EDITORIAL


Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
José Régio


Aqui o "Acordo Ortográfico" vale ZERO!
Reparos ou sugestões são bem aceites mas devem ser apresentadas pessoalmente ao autor.
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20171101

D. António Alves Martins


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Estátua do Bispo de Viseu, D. António Alves Martins, do Mestre Teixeira Lopes e o parafuso sextavado de ferro, colocado pelos serralheiros de Viseu.

20171027

Monumento a D. António Alves Martins


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O pedestal da estátua do Bispo de Viseu, D. António Alves Martins (1808-1882), é uma obra do grande Mestre Serafim Simões Lourenço Simões e foi erigido em Santa Cristina no ano de 1908, ainda durante a Monarquia mas a estátua em bronze da autoria de Mestre Teixeira Lopes apenas viria a ser fundida no Arsenal do Exército, três anos mais tarde, já na República. Na tarde do dia 9 de Fevereiro de 1911 começaram os trabalhos para a colocação da estátua sobre a base, seguidos por inúmeros curiosos que obrigaram ao adiamento do tarefa, por razões de segurança. Mais tarde dispersada a aglomeração e quando a estátua estava a ser içada verificou-se um acidente. Partiu-se o cabo que sustentava a estátua que caiu no terreiro. No acidente ficou ferido, sem gravidade um operário do arsenal que auxiliava o seu mestre, António da Silveira e a estátua sofreu vários danos. A inauguração estava marcada para o dia seguinte e o mestre estava desesperado, temendo perder o seu lugar. Foi salvo por um grupo de serralheiros de Viseu que no dia seguinte, apenas uma hora antes da inauguração à qual assistiram vários ministro do Governo Provisório completaram os trabalhos de reparação da estátua. As reparações foram delicadas e obrigaram à decapitação, por algumas horas, da estátua que depois voltou a soldada. No trabalho colectivo que foi executado graciosamente, estiveram envolvidos serralheiros de quatro oficinas que trabalharam madrugada dentro mas quem mais contribuiu para realização da "milagre", no dizer do mestre do arsenal foi o Mestre Arnaldo Malho que teve a inteligência e a ousadia de encontrar a solução - "decapitar a estátua, desamolgar o peito ao estremecedor e voltar a soldar.", evitando nova fundição e o adiamemto da festa.
Nas imagens é visível um parafuso de ferro, na gola do casaco naturalmente muito oxidado, que terá servido de apoio à "pequena fundição" que foi necessário realizar para disfarçar o corte que foi necessário fazer no pescoço da figura imponente do Bispo de Viseu.

Fonte: "Artes e Artistas de Viseu" de Arnaldo Malho, Edição da Confraria de Sabores da Beira - "Grão Vasco", Viseu 2004, Coordenação de Júlio Cruz (Recolha de artigos publicado na "Revista Beira Alta", nos anos de 1952 e 1953)

20170929

Monumento ao Bispo Alves Martins


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(...) "Em Fevereiro de 1911, foi inaugurado o monumento ao Bispo sr. D. António Alves Martins. O pedestal, obra do grande mestre Serafim Lourenço Simões, tinha sido erigido no ano de 1908, em plena Monarquia, mas a estátua, mercê de manobras ao tempo desenvolvidas, só então foi fundida, apesar do Parlamento ter, anos antes, votado a lei que autorizava o Governo a ceder o bronze e a mandar fundir a estátua na fábrica de fundição do Arsenal do Exército."(...)

Arnaldo Malho (1880/1960)

 Estátua no Jardim de Santa Cristina, fronteira ao Seminário Maior de Viseu

20170321

"O Bispo de Vizeu"


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"O fallecido bispo de Vizeu era um caracter forte, uma individualidade bem accentuada. No seu tempo, mais do que nunca, os homens são producto do meio social, que lhes impõe em nome dos interesses, da formidavel auctoridade de toda a gente, e até da polidez que prohíbe a contradicção; elle, porém, foi toda a vida o que exigiam que fossem as suas convicções, o seu modo de sentir, o seu temperamento. Metteram-no no seminário e elle fugiu para os acampamentos, cingiram-no padre, e não o desviaram da vocação de revolucionário, sagraram-no prelado e o prelado foi um estadista liberal; deram-lhe as rendas de uma opulenta diocese, e ficou pobre; cercaram-no de pompas e grandeza, e não deixou de ser um homem do povo. A sua vigorosa personalidade impunha-se, não acceitava imposições.
Porque era forte, era franco, e quando a cortezia se lhe afigurava tibieza ou dissimulação, dispensava-a por importuna. (...) Uma vez foi a Roma. Roma subjuga os espíritos altivos com a auctoridade das tradições seculares, com a magestade do culto universal, e elle era padre. A cupula de Miguel Angelo cobria então uma assembléa pomposa e veneranda; (...) Porém, quando essa assembléa, que dizia representar as crenças dos povos e a inspiração do céu, se prostou humilde para divinisar o barro humano com a infalibilidade do infinito, o bispo de Vizeu ficou de pé, amparado pela energia da convicção, e a sua palavra sonora recusou a homenagem que o papa requeria para não repartir o que devia a Deus. (...)

Feriu interesses, é certo, mas feriu-os desinteressadamente e sacrificando a popularidade ao dever. (...) Foi muito superficial e muito acanhado nos seus intuitos. Reduzir as despezas publicas sem remover as poderosas causas da sua elevação, é um tratamento meramente symptomatico que faz soffrer o enfermo sem o curar. Mas porque não emprehendeu o bispo de Vizeu a cura radical?
(...) E no nosso paiz da indiferença e do egoismo ainda até hoje não houve, desde 1852, uma corrente de opinião, um acto de consciência publica, que armasse um partido ou um governo para commetimentos mais ousados e belliçosos do que cortar um canto de pão escasso, porém mal ganho, dos funcionários publicos, ou fazer com que os agiotas e os empreiteiros só mettam nos cofres do Estado o braço até ao cotovello, em vez de o meterem até ao hombro.
(...) Foi, porém, um ministro honrado e austero. Affeiçoado ás melhores práticas governativas e ás mais liberais. Nos tempos que vão correndo, quasi não ha homem político a quem se possa tocar mais levantado louvor. São pequenas todas as figuras da scena política, porque tambem a scena é baixa; o que ainda se lhes pode exigir é que sejam acceiadas. (...)

Engrandeceu-se sem baixezas, mandou sem orgulho, e a sua carreira tendo passado pelos mais altos cargos da egreja e do estado, acabou como tinha começado, na pobreza.
O único capital que juntou foi a estima e o respeito que lhe tem rodeado a sepultura de sentidas homenagens que lhe hão de perpetuar o nome."

ANTÓNIO ENNES

In, “Album de Vizeu” - Ilustrado com os retratos de - Viriato, João de Barros, D. Duarte, João Mendes, Bispo de Vizeu e estampas da cidade – cava de Viriato, Abravezes, S. Francisco d’Orgens, Praça dois de Maio, Sé, etc.
Almanaque com textos de diversas colaboradoras e colaboradores, à volta de Viseu, de viseenses ilustres e ainda pequenos contos, prosas e versos de motivos vários (recolha e organização de Camillo Castelo Branco ?), Typographia Universal, Rua do Almada, 347, Porto – 1884

Nota:
NASCEU NA GRANJA DE ALIJÓ EM 18-2-1808. ELEITO DEPUTADO EM 1842. NOMEADO ENFERMEIRO-MÓR DO HOSPITAL DE S. JOSÉ EM 1861. APRESENTADO BISPO DE VIZEU EM JULHO DE 1862. ENTRADA SOLEMNE NESTA CIDADE EM 29-1-1863. MINISTRO DO REINO EM 1868 E EM 1870. FALECEU POBRE NO PAÇO DE FONTELO EM 5-2-1882.

Estátua no Jardim de Santa Cristina, da autoria de António Teixeira Lopes, erigida por subscrição popular e inaugurada em 18 de Fevereiro de 1911.

20170204

Bispo Alves Martins e Antigo Seminário


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"Vizeu - Bispo Alves Martins e antigo seminário" - Bilhete Postal Ilustrado, Edição da Tabacaria Costa - Vizeu, Não circulado, datável das década 20 ou 30 do século XX ?
A estátua de D. António Alves Martins, Bispo de Viseu é da autoria do Mestre António Teixeira Lopes.

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(...) "Em Fevereiro de 1911, foi inaugurado o monumento ao Bispo sr. D. António Alves Martins. O pedestal, obra do grande mestre Serafim Lourenço Simões, tinha sido erigido no ano de 1908, em plena Monarquia, mas a estátua, mercê de manobras ao tempo desenvolvidas, só então foi fundida, apesar do Parlamento ter, anos antes, votado a lei que autorizava o Governo a ceder o bronze e a mandar fundir a estátua na fábrica de fundição do Arsenal do Exército."(...)

Arnaldo Malho (1880/1960)

20161005

Viseu - Roteiros Republicanos

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"Viseu - Roteiros Republicanos", de António Rafael Amaro e Jorge Adolfo M. Marques, Lisboa 2010, Edição da Comissão Nacional Comemorações do Centenário da República e QuiNovi.
A notícia da proclamação da República, em Lisboa no dia 5 de Outubro de 1910, chegou a Viseu no comboio da noite, trazida por um passageiro, o Sr. Álvaro Borges Soeiro, vindo de Lisboa. A vitória do movimento revolucionário, foi confirmada pelo telégrafo na madrugada do dia 6 de Outubro.

20160413

D. António Alves Martins (Bispo de Viseu)


D. António Alves Martins (Bispo de Viseu) caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) no "Álbum das Glórias" sintetizado por Guilherme de Azevedo (sob o pseudónimo de João Rialto) com o lema "Moralidade e Marmeleiro" publicada em Novembro de 1881.
:
(...) Foi, porém, um ministro honrado e austero. Affeiçoado ás melhores práticas governativas e ás mais liberais. Nos tempos que vão correndo, quasi não ha homem político a quem se possa tocar mais levantado louvor. São pequenas todas as figuras da scena política, porque tambem a scena é baixa; o que ainda se lhes pode exigir é que sejam acceiadas. (...) Engrandeceu-se sem baixezas, mandou sem orgulho, e a sua carreira tendo passado pelos mais altos cargos da egreja e do estado, acabou como tinha começado, na pobreza. O único capital que juntou foi a estima e o respeito que lhe tem rodeado a sepultura de sentidas homenagens que lhe hão de perpetuar o nome." (...)

António Ennes no “Album de Vizeu” de 1884 descrevendo o Bispo de Viseu, nascido na Granja de Alijó em 18 de Fevereiro de 1808 e falecido no Paço do Fontelo em 5 de Fevereiro de 1882.

Os "Mártires da Liberdade"




“Terminada a campanha contra os franceses em 1814, seguiram-se as guerras civis que ensanguentaram Portugal, este districto e a própria cidade de Viseu, pois em Lamego teve o sr. D. Miguel um deposito de 400 a 500 presos politicos, que soffreram as maiores torturas, comprehendendo pessoas de todas as cathegorias e até alguns lentes da Universidade, - e em Viseu teve uma comissão mixta, de magistrados civis e militares, que foi o terror da Beira e mandou fuzilar 25 pessoas. Foram as seguintes:

Primeira sentença
23 de Agosto de 1832

- Padre Laureano Pinto de Noronha, natural da quinta da Aveleda, freguesia de S. Chrystovam de Nogueira, concelho de Sinfães
- Padre Caetano José Pinheiro, natural da povoação de Villa Chã, freguesia de Nespereira, no mesmo concelho de Sinfães, e
- Padre Antonio Alberto Pereira Pinto Monte-Roio, natural da povoação de Casconha, freguesia de S. Thiago de Piães, no mesmo concelho.

Segunda sentença
17, ou 19 d´outubro de 1832

- Fr. Simão de Vasconcellos, monge de S. Bernardo, natural da quinta do Outeiro, freguesia de Cesár, então concelho da Villa da Feira e hoje de Oliveira d’Azemeis, ali rezidente por breve apostólico.
- Antonio Joaquim da cidade do Porto, forriel do batalhão de caçadores n.º 12.
- Joaquim Gonçalves, da freguesia de Casaes, então concelho de Penafiel e hoje de Lousada, soldado do mesmo batalhão.
- Francisco José Marques, da freguezia de Sanfins, concelho da Feira, soldado do batalhão da Serra, organizado no Porto.
- José d’Oliveira, do logar de S. Gião, freguesia do Souto, concelho da Feira, casado, lavrador e soldado do batalhão de Villa Nova, organisado no Porto.
- Joaquim José da Silva, natural do Porto, soldado de caçadores n.º 2.
- Luiz Ferreira da Costa Sant’Anna, da freguesia de Ranhados, junto de Viseu, mas residente no Porto, e ali hortelão dos padres loyos, de 65 annos de idade

Terceira sentença
24 de Outubro de 1832

- José Francisco, natural de S. Martinho d’Argoncilhe, concelho da Feira, casado, proprietário e soldado de caçadores n.º 5.

Quarta sentença
30 d’outubro de 1832

- D. Fernando Gutierres Galon, natural de Algeciras, na Andalusia.
- D. Paschoal Alpalhez, natural da villa de Sague, na Hespanha.
- D. Antonio Ximenes, da villa de Tarragona.
- D. Eusebio Paschoal, da villa de Navalcan.
- Manuel Sanches Garcia, natural de Saragoça, capital de Aragão.
- D. Benito José, natural da freguezia de Sonera, arcebispado de S. Thiago, na Galisa, soldado do batalhão da Serra, no Porto.

Quinta sentença
21 de Março de 1833

- Antonio Homem de Figueiredo e Sousa, natural da Cruz do Souto, freguezia de Farinha Podre, concelho de Penacova.
- Antonio Joaquim, natural da aldeia de Varzea da Candosa, freguesia de Candosa, concelho de Taboa.
- Padre Antonio da Maia, natural da Cruz do Souto, freguesia de Farinha Podre, parocho encommendado da freguesia de Covellos d’Azere, concelho de Taboa.
- Francisco Homem da Cunha, filho de Bernardo Homem e irmão de Guilherme Nunes, do logar e freguesia da Cortiça, hoje concelho de Arganil.
- Francisco de Sande Sarmento, solteiro, natural da povoação da Carvoeira, freguesia e concelho de Penacova.
- Felisberto de Sande, irmão do antecedente e natural da mesma povoação de Carvoeira.
- Guilherme Nunes da Silva, filho de Bernardo Homem e irmão de Francisco Homem da Cunha, mencionado supra.
- José Maria d’Oliveira, natural da Povoação da Cortiça, freguesia de Paradella concelho de Arganil.”

Aqui ficam as identidades dos 25 "Mártires da Liberdade" encontradas no “Portugal Antigo e Moderno Diccionario…” de Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal, continuado por Pedro Augusto Ferreira. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 5 - Largo de Camões – 6, 1890.

Um monumental sarcófago foi erigido em 1836, no claustro da Sé de Viseu, para recolher as ossadas dos mártires cujos nomes foram gravados no granito mas o tempo "apagou". Na arca tumular Fernando Almeida Machado (1) apenas conseguiu leu o seguinte em latim e em vulgar:
“PELA ADESAÕ À LIBERDAD.E, CARTA E D. MARIA II POR INÍQUAS SENT. FORAM INOCENTEM.TE CONDENADOS E FUZILADOS EM 1832 E 1833.”

António Alves Martins (1808/1882)  que viria a ser bispo de Viseu só não consta nesta lista porque fugiu. O jovem padre franciscano tinha um passado muito ligado aos liberais, no entanto foi nomeado compulsivamente, no início de 1832, para  capelão da fragata "Pérola". Tendo recusado para não servir o miguelismo, foi detido e encerrado na cadeia de Coimbra. Julgado foi condenado como traidor e deveria ter sido fuzilado no dia 28 de Janeiro, em Viseu no terreiro de Santa Cristina (2). Salvou-se porque durante a viagem logrou fugir. numa rocambolesca fuga que deverá ter contado com a ajuda de alguém da escolta.

Infelizmente aqueles que deram a vida pela Liberdade foram esquecidos e os seus nomes já não podem ser lidos no frio granito. A Câmara Municipal de Viseu deveria criar condições para que os funcionários do cemitério tivessem um local próprio para arrumações e respeitassem o monumento que em meados do século XX, foi transferido do lanço oeste do Claustro Renascentista da Catedral de Santa Maria de Viseu, para lugar “discreto” no Cemitério Municipal (Pedras Alçadas) (3).

1 – “Alves Martins Percursos de Liberdade” de Fernando Augusto Machado in “Tempo, Escritos e Iconografia – Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alves Martins 1808-2008”. Editor Escola Secundária Alves Martins, Viseu 2009.
2 - "O bispo revolucionário" de Paulo Jorge Fernandes in "D. António Alves Martins - Bispo de Viseu e Defensor do Reino",  Edição AVIS, Viseu 2008.
3– “A Sé Catedral de Santa Maria de Viseu” de Alexandre Alves, Edição Câmara Municipal de Viseu e outros, Viseu 1995.

Bicentenário de Alves Martins"


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"Tempo, Escritos e Iconografia – Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alves Martins", Edição da Escola Secundária Alves Martins, Viseu 2009

"D. Alves Martins" - Mário Soares


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(...)"O Bispo de Viseu viveu todo este extraordinário século, que refez Portugal. Intervem, desde muito jovem, nas contendas do Reino, sempre do lado mais progressista ou seja do radicalismo liberal (em termos políticos). É expulso, por isso, da Universidade de Coimbra e volta à Ordem Terceira, como bom e generoso franciscano, que sempre foi. Em plena guerra civil foi forçado a atravessar o rio Mondego a nado e ficou ferido e hospitalizado em Leiria, ele que era transmontano de boa cêpa, de franco falar e grande rectidão moral..."(...)
"D. Alves Martins - a coerência franciscana" de Mário Soares, ex-Presidente da República in "D. António Alves Martins (1808/1882) Bispo de Viseu e Defensor do Reino", Edição da AVIS, Viseu 2008.

"Viseu - Roteiros Republicanos"


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"Viseu - Roteiros Republicanos", de António Rafael Amaro e Jorge Adolfo M. Marques, Lisboa 2010, Edição da Comissão Nacional Comemorações do Centenário da República e QuiNovi

20150409

D. António Alves Martins


D. António Alves Martins (Bispo de Viseu) caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) no "Álbum das Glórias", personagem sintetizada por Guilherme de Azevedo (sob o pseudónimo de João Rialto) com o lema "Moralidade e Marmeleiro", publicada em Novembro de 1881.

António Ennes no “Album de Vizeu” de 1884 descrevendo o Bispo de Viseu, nascido na Granja de Alijó em 18 de Fevereiro de 1808 e falecido no Paço do Fontelo em 5 de Fevereiro de 1882 :

(...) Foi, porém, um ministro honrado e austero. Affeiçoado ás melhores práticas governativas e ás mais liberais. Nos tempos que vão correndo, quasi não ha homem político a quem se possa tocar mais levantado louvor. São pequenas todas as figuras da scena política, porque tambem a scena é baixa; o que ainda se lhes pode exigir é que sejam acceiadas. (...) Engrandeceu-se sem baixezas, mandou sem orgulho, e a sua carreira tendo passado pelos mais altos cargos da egreja e do estado, acabou como tinha começado, na pobreza. O único capital que juntou foi a estima e o respeito que lhe tem rodeado a sepultura de sentidas homenagens que lhe hão de perpetuar o nome." (...)

A Estátua do Bispo de Viseu


Reprodução de Bilhete Postal Ilustrado não circulado, editado pela Tabacaria Costa - Vizeu, sem indicação da data com fotografia talvez da década 20 ou 30 do século XX, A estátua de D. António Alves Martins, Bispo de Viseu é da autoria do Mestre António Teixeira Lopes.

Aspecto actual da estátua e jardim de Santa Cristina

(...) "Em Fevereiro de 1911, foi inaugurado o monumento ao Bispo sr. D. António Alves Martins. O pedestal, obra do grande mestre Serafim Lourenço Simões, tinha sido erigido no ano de 1908, em plena Monarquia, mas a estátua, mercê de manobras ao tempo desenvolvidas, só então foi fundida, apesar do Parlamento ter, anos antes, votado a lei que autorizava o Governo a ceder o bronze e a mandar fundir a estátua na fábrica de fundição do Arsenal do Exército."(...)

Arnaldo Malho (1880/1960)

200 Anos do Nascimento do Bispo de Viseu


"Tempo, Escritos e Iconografia - Bicentenário de Alves Martins", Edição evocativa do bicentenário do nascimento de D. António Alves Martins, "O Bispo de Viseu", um publicação da AVIS - Associação para o debate de ideias e concretizações culturais de Viseu, com textos de vários autores e homenagens de diversas personalidades, Viseu 2009.

20120610

"Viseu Roteiros Republicanos"

 

"Viseu Roteiros Republicanos", António Rafael Amaro e Jorge Adolfo M. Marques, 2010 - Comissão Nacional Comemorações do Centenário da República e Quidnovi II [saber +]

20111109

O Monumento aos Mártires da Liberdade



O Bispo de Viseu D. António Alves Martins [ligação], ainda enquanto estudante e por apoiar os liberais foi preso, sentenciado e condenado ao fuzilamento que deveria ter tido lugar no Campo de Santa Cristina. Porém durante a que deveria ter sido a sua última viagem de Coimbra para Viseu, logrou escapar mas o lugar onde hoje está a sua estátua [ligação], foi regado pelo sangue de outros, hoje anónimos, lutadores pela Liberdade.
O monumento e a arca tumular que guarda os ossos das vítima dos Miguelistas está “escondido” no Cemitério Municipal de Viseu (Pedras Alçadas) e serve de lugar para arrumos – mesmo nos dias dedicados à recordação do mortos.
As letras no monumento com os nomes dos mártires estão sumidas no granito mas na arca tumular, Fernando Almeida Machado leu o seguinte em latim e em vulgar:

PELA ADESAÕ À LIBERDAD.E, CARTA E D. MARIA II POR INÍQUAS SENT. FORAM INOCENTEM.TE CONDENADOS E FUZILADOS EM 1832 E 1833

Fontes:
"Breve Biografia de D. António Alves Martins" de Camilo Castelo Branco [ligação]
A Guerra Civil em Portugal (1832-1834) [ligação]

20090614

Mais um recado...


Este recado tem como destinatário o “Diário de Viseu” que publicou na edição de 12 de Junho (Sexta-feira) um artigo sobre a Rua D. António Alves Martins ilustrada com uma foto da estátua do Bispo de Viseu no Jardim de Santa Cristina que, embora tendo sido “cortada e esticada” para se acomodar às duas colunas do texto, é fruto do meu trabalho de fotógrafo amador, e ainda a reprodução de um postal antigo do mesmo local que tive o cuidado de marcar com a indicação do editor, a “Tabacaria Costa” que há mais de um século mantém porta aberta. Estas duas imagens deverão ter sido retirados do meu blogue onde foram publicadas em diferentes ocasiões. Todos sabemos que na internet o “copianço”, para não chamar outro nome bem mais feio, é uma praga. Não me incomoda e até aprecio que utilizem os meus trabalhos para fins não comerciais, sobretudo desde que façam referência ao autor cumprindo a indicação que consta no blogue, relativa aos direitos de autor e às condições de utilização das imagens e dos textos. Lamento o sucedido que não será do conhecimento da direcção e desejo que a recente entrada para redacção de um estimado e competente jornalista se traduza numa melhoria significativa na qualidade da publicação.

20090120

D. António Alves Martins - Bispo de Viseu


Reprodução de bilhete postal editado pela Tabacaria Costa, sem indicação da data, talvez do início dos anos 50 do século XX, a estátua do Bispo de Viseu é da autoria de António Teixeira Lopes.
(...) "Em Fevereiro de 1911, foi inaugurado o monumento ao Bispo sr. D. António Alves Martins. O pedestal, obra do grande mestre Serafim Simões [ligação], tinha sido erigido no ano de 1908, em plena Monarquia, mas a estátua, mercê de manobras ao tempo desenvolvidas, só então foi fundida, apesar do Parlamento ter, anos antes, votado a lei que autorizava o Governo a ceder o bronze e a mandar fundir a estátua na fábrica de fundição do Arsenal do Exército."(...)

Arnaldo Malho (1880/1960) [ligação]

D. António Alves Martins à noite...


No passado ano ocorreu e foi lembrado com diversas actividades o bicentenário do nascimento de D. António Alves Martins [ligação]. Porém ao que parece não houve quem se lembrasse, ou melhor ainda fizesse com que a estátua do "Bispo de Viseu" tivesse iluminação condigna. Ficaram-se pela vizinha igreja do Carmo e mais uma vez esqueceram o franciscano que morreu pobre no Paço do Fontelo e bem merecia um "lampiãozito". E ainda há mais, reparem como brilha à noite o vizinho monumento a Sá Carneiro...

20081216

O Bispo de Viseu, opinião de Mário Soares


Estátua da autoria de António Teixeira Lopes na Santa Cristina

No ano em breve termina foram várias as iniciativas em redor do bicentenário de D. António Alves Martins, o bom franciscano que assinava - António, Bispo de Viseu...

(...) "O Bispo de Viseu viveu todo este extraordinário século, que refez Portugal. Intervem, desde muito jovem, nas contendas do Reino, sempre do lado mais progressista ou seja do radicalismo liberal (em termos políticos). É expulso, por isso, da Universidade de Coimbra e volta à Ordem Terceira, como bom e generoso franciscano, que sempre foi. Em plena guerra civil foi forçado a atravessar o rio Mondego a nado e ficou ferido e hospitalizado em Leiria, ele que era transmontano de boa cêpa, de franco falar e grande rectidão moral..." (...)

Mário Soares - Antigo Presidente da República in "D. António Alves Martins (1808/1882) Bispo de Viseu e Defensor do Reino"