EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.

20260123

Se a Paz Viesse

E mais paz trouxesse

Até que se espalhasse por toda a Terra

E morressem os donos da guerra

Seria mais feliz a nossa vida

E a violência não seria consentida…

 

A guerra veste-se de várias cores~

Provoca terríveis dores e horrores

Impróprios de seres humanos

Verdadeiros ditadores tiranos…

Alguns disfarçados de gente de Bem

A olhar para o seu umbigo e pra mais ninguém!

 

Os grandes ditadores mundiais

Conhecem a lei da força e nada mais

Convertem-nos em carne para canhão

Com drones e mísseis de 1ª geração

Que provocam uma total destruição…

 

“Nuclear”, por enquanto…

Só uma vez houve ousadia para tanto!

Mas… mais cedo ou mais tarde

Há de vir algum déspota tão covarde

Que utilize essa forma de destruição

Com um simples “carregar num botão”!

 

Capazes do melhor e do pior

Alheios à piedade, à bondade e ao amor

Apenas com o pensamento nos bens materiais

Sempre a pensar em ter mais, mais e mais

Insensíveis à fome, à miséria e à desgraça

Vivemos aprisionados numa carapaça!

É nestas águas que os ditadores navegam

Sem darmos conta para onde nos levam!

 

Maldita seja a maldade humana

Que existe na mente de tanto sacana!


Celso Neto


20251222

Hipocrisia Putintrumpesca


Os humanos são os maiores predadores da terra

Muitos só pensam em dinheiro e em guerra

A avidez de poder e de riqueza

Junta ditadores opostos à mesma mesa…

O que se passa com Trump e Putin

Confirma que é assim…

 

O que está a acontecer na Ucrânia

É uma tremenda infâmia

O que se passa na Palestina

É uma verdadeira chacina

Os crimes de guerra são ininterruptos

Provocados por ditadores cruéis e corruptos

 

Trump e Putin, nenhum é tolo

O que eles querem é dividir o “bolo”!

Nenhum anda a lume palhas

São dois refinados canalhas!

Quem os dera da vista pra fora…

Mas não há meio de “irem embora”!

 

São amigos, tratam-se por tu…

Deviam “partir” com um míssil enfiado no c…

Para chegarem depressa ao inferno

Onde devem cumprir castigo eterno!

 

Por todo o mal que fizeram ao mundo…

Sinto pelos dois um nojo profundo!


 Celso Neto




20251202

Provérbios Populares - Dezembro


 Em dezembro treme de frio cada membro.

Em dezembro descansar para em janeiro trabalhar.

 

Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar.

 

Quem varejar antes do Natal, deixa o azeite no olival.

 

Se queres um bom alhal, planta-o no mês do Natal.

 

Pelo Natal, sachar o faval.

 

Quem quer bom ervilhal semeia antes do Natal.

Dezembro frio, calor no estio.

 

Caindo o Natal à segunda-feira, o lavrador tem de alargar a eira.

 

Dezembro com junho ao desafio traz janeiro frio.


20251102

Provérbios Populares - Novembro


Novembro à porta, geada na horta.

 

Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.

 

Dos Santos ao Natal, inverno geral.

 

Dos Santos ao Natal, bom é chover e melhor é nevar.

 

As geadas de São Martinho levam a carne e levam o vinho.

 

No dia de São Martinho semeia os teus alhos e prova o teu vinho.

 

No dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.

 

No dia de São Martinho, castanhas, lume e vinho.

 

Pelo São Martinho fura o teu pipinho.

 

Em novembro põe tudo a secar, pode o sol não tornar.

 

20251010

"Os Cornos de Cronos" - José F. e Costa


 
O MEU REINO POR UM... COELHO

José Fonseca e Costa é um realizador bem sucedido, no sentido em que alguns dos seus filmes foram êxito de bilheteira (“Kilas o Mau da Fita” – 1980”, “Sem Sombra de Pecado” – 1982”, “A Mulher do Próximo” – 1988). O realizador pretende fazer filmes para o grande público, deseja assumir o “Cinema Comercial” e não trabalhar para público restrito de “cinéfilos intelectuais”. Daí a sua aposta na produção privada e o apoio do Instituto Português do Cinema que pretende ver a sua acção diluir-se e acabar com o regime de subsídios. Saúde-se o aparecimento de produtores privados e criação de uma pequena indústria de cinema nacional.
Na obra de J. F. e Costa são visíveis, nos últimos 10 anos, claras intenções de enveredar por esta via e melhorar a qualidade. O seu último trabalho “Os Cornos de Cronos” é, infelizmente, excepção e significa um retrocesso. É um filme desequilibrado e um acumular de equívocos e falhanços. Grande parte das culpas não deverão ser atribuídas ao realizador. O filme parte de um argumento, adaptado por Américo Guerreiro de Sousa, autor do romance com o mesmo título, obra frouxa sem dúvida, daí a sua falta de nexo e os seu diálogos e situações inverosímeis. A realização é simples e com certo gosto. São excepção o demasiado pudor em cenas de intimidade, entre os dois casais a contrastar com a redundância da cena em que a bela Ana Sofia (Inês de Medeiros) nos é dada no seu esplendor (aproveitada em parte para o anúncio na TV) e mostrada a decadência do seu amante Alexandre. A fotografia de Daniel del Negro é geralmente sóbria e eficaz, porém as cenas nocturnas apresentam algumas deficiências de iluminação e captação. No capítulo da montagem as imperfeições são algumas e não escapam aos espectadores mais atentos. A produção é desajeitada e facilmente se notam falhas motivadas por descuido ou incompetência. A música de António Emiliano e passagem de Inês de Medeiros são as suas melhores qualidades (pelos filmes de J. F. e Costa já passaram outras mulheres igualmente belas: Lia Gama, Vitória Abril e Assumpta Serna). Os restantes actores estão no trivial dos portugueses e é notória a sua falta de talento ou de experiência de cinema. O brasileiro Carlos Veresa (Alexandre) está muito mal, ridículo nas três fases da sua vida. De salientar a título de curiosidade, a sua figura algo semelhante à do realizador que, aliás aparece no filme numa breve imagem. Os espectadores não são capazes de distinguir se estão perante um drama ou uma comédia e desatam a rir em situações que, em princípio, o não justificariam de modo algum. O cinema simula o real, o que não significa ser realista, todavia este filme depressa deixa de ter a adesão do público que nele não acredita, a história soa a falso. Veja-se a título de exemplo: a cena do jovem apaixonado, o primo Baltazar especado no meio da praça empunhando um ramo de flores e as cenas que vão com certeza ficar famosas, na história do Cinema Português, as cenas de caça. O coelho vai, certamente, ficar famoso. Bugs Bunny (o Pernalonga) e Roger Rabitt, duas personalidades bem conhecidas do Cinema, estão em pânico... Alguém poderá lembrar-se de apresentar o coelho do filme de José Fonseca e Costa, figura bem simpática, a candidato ao “Oscar” para o “Melhor Coelho do Ano”. Bugs completou no ano passado os seus 50 anos, e nunca será vítima da doença de Cronos – o envelhecimento e a decadência.

António João

"Viseu Informação", 10 de Abril de 1991

Filme apresentado em  antestreia, sem a presença do realizador, no "Auditório Mirita Casimiro"


20250516

“Voto Na AD Mas É Merda...”

 “Voto Na AD Mas É Merda...” - Duo Ele e Ela - 1981

 
Foste um parvo, Zé Lacerda


Ó mulher, vai lá à merda

Votaste na AD e eu não sei pra quê


Mas não foste só tu, foram mais enganados


Subiu e sobe tudo, tudo como se vê


E ninguém fez subir, subir os ordenados

Já vem de trás a crise que o país atravessa


Há muito pra falar e muito pra fazer


Pois há, mas há que haver, haver menos conversa


E dar o ordenado que chegue pra viver


Porra!

A AD, a AD há de ser renovada


Cala a boca, Lacerda


A AD não vale nada


Para as novas eleições


Vais votar com o Lacerda


Não voto em aldrabões


Ó mulher, vota na AD


Voto na AD mas é merda

És um parvo, Zé Lacerda


Ó mulher, vai lá à merda


Vai tu

Votaste na AD pra ires à televisão


Mas agora já vês o teu sonho acabado


Nem mesmo te valeu o Pinto Balsemão


Foste atrás da conversa e ficaste tramado

Continuam os mesmos por detrás da cortina


Meia dúzia de artistas donos da televisão


Mas há de ser a AD que com isso termina


Para haver igualdade em todo o cidadão

Puxa

Cala a boca, Zé Lacerda, tu não sejas intrujão

Foste um parvo, Zé Lacerda


Ó mulher, vai lá à merda


É pá, vamos

A AD, a AD há de ser renovada


Cala a boca, Lacerda
A AD não vale nada


Para as novas eleições


Vais votar com o Lacerda


Não voto em aldrabões


Ó mulher, vota na AD


Voto na AD mas é merda

Bem conversadinho ainda dás a tal voltinha


Querias, querias, mas é que eu não dou, não


Oh, não dás agora, até dás


Isso é que era bom, e não me estejas a enervar, hã?


Não te enervo, oh filha, tem calma, tem calminha


Olha que carga de trabalhos, hã?


Olha pra ele, hã? Isso é que era bom, não dou, não

A AD, a AD há de ser renovada


Cala a boca, Lacerda


A AD não vale nada


Para as novas eleições


Vais votar com o Lacerda


Não voto em aldrabões


Ó mulher, vota na AD


Voto na AD mas é merda

Livra-te!

Ouvir no "YouTube"



20250425

Abril de sim Abril de não


Eu vi Abril por fora e Abril por dentro

vi o Abril que foi e Abril de agora

eu vi Abril em festa e Abril lamento

Abril como quem ri como quem chora.


Eu vi chorar Abril e Abril partir

vi o Abril de sim e Abril de não

Abril que já não é Abril por vir

e como tudo o mais contradição.


Vi Abril que ganha e Abril que perde

Abril que foi Abril e o que não foi

eu vi Abril de ser e de não ser.


Abril de Abril vestido (Abril tão verde)

Abril de Abril despido (Abril que dói)

Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre: Obra Poética, Lisboa (1999), publicações D. Quixote, p.444



20250419

Páscoa

Um dia de poemas na lembrança 

(Também meus)

Que o passado inspirou.

A natureza inteira a florir

No mais prosaico verso.


Foguetes e folares,


Sinos a repicar,


E a carícia lasciva e paternal


Do sol progenitor


Da primavera.


Ah, quem pudera


Ser de novo


Um dos felizes


Desta aleluia!


Sentir no corpo a ressurreição.


O coração,


Milagre do milagre da energia,


A irradiar saúde e alegria


Em cada pulsação.



Miguel Torga, in Diário XVI

 

20250324

Os Amigos do Alheio


Muitos políticos são amigos do alheio
Mas há muita gente séria lá pelo meio…
Parece que quanto mais alto é o patamar
Maior é a tendência para mentir e ocultar…
Sinto uma tristeza sem fim
Por termos tantos políticos assim…
 
Vai ser difícil acabar com esta realidade
Que dificulta tanto a governabilidade…
As gémeas, as casas e a empresa
Não são invenções, tenho a certeza!
 
Quem depois da tormenta ter provocado
Diz que o adversário é que é o culpado
Deve ser julgado e afastado…
 
Gente desta
Não presta!

CELSO NETO


20250216

"Vídeo Kills the Radio Star"


Cada vez menos espectadores nas salas de Cinema e mais gente transportando caixas de plástico com cassetes de vídeo. Geralmente vão aos pares e caminho de casa. Certamente que isto é uma constatação partilhada por muitos amigos. Os tempos que correm são assim:

Individualismo e facilidade.

Mais cassetes a “passear” e menos pessoas nas salas, lugar e eleição para os encontros com o mundo maravilhoso, fascinante e falso do Cinema.

É mais cómodo, a escolha mais ampla, mais económico e os que escolhem o vídeo ficam contentes. E fazem muito bem. Desfrutam ao seu modo.

O vídeo não me satisfaz. Ainda lhe falta muito para ser comparável ao Cinema e nunca o será. São duas coisas distintas e talvez venham a ser complementares.

O Cinema é na sala escura, no “Silver Screen”.

Cinema é viver em grande.

O vídeo não passa de uma pálida imitação do Cinema. As tv’s do futuro (próximo) serão grandes, para pendurar na parede, com formatos respeitadores dos écrans de Cinema e o mais importante de qualidade de imagem capaz de rivalizar com a película (alta definição).

Vamos aguardar a sua chegada. Claro que estes equipamentos vão ser caros, no início, depois a massificação fará baixar os custos.

O meu fascínio pelo Cinema vem de longe. Muito pequeno e já fugia de casa para o Cinema. Com três anos é evidente que o podia frequentar e por isso me limitava a olhar os cartazes, as fotografias e as grandes letras dos anúncios.

Ficava-me pelo “Hall” e por vezes atrevia-me a chegar à porta de onde fluíam os sons maravilhosos daquele mundo. Lá estavam o polícia, o porteiro e aquela porta fechada para mim.

Os amigos e vizinhos passavam o tempo a levar-me para casa e eu a regressar, logo que podia, para em bicos de pés, admirar as imagens dos cartazes que tanto me atraiam.

Cresci e a sala foi encerrada. Sim salas de Cinema a fechar não são coisa de hoje. Aquela sala era um Teatro e morreu talvez devido ao sucesso da TV.

Inegavelmente o vídeo tem coisas boas. Só o vídeo permite apreciar algumas das mais belas joias da 7ª. Arte. Só o vídeo permite, a muitos ver e rever as imagens ao ritmo da vontade e disponibilidade.

O Cinema exige uma entrega e um esforço maior, todavia é muito mais gratificante. Embora na obscuridade sentimos a presença dos outros e as suas reações.

As emoções vão percorrer a sala e contagiar os espectadores. Do cone de luz liberta-se Magia e esta invade a sala rapidamente. O projecionista é o mágico, o ilusionista que dirige o espectáculo da luz e da vida. Ele consuma o casamento feliz da película, com a luz. E este é um momento único.

Sejamos optimistas. O Cinema também pode ser melhor, ser ainda mais envolvente e sedutor, manter, recuperar e ganhar novos amantes.

 

AJ, in “Argumento”, Boletim Informativo do Cine Clube de Viseu, nº 38 de Novembro de 1990.

 

P.S. – A sala referida no texto era o demolido “Avenida Teatro”, existente na Avenida Emídio Navarro. Este despretensioso pedaço de prosa, foi classificado pelo diretor do boletim do Cine Clube de Viseu que o aceitou para publicação, algum tempo depois de ter sido publicado, como “Sendo uma redação da 3ª Classe”. Facto que muito me honrou, vindo de um tal, Joaquim ALEXndre Oliveira Rodrigues (ALEX), cujo nome aparece, apenas 6 vezes, nessa edição do boletim do qual era director.

 

"Vídeo Kills The Radio Star" - Música dos "The Bugles", de 1981 , primeiro vídeo exibido pela MTV


20250104

Os Portugueses


“Os portugueses são naturalmente sofredores e pacientes: muita arrochada há-de ser a corda com que de mãos e pés os atam os seus opressores antes que rompam em um só gemido os desgraçados. Um murmúrio, uma queixa… nem talvez no cadafalso a soltarão!”

Almeida Garrett (Carta de M. Scevola, 1830)


20250101

Feliz Ano Novo, Caros Amigos!


Ficção de que começa alguma coisa!

Nada começa tudo continua.

Na fluída e incerta essência misteriosa

Da vida, flui em sombra a água nua.

Curvas do rio escondem só o movimento.

O mesmo rio flui onde se vê.

Começar só começa em pensamento.

Fernando Pessoa


20241224

Feliz Natal para Todos


Pastorinhas do deserto,

Levantai-vos que é de dia;


Há muito que o sol é nado


No regaço de Maria.


Deixai cajado e manta,


Vinde todos a Belém


Adorar o Deus Menino


Nos braços da Virgem-Mãe.


Leva arriba, pastorinhos


Leva arriba, maltesia,


Já lhe está a dar a mama


Sua mãe Virgem Maria.


 

Aquilino Ribeiro in “O Livro do Menino Deus” (1945) 



20240904

Rapazes Tomai Cautela...

(...)




À noite, no "picadeiro",


Certo menino matreiro


Das fortunas indagou.


Créditos todos falidos,


Mulheres com teres p´ròs vestidos


Nem uma só encontrou!...



 

Esta vida tão cara


 quem tiver grande tara


Se deixa ir no embrulho...


Numa casa sem ter pão


Lá diz um velho refrão


Que nunca cessa o barulho.



 

Meninas dos tempos de hoje


Vede como um homem foge


De vos pedir ao papá.


Escusais fingir riqueza


Sentando-vos numa mesa


Do tal "Pavilhão de Chã"....



 

Tudo em vós são fantasias


Por isso ficais p´ra tias


E as Feira hão-de passar...


Mulher que tem merecimentos


Escusa, como os jumentos,


Que a levem a afeirar...



 

Adelino Azevedo Pinto (Rijo), in "Retalhos dos Meus Trabalhos", Viseu 1985

20240824

"Clube Académico de Futebol" - Extinto


A data da fundação do extinto Clube Académico de Futebol nunca foi suficientemente esclarecida. Segundo consta  dos Estatutos, aprovados por despacho de Sua Excelência o Secretário de Estado da Educação Nacional de 4 de Fevereiro de 1961 - "Capítulo Primeiro - Denominação, Fins e  Sede", Artº 1º ´- O Clube Académico de Futebol, também designado pelas iniciais C.A.F., é uma associação desportiva fundada em 1917, que se rege pelos presentes estatutos". [ver]
Foi grande a minha surpresa quando há já algum tempo, deparei com este quadro com a indicação do dia 9 de Novembro de 1917, como tendo sido a data da fundação da associação. Não consegui apurar a data da edição da estampa mas é provável que tenha sido em 1987, quando o clube completou 70 anos. A direcção certamente teria tido acesso a um documento que lhe permitiu indicar essa precisa data. O ano de 1917 foi a data oficial e serviu para a filiação na Federação Desportiva de Viseu (actual Associação de Futebol de Viseu). Porém no Capítulo 7º,  Artº 74 - a última semana de Junho é destinada à realização da "Festa Clubista, em comemoração da fundação do clube, prazo que poderá ser prorrogado por um mês." Porque motivo a festa era celebrada em Junho, por ser Verão ou por razão desconhecida?
Passo a reproduzir alguns dos artigos desses estatutos para recordação dos mais velhos e satisfazer a curiosidade dos jovens:
(...)"Capítulo Segundo - Insígnia. Estandarte. Uniforme
Artº 7º - O estandarte do Clube é um rectângulo de tecido branco, debruado por um faicha preta, tendo ao centro o escudo insígnia.
Artº 8º - As equipas do Clube são constituídas, tendo por base a cor preta.
parágrafo único - Quando haja necessidade de mudar as equipas, adoptar-se-ão as equipas do Sporting Clube de Portugal" (...)
"Capítulo Sétimo - Das disposições Gerais, Artº 70 - São expressamente proibidos, nas dependências do Clube, jogos de azar." (...)
"Artº 73 - O Clube far-se-á representar no funeral dos seus sócios com o estandarte, fazendo também hastear na sede, a bandeira a meia-haste, nesse dia." (...)

O Clube Académico de Futebol (C.A.F.) era conhecido por "Académico de Viseu", para o distinguir de outras associações de outras localidades também com a designação de "Académico" e a sua extinção foi originada por pedido de insolvência, processo judicial iniciado em 2005 e encerrado no dia 26 de Fevereiro de 2010.

O novo "Académico", o "Académico de Viseu Futebol Clube" teve origem no Grupo Desportivo de Farminhão que em 2005 mudou a sua designação para a actual, também mudou de cores, emblema e a sua sede social, de Farminhão para Viseu e com a concordância da câmara passou a jogar no Fontelo.

20240822

"Feiras de Viseu" - Dr. José Coelho

 
Texto publicado em 31 de Julho de 2014 que teve a imagem embargada, graças a "bandidagem" desconhecida, e que a agora se volta a repetir:

"(…) - foi D. João I logo nos começos do seu reinado (1386), o fundador, em Viseu, de uma feira anual, livre de metade da sisa, a começar em 23 de Abril, dia de S. Jorge, defensor do Reino.
Em Viseu estabeleceu o Mestre de Avis a sua Côrte durante algum tempo, aqui lhe nasceu o primogénito – D. Duarte – e de Viseu lhe foi prestado valioso auxílio nas guerras com Castela, pelo que natural seria que este monarca tratassse esta cidade com especial deferência. D. Duarte confirma a concessão do Pai nos começos do seu reinado, embora depois, por motivos ignorados, a Feira deixasse de se fazer por algum tempo.
Dentro em breve os procuradores de Viseu, nas Côrtes de Santarém, pedem, mas em vão, o restabelecimento da Feira.
No entanto não desistem, pois em breve o voltam a fazer nas Côrtes de Évora, sendo então o pedido deferido por D. Duarte – em memória de ter sido nesta cidade o seu nascimento – tendo concedido a Feira com todos os privilégios outorgados à de Trancoso, menos sisa (Carta de Estremoz, de 17-IV-1436) – e ainda que fosse três dias franca, mercê concedida em Almeirim.(...)"
 
Dr. José Coelho [saber +

“(,,,) Trancoso teve carta de feira dada por D. Afonso III, em 8 de Agosto de 1273. Nela mandava o soberano que se fizesse feira na sua vila, todos os anos, devendo começar oito dias da festa S. Bartolomeu, em Agosto, e durar quinze dias. Em 1304 continuava a fazer-se esta feira anual em Trancoso, pois na carta de feira mensal concedida a Trevões, em 10 de Abril desse ano, se exceptua o mês de Agosto por nele se fazer a feira de Trancoso.
Pouco tempo depois, em 15 de Abril de 1306, D. Dinis mandou fazer feira em Trancoso, todos os meses, a começar três semanas andadas cada mês e durar três dias. Os privilégios são idênticos aos da carta de feira anual dada por D. Afonso III.(,,,)"
 
Francisco José Santiago Martins [saber +]

 

20240609

Descalça Vai Para a Fonte

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Luís de Camões


20240501

VIVA O 1º DE MAIO !!

 

Nesta manhã de Primeiro de Maio, Não há por que invejar o sol.
Éramos algo sem nenhuma importância coletiva,
Indivíduos, nada mais.
Nos transformamos num gigante coração
A marchar pelas avenidas.
Nossas reivindicações eram apenas pedidos,
Menos do que isso, gemidos,
Aguardando audiências e despachos.
Agora a voz de cada um faz parte
De um canto cantado por um coral de milhares.
Não somos indivíduos nem multidão,
Somos um povo unido.

Adalberto Monteiro


"As delícias do amargo & uma homenagem: poemas"
Editora Anita Garibaldi – 1ª edição 2006

20240424

Viva o 25 de Abril - 25 de Abril Sempre

"As Portas que Abril Abriu"

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza

(...)

José Carlos Ary dos Santos

 

20240329

PÁSCOA


Um dia de poemas na lembrança
(Também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!
Sentir no corpo a ressurreição.
O coração,
Milagre do milagre da energia,
A irradiar saúde e alegria
Em cada pulsação.

 Miguel Torga, in Diário XVI