comunicações. O local mais provável seria a região de Viseu, onde existem os vestígios de um grande acampamento que tem sido considerado romano, mas que hoje se tem quase a certeza que será uma construção árabe, medieval por consequência. Mas dentro deste acampamento, parece verem-se os vestígios de um outro acampamento anterior que seria o acampamento romano.” (...)
Este lugar, pela tradição criada no século XVI, é atribuído a Viriato e por isso é conhecido ainda hoje como “Cava de Viriato”. (...)

João Luís Inês Vaz In "Lusitanos no Tempo de Viriato - Quotidiano e Mitos ", página 143, da 1ª edição com Prefácio de Guilherme d'Oliveira Martins.
O monumento a Viriato erigido frente à Cava em 1940, da autoria de Mariano Benlliure, veio "confirmar" uma tradição que não passa de uma fantasia mas serviu os interesses do regime criado por Salazar.
O grupo de cicloturistas que aproveitou a relva para descansar pertence ao "Clube Desportivo Feirense" [ligação], de Santa Maria da Feira [ligação] uma cidade que muitos não saberão geminada com Viseu.

20090208

Gravura Antiga de Viseu



Um grupo de pastores e guerreiros Lusitanos e a cidade de Viseu vistos por A. Passaporte - gravura que certamente deveria capear postais ilustrados antigos

20070929



(...) “Povos de origem indo-europeia, mas pré-célticos, como claramente se demonstra pela língua, conhecida através de algumas raras inscrições da época romana, os Lusitanos ter-se-iam estabelecido na região montanhosa da Beira Interior no Bronze final. O seu carácter aguerrido tornou-os os principais adversários dos romanos. Aníbal, que recrutou mercenários lusitanos para a sua campanha de Itália, excitou-os com a promessa do saque.” (…)
(…) “Apesar das numerosas referências de escritores latinos e gregos a Viriato, o lugar e a data do seu nascimento serão sempre uma incógnita. Nada sabemos, também, das suas origens sociais. Temos, por Diodoro, conhecimento de que casou com a filha de um rico proprietário lusitano, num daqueles anos em que fez sofrer os romanos derrota sobre derrota. A boda foi servida com abundância, mas Viriato não quis sequer sentar-se. Apoiado na sua lança, olhava com desprezo os manjares, as taças de ouro e prata, os preciosos tecidos.” (…)


Jorge de Alarcão in “O Domínio Romano em Portugal”, Colecção Forum da História, Publicações Europa-América, 4ª Edição, Mem Martins, Fevereiro de 2002.

20070708

Dois guerreiros Lusitanos !
Há lugares e lugares para colocar "tags" ou rabiscos!

Se usavam pinturas de guerra e tatuagens não eram destas...
Saiba mais sobre os povos da Ibéria, sobre os Lusitanos e a sua tenaz resistência ao invasor romano - Clique P.F.

Infelizmente poderá confirmar como se chega à universidade cometendo erros de ortografia indignos da antiga 4ª classe.